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FGV: brasileiro quer mais Estado na economia, mas recusa aumento de impostos

Conjuntura / 09 Outubro 2017

Pesquisa de opinião pública realizada pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas (Dapp) da Fundação Getulio Vargas (FGV) durante o mês de agosto deste ano aponta que a insatisfação dos brasileiros no atual contexto se reflete numa falta de confiança generalizada no presidente (83%), nos políticos (78%) e nos partidos (78%), expressa em todas as regiões, faixas etárias e de renda. Por outro lado, em relação ao futuro, o brasileiro mostra-se majoritariamente otimista, com 54% dos respondentes considerando que a qualidade de vida nos próximos cinco anos vai estar melhor do que nos dias de hoje. A coleta das informações em campo, realizada pelo Ibope, contou com 1.568 entrevistados de diversos municípios, em todo o território nacional.

A partir da organização das informações encontradas, o estudo foi dividido em dois eixos centrais: o primeiro, denominado "A Confiança no Brasil", que vem a destacar a confiança dos indivíduos sobre a política, a economia e a estrutura social em geral, associando essas variáveis às expectativas do brasileiro a respeito do futuro esperado para o próprio indivíduo e para a sociedade. No segundo eixo, chamado de "O Coração do brasileiro", analisando comportamento dos brasileiros diante de várias questões de nossa estrutura social. Com isso, pretendeu-se também entender os valores que orientam escolhas e preferências dos indivíduos hoje e no futuro.

O período atual, no qual projetos políticos e econômicos vêm sendo intensamente debatidos na busca por soluções duradouras de superação da crise, pode ser visto como um momento privilegiado para a discussão sobre o futuro do Brasil. A análise dos dados nos traz um cenário preocupante, no qual parcela considerável de indivíduos está sob o impacto das crises política e econômica, o que acaba por resultar num arranjo social marcado pela preocupação com o futuro e por uma série insatisfações. Outras consequências produzidas nesse contexto e que foram observadas são a descrença e a falta de confiança manifestadas em relação aos políticos que hoje atuam no Brasil.

Segundo o estudo, enquanto as instituições políticas são alvo de ampla rejeição, os brasileiros depositam credibilidade na Igreja (61%), nos militares (46%) e nos juízes (42%); cCerca de 55% entrevistados afirmam que não votariam novamente no mesmo candidato em que votaram nas últimas eleições para presidente; dentro deste contexto, 30% pretendem votar em algum candidato fora da política tradicional nas próximas eleições para presidente, 29% dizem ainda que votarão branco ou nulo; dentre os entrevistados, 63% afirmam que a corrupção é o tema que mais os angustia no Brasil, sugerindo que a busca por um representante "honesto" será importante no debate de 2018; a insatisfação com o governo, juntamente com a descrença e a falta de identificação com os políticos, desencadeia ainda uma crise de representação partidária. Questionados se concordam ou não que os partidos são importantes e que estaríamos piores sem eles, 47% disseram que não - destes, 33% dizem discordar totalmente; estes resultados indicam a percepção da sociedade sobre um sistema político disfuncional, que necessita de mudanças para reverter essa rejeição à sua estrutura de representação; mesmo diante da desconfiança geral, a pesquisa mostra que a maioria dos indivíduos acredita na importância de suas ações para determinar o rumo do país: 74% concordam que os protestos são importantes para mudar o comportamento dos governantes - 58% afirmam que os governantes temem o povo nas ruas; apesar de os brasileiros verem importância em protestar nas ruas, contudo, não se mostram, individualmente, interessados em fazê-lo, o que indica uma enorme expectativa nas eleições de 2018 como termo de ajuste da vida política brasileira; grande parte dos entrevistados (65%) também considera que debater nas redes sociais é importante para mudar o comportamento dos governantes. Esta é a terceira fonte de informação mais usada pelos entrevistados para se informar sobre política (22%), atrás apenas da televisão (69%) e de sites de notícias e portais (24%).

O levantamento mostra que o brasileiro ainda sente o impacto dessa recessão. Cerca de 64% dos entrevistados afirmaram discordar totalmente que o pior da crise econômica já passou; quando questionados, a maioria dos entrevistados diz que ainda não percebeu com clareza a queda do desemprego, da inflação e dos juros em relação há um ano; brasileiro mostra que quer uma atuação do Estado na economia (57%) ao mesmo tempo em que defende a diminuição das desigualdades (70%), mas recusa aumento de impostos (79%); em relação ao futuro, o brasileiro mostra-se majoritariamente otimista, com 54% dos respondentes considerando que a qualidade de vida nos próximos cinco anos vai estar melhor do que nos dias de hoje; e além disso, 64% concordam em parte ou totalmente que, apesar dos governantes atuais, depende de cada um alcançar a vida boa.

Portanto, mesmo considerando o contexto atual, a grande maioria dos respondentes (83%) ainda tem esperança no Brasil a longo prazo.