Exportações do agronegócio crescem apenas 0,8% em outubro

Aumento vem do crescimento da quantidade, pois os preços tiveram queda de 5,7%.

Negócios Internacionais / 18:36 - 11 de nov de 2019

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

As exportações do agronegócio foram de US$ 8,41 bilhões em outubro de 2019, número que representou um crescimento de 0,8% em relação aos US$ 8,35 bilhões exportados em outubro de 2018. O aumento das exportações ocorreu em função do crescimento do índice de quantum das exportações, que registrou incremento de 6,8%. Por outro lado, o índice de preço das exportações teve redução de 5,7% na comparação com outubro de 2018. Ou seja, as exportações tiveram aumento de 0,8% em função do crescimento da quantidade exportada.

O produto de destaque para a elevação da quantidade exportada foi o milho. As vendas externas do cereal subiram de 3,1 milhões de toneladas em outubro de 2018 para 6,1 milhões de toneladas em outubro de 2019 (+97,6%). Uma quantidade recorde de exportação de milho para os meses de outubro.

As importações de produtos do agronegócio também cresceram, passando de US$ 1,19 bilhão em outubro de 2018 para US$ 1,21 bilhão em outubro de 2019 (+1,3%). Assim como o índice de preço das exportações, o índice de preço dos produtos importados também caiu, registrando uma queda de 2,1% entre outubro de 2018 e outubro de 2019. Já a quantidade importada, apurada pelo índice de quantum das importações, subiu 3,5%.

Em outubro de 2019, os cinco principais setores exportadores do agronegócio foram: complexo soja (27,0%); carnes (18,1%); cereais, farinhas e preparações (12,8%); produtos florestais (10,8%); e complexo sucroalcooleiro (7,8%). A soma da participação dos cinco principais setores exportadores atingiu 76,5% do valor total exportado em outubro de 2019. Esta porcentagem correspondeu a uma concentração das vendas externas nesses setores, uma vez que os mesmos setores foram responsáveis por 75,3% das exportações em outubro de 2018.

O principal setor exportador do agronegócio foi o complexo soja. As vendas externas do setor atingiram US$ 2,27 bilhões em outubro de 2019 (-10,9%). A soja em grão é o principal produto de exportação do setor, com US$ 1,75 bilhão exportados em outubro de 2019 (-14,3%) ou 77,2% do valor exportado pelo setor. Outros dois produtos exportados pelo setor foram: farelo de soja (US$ 481,63 milhões; +10,0%) e óleo de soja (US$ 36,10 milhões; -43,8%).

As carnes ficaram na segunda posição. Foram exportados US$ 1,53 bilhão em carnes em outubro de 2019. Destacaram-se as exportações de carne bovina, com registros recordes de valor e quantidade, US$ 806,61 milhões (+30,4%) e 185,4 mil toneladas (+14,9%). As exportações de carne suína também subiram, atingindo US$ 148,51 milhões (+38,5%) e 67,1 mil toneladas em outubro de 2019. Por outro lado, as vendas externas de carne de frango caíram 7,8%, atingindo US$ 529,13 milhões ou 326,9 mil toneladas (-8,3%) exportadas no período em análise.

O terceiro principal setor exportador foi o de cereais, farinhas e preparações. As vendas externas do setor foram resultado quase que exclusivamente das exportações de milho, que registraram valor e quantidade recorde exportada para o mês de outubro. As exportações de milho em outubro de 2019 foram de US$ 1,02 bilhão, o que equivaleu a um crescimento de 91,3% em relação às exportações de outubro de 2018. A quantidade exportada de milho foi também recorde, com 6,14 milhões toneladas exportadas (+97,6%).

As vendas externas de produtos florestais foram de US$ 906,0 milhões (-15,6%), cifra que colocou o setor na quarta posição entre os principais setores exportadores. O principal produto de exportação do setor, a celulose, teve redução dos preços internacionais de 25,4% entre outubro de 2018 e outubro de 2019. Esta queda nos preços internacionais do produto diminuiu o valor exportado para US$ 508,21 milhões (-11,5%), embora a quantidade vendida ao exterior tenha sido recorde para os meses de outubro (1,24 milhão de toneladas). Outros produtos de exportação do setor foram: madeiras e suas obras (US$ 246 milhões; -23,4%) e papel (US$ 152 milhões; -14,8%).

A quinta posição entre os principais setores exportadores foi do complexo sucroalcooleiro. As exportações do setor foram de US$ 652,69 milhões (-7,5%). No setor, as vendas externas de açúcar foram de US$ 545,68 milhões (-3,0%) em outubro de 2019, enquanto as exportações de álcool foram de US$ 105,91 milhões (-25,4%) no mesmo mês.

