FGV diz que economia volta a crescer lentamente no segundo trimestre

Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, crescimento é fraco, mas positivo como ocorre desde o quarto trimestre de 2016.

Conjuntura / 12:14 - 14 de ago de 2019

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O Monitor do PIB, da Fundação Getúlio Vargas (FGV) aponta, nas séries dessazonalizadas, crescimento de 0,2% do PIB no segundo trimestre, na comparação com o primeiro, revertendo a queda de 0,1% observada no primeiro trimestre. No mês de junho, o indicador aponta crescimento de 0,7% da economia, em comparação a maio.

Na comparação interanual a economia cresceu 0,7% no segundo trimestre, o que manteve o crescimento da taxa acumulada em 12 meses em 0,9%, mesma variação observada no primeiro trimestre do ano.

"O crescimento de 0,2% da economia neste segundo trimestre, segundo o Monitor do PIB-FGV, põe a economia de volta a trajetória de crescimento que havia se perdido no primeiro trimestre. Entre os três grandes setores, a agropecuária e a indústria apresentam taxas negativas, salvando-se os serviços que já apresenta taxas positivas há 10 trimestres. Na comparação contra o mesmo trimestre do ano anterior, o crescimento é fraco, mas positivo como já ocorre desde o quarto trimestre de 2016. Os dados mostram que, apesar do crescimento, a economia ainda não consegue se expandir a taxas mais robustas" afirma Claudio Considera, coordenador do Monitor do PIB-FGV.

O crescimento de 0,2% da economia observado no segundo trimestre, em comparação ao primeiro, mostra uma melhora da tendência da atividade econômica, que vinha recuando desde o quarto trimestre de 2018. Esse crescimento é explicado pelo desempenho do setor de serviços, único dos três grandes setores de atividade a apresentar crescimento neste trimestre (0,3%). Pela demanda, o consumo das famílias cresceu 0,7%, décimo crescimento consecutivo deste componente, e a formação bruta de capital fixo voltou a crescer (2,3%), após dois recuos consecutivos.

A análise gráfica desagregada dos componentes da demanda foi feita usando a série trimestral interanual por apresentar menor volatilidade do que as taxas mensais e aquelas ajustadas sazonalmente permitindo melhor compreensão da trajetória de seus componentes.

O consumo das famílias cresceu 2,1% no segundo trimestre, em comparação ao mesmo trimestre de 2018. Mais uma vez, desde o terceiro trimestre de 2018, o consumo de serviços tem sido o principal responsável pelo crescimento deste componente (contribuição de 1,2 p.p. no segundo trimestre). O consumo de duráveis, recentemente, vem aumentando sua contribuição para a variação total do componente (contribuição de 0,6 p.p. no segundo trimestre).

A FBCF cresceu 4,0% no segundo trimestre, em comparação ao mesmo trimestre de 2018. O crescimento de 8,3% de máquinas e equipamentos impulsionou este componente que estava em trajetória de queda, no início do ano. Com taxas de variações menores, os componentes de construção e de outros da FBCF também cresceram neste trimestre, tendo contribuído, conjuntamente, em 0,8 p.p. para a taxa de variação do total da FBCF.

A exportação apresentou crescimento de 2,6% no segundo trimestre, em comparação com o mesmo trimestre de 2018. Os componentes que apresentaram crescimento foram: (I) bens intermediários (12,7%); e (II) bens de consumo não duráveis (16,6%) e, produtos da extrativa mineral (8,2%). É interessante observar que, embora com desempenho positivo desde o terceiro trimestre de 2018, a exportação de produtos da extrativa mineral apresenta trajetória descendente desde o início de 2019, reflexo do desastre de Brumadinho.

A importação cresceu 4,5% no segundo trimestre, comparativamente ao mesmo trimestre de 2018. Apenas as importações dos bens de consumo retraíram nesta comparação (variações de -23,4%, nos duráveis; -10,5% nos semiduráveis e -8,9%) nos não duráveis. Os principais destaques positivos foram o desempenho dos bens de capital (17,8%) e dos produtos da extrativa mineral (8,2%).

Em termos monetários, o PIB em valores correntes alcançou a cifra de aproximadamente R$ 3.469.059 milhões no acumulado do primeiro semestre deste ano.

A taxa de investimento (FBCF/PIB) foi de 17,2%, em junho, na série a valores de 1995.

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