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FGV: julgamento de Lula reforça polarização política e evidencia presença de robôs

O advogado Cristiano Zanin Martins entregou no final da manhã desta sexta-feira o passaporte do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva...

Política / 26 Janeiro 2018

O julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), em Porto Alegre, foi o evento político com maior repercussão nas redes sociais desde a abertura do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em abril de 2016. Somente na quarta-feira , houve 1,21 milhão de menções no Twitter sobre o julgamento apenas no Brasil. Para efeitos de comparação, a greve geral de 28 de abril de 2017 mobilizou 1,1 milhão de menções no Twitter no dia em que ocorreu, segundo dados do Monitor de Temas da Diretoria de Análise de Políticas Pública (DAPP), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Já a abertura do processo de impeachment de Dilma, em abril de 2016, mobilizou 1,5 milhão de menções também em 24 horas.

O levantamento mostra ainda que o debate movimentou cerca de 35 mil interações motivadas por contas automatizadas, os chamados robôs, respondendo por cerca de 5,5% das interações no campo de oposição e 5,1% de interações no grupo de apoio a Lula. A presença detectada de robôs aponta para uma forte utilização dos mesmos durante as eleições com potencial para controvérsias e questionamentos, a exemplo do ocorrido em outros países.

No exterior, houve 254 mil menções no Twitter ao julgamento de Lula, com postagens identificadas em dezenas de países dos cinco continentes. Nesse debate, o predomínio é de menções em espanhol, em países da América Latina, com destaque para Argentina (país do exterior com maior volume de referências ao julgamento), 58,2 mil postagens; EUA (47,3 mil); e Venezuela (14,5 mil).

O elemento de destaque no debate político foi o crescimento de atores ligados ao campo da esquerda, como Ciro Gomes, Fernando Haddad, Guilherme Boulos e Manuela d'Ávila. Essa tendência indica a intensificação do debate sobre que atores poderiam vir a capitalizar a eventual saída de Lula da corrida eleitoral. Já o debate econômico nas redes se manifestou como o maior pico de menções à bolsa de valores brasileira desde o primeiro semestre do ano passado. O evento mobilizou 12.304 menções ao otimismo dos mercados financeiros com o julgamento.

 

Advogado entrega passaporte à PF - O advogado Cristiano Zanin Martins entregou no final da manhã desta sexta-feira o passaporte de Lula à Polícia Federal, em São Paulo. Zanin, que defende Lula em vários processos, atendeu a determinação do juiz substituto Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal em Brasília.

Na quinta-feira, o magistrado atendeu a pedido da Procuradoria da República do Distrito Federal, que entende que o ex-presidente pode abandonar o país após TRF-4 confirmar a condenação.

O juiz deu prazo de 24 horas para que o documento fosse entrega à PF e determinou que o nome de Lula fosse incluído no cadastro de pessoas impedidas de deixar o país.

Lula viajaria hoje à Etiópia para participar de evento da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). O ex-presidente cancelou a viagem.

 

Senadores comentam - Por meio de contas nas redes sociais, senadores comentaram até a manhã desta quinta a decisão do TRF-4. O líder do PT no Senado, Lindbergh Farias (RJ), escreveu que o processo não apresenta provas contra o ex-presidente. Para o senador, os desembargadores agiram de forma parcial. "O próprio TRF4 já disse: dono é quem tem nome inscrito na propriedade. Ou seja, a dona do triplex é a OAS. Só a mobilização do povo brasileiro tem força diante de uma justiça parcial".

O líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO), classificou a condenação de Lula como "algo histórico" e completou escrevendo que "o que precisamos agora é buscar a consciência do eleitor para que tenha em mente que a nossa democracia não permite mais ser subjugada por projetos de poder pautados no populismo e na corrupção".

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), presidente do partido, e outros parlamentares da legenda, como Fátima Bezerra (RN), Regina Sousa (PI) e Paulo Rocha (PA), usaram as redes sociais para criticar o julgamento. "A condenação de Lula pelo TRF4 entra para a história, mas de forma negativa: Lula é mais uma personalidade popular perseguida e injustiçada", disse Gleisi.

"O julgamento de Lula mostra que ninguém está acima da lei" é uma frase que se repetiu em postagens de parlamentares que consideraram acertada a decisão do TRF-4. Uma das senadoras a expressar a ideia foi Ana Amélia (PP-RS): "O julgamento entra para a história como referência para continuarmos acreditando que o Brasil tem jeito."

Contrário à decisão do TRF-4, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) também evocou a história: "Estive em Porto Alegre, tenho lado, defendo o que acredito, sou brasileiro, desenvolvimentista, nacionalista. Tenho certeza de estar no lado certo da história, o lado de nosso povo e soberania".

Já o senador Alvaro Dias (Pode-PR) classificou o julgamento como "um divisor de águas, um avanço histórico para a consolidação de uma nova justiça onde todos serão iguais perante à lei".

O senador Lasier Martins (PSD-RS) considerou que "o julgamento do ex-presidente Lula pelo TRF-4 foi sereno, minucioso, técnico e convincente". E o senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO) escreveu que "não faltaram provas nem argumentos jurídicos para punir um ex-presidente da República que traiu a confiança do povo". No mesmo sentido, o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) afirmou em vídeo no Twitter que "o presidente Lula não está sendo julgado e condenado pelos seus atos políticos, mas pelos crimes que cometeu contra a sociedade brasileira".

Mas a opinião não é compartilhada pela senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM). "Os desembargadores do TRF4 não trataram pontos cruciais da decisão em primeira instância, como a ausência do ato de ofício, as ações do juiz Moro que trazem suspeição, como a divulgação dos grampos telefônicos entre Lula e Dilma, e mesmo a questão da suposta posse de um apartamento sem que haja uma única prova neste sentido". José Pimentel (PT-CE) afirmou que "sem prova, qualquer decisão é injusta". E, para Humberto Costa (PT-PE), 24 de janeiro de 2018 será um dia marcado pela "perseguição política declarada a um homem inocente".

Cristovam Buarque (PPS-DF) observou que a decisão pode tirar Lula da corrida eleitoral à Presidência da República. "Não dá para prever ainda as consequências políticas dessa decisão", ponderou.

Wilder Morais (PP-GO), Magno Malta (PR-ES), José Medeiros (Pode-MT) elogiaram a decisão da 8ª Turma do TRF-4.

 

Com informações da Agência Brasil e da Agência Senado