Os demais 20 setores exportadores exportaram US$ 1,98 bilhão em outubro de 2019, o que representou uma queda de 4,0% em relação aos US$ 2,06 bilhões exportados pelos mesmos vinte setores em outubro de 2018. Com essa queda, a participação desses setores recuou para 23,6%, uma queda de 1,2 pontos percentuais. Tal fato demonstra que houve uma concentração das exportações entre os principais setores exportadores do agronegócio entre outubro de 2018 e outubro de 2019.

Um produto que mereceu destaque nesses vinte setores exportadores foi o algodão. As exportações do algodão não cardado nem penteado subiram de US$ 306,78 milhões em outubro de 2018 para US$ 440,73 milhões em outubro de 2019 (+43,7%). Tal resultado foi obtido em função do crescimento da quantidade exportada, que subiu de 177,1 mil toneladas em outubro de 2018 para 273,4 mil toneladas em outubro de 2019. Com esse valor exportado, o algodão não cardado nem penteado respondeu sozinho por cerca de uma quarta parte do valor total exportado nos vinte setores do agronegócio com menor valor de exportação.

 

Maior corrente de comércio do Rio desde 2004

O Estado do Rio de Janeiro registrou, em 2018, a maior corrente de comércio desde 2004, totalizando US$ 54 bilhões. Com isso, a participação fluminense no saldo comercial do Brasil foi de 13%. O estado registrou ainda um superávit na balança comercial de US$ 6 bilhões. Os números são da quinta edição do Diagnóstico do Comércio Exterior do Estado do Rio de Janeiro, elaborado bienalmente pela Firjan.

O estudo traça o perfil das empresas fluminenses que atuam no mercado internacional, a partir de entrevistas e das bases de dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Na série história analisada, a participação do estado nas exportações brasileiras passou da quinta para a segunda posição, ficando atrás apenas de São Paulo.

De acordo com o documento, os principais bens exportados em 2018 foram provenientes da indústria de Petróleo e Gás Natural, com US$ 18 bilhões (63%), representando uma variação de 136% em relação a 2016. “Os números refletem o período de retomada da indústria de P&G, cujo crescimento foi notável”, analisa Flávia Alves, especialista em Comércio Exterior da Firjan.

O diagnóstico é uma iniciativa importante para reconhecer a performance do estado, e funciona também como um incentivo com o que pode vir pela frente” – Luiz Césio Caetano, presidente do Sindicato da Indústria de Refinação e Moagem de Sal do Estado do RJ (Sindisal)

De acordo com a pesquisa, a percepção dos empresários fluminenses com relação aos entraves às exportações estava reduzindo, entretanto, esta última edição detectou aumento, atingindo 76%. Os entraves mais citados foram: Burocracia tributária, com 47%; e Custos tributários e dificuldade no ressarcimento de crédito, com 22%. Vale ressaltar que esses dois entraves vêm crescendo desde 2013. Além disso, o diagnóstico também aponta que a utilização obrigatória da Declaração Única de Exportação (DUE), no Portal Único de Comércio Exterior, tem sido bem-sucedida. Das empresas ouvidas, 82% afirmaram não terem encontrado dificuldades. “Isso mostra que o objetivo de facilitar o processo de exportação foi alcançado”, observa Flávia.

 

Enaex debate caminhos para comércio exterior

O vice-presidente da República, General Antônio Hamilton Martins Mourão; o ministro da Economia, Paulo Guedes; o secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, Marcos Prado Troyjo; o secretário de Comercio Exterior, Lucas do Couto Ferraz; o presidente da ApexBrasil, Sérgio Ricardo Segovia Barbosa; e o presidente do Sebrae, Carlos Melles são alguns dos nomes confirmados para o Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex 2019), dias 21 e 22 de novembro, no Rio de Janeiro.

O evento, promovido pela Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), este ano com o tema Produtividade e competitividade abrindo mercados externos, reunirá representantes de toda a cadeia de negócios do comércio internacional e governo para discutir, analisar e criar proposições que levem à expansão competitiva e sustentável do setor.

 

Exportação de veículos tem queda em outubro

As exportações brasileiras de veículos recuaram 34,7% no acumulado de janeiro a outubro sobre o mesmo período de 2018, com a comercialização de 367,5 mil unidades no mercado externo, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (6) pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Em outubro, a retração ficou em 22,6% sobre o mesmo mês de 2018, com 30 mil veículos vendidos.

A produção nacional cresceu 16,6% em outubro sobre setembro e 9,6% sobre o mesmo mês do ano passado, com a fabricação de 288,5 mil unidades. Nos primeiros dez meses do ano, foram produzidos 2,55 milhões de veículos no Brasil, um aumento de 3,6% em relação ao período de janeiro a outubro do ano passado.

 

Contato com o colunista: pietrobelliantonio0@gmail.com

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor