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Exportações do agronegócio devem atingir US$ 100 bi

Durante a posse do novo presidente da Embrapa, Sebastião Barbosa, no Palácio do Planalto, quarta-feira passada, o ministro da...

Negócios Internacionais / 15 Outubro 2018

Durante a posse do novo presidente da Embrapa, Sebastião Barbosa, no Palácio do Planalto, quarta-feira passada, o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Blairo Maggi, disse que o agronegócio deverá encerrar o ano com exportações de US$ 100 bilhões. “É uma marca que vínhamos perseguindo e, agora, vamos alcançar”, disse o ministro. O presidente Michel Temer ressaltou a importância do setor do agronegócio para a economia brasileira, lembrando ter contribuído “em grande parte” para a recuperação do PIB (Produto Interno Bruto) do país, que, em maio de 2016, estava em -5,9%, passou a 1% de crescimento no ano seguinte e deverá encerrar 2018 com algo em torno de 1,4%.

O secretário-executivo do Mapa, Eumar Novacki, presidente do Conselho da Embrapa, também destacou que “o agro é o pilar mais importante da economia, representando cerca de um quatro do PIB e quase 50% das exportações”. A posse do novo presidente da empresa de pesquisa, vinculada ao Mapa, é a primeira estatal a seguir o processo seletivo previsto na Lei 13.303/2016, que passou a exigir qualificação técnica de candidatos à diretoria e maior transparência no processo seletivo.

A escolha do novo presidente, que substitui Maurício Lopes, foi iniciada em agosto, tendo se inscrito 16 candidatos, dez do quadro e seis sem vinculação com a empresa. O Conselho de Administração analisou currículos, compatibilidades e entrevistou três selecionados que atingiram a melhor pontuação técnica. O melhor avaliado foi submetido à aprovação prévia da Casa Civil da Presidência da República. A sucessão visa dar continuidade à revisão estrutural e funcional da Embrapa, demandada pelo ministro Blairo Maggi, com o objetivo de aproximar ainda mais a empresa do setor produtivo.

 

Manufaturados perdem participação nas exportações

Mesmo com a recuperação significativa das exportações nos últimos anos, os produtos industrializados continuam a perder participação nas vendas externas brasileiras. Segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), a fatia dos manufaturados nas exportações caiu de 36% nos nove primeiros meses de 2017 para 35,2% no mesmo período deste ano. Em valores absolutos, a venda de bens industrializados acumula alta de 6,8% nos nove primeiros meses do ano na comparação com os mesmos meses de 2017, totalizando US$ 63,244 bilhões. Este é o maior valor para o período desde 2013. As vendas de produtos básicos, no entanto, têm apresentado melhor desempenho neste ano, reduzindo o peso dos manufaturados na balança comercial.

Beneficiadas pela alta da cotação internacional do petróleo e da soja, as exportações de produtos básicos saltaram 15,7% nos nove primeiros meses do ano. A participação dos bens primários nas exportações totais subiu de 47,6% de janeiro a setembro do ano passado para 50,4% nos mesmos meses de 2018. As exportações de manufaturados têm sido beneficiadas pela alta do dólar, que subiu 21,9% de janeiro a setembro. O câmbio torna mais competitivas as vendas de produtos industrializados, enquanto as exportações de commodities (bens primários) dependem mais das cotações internacionais de minérios e de produtos agropecuários.

Segundo o Mdic, o bom desempenho das exportações de manufaturados em 2018 concentra-se em cinco produtos. A maior alta, de 353%, foi registrada nas vendas de plataformas para extração de petróleo na comparação entre os nove primeiros meses de 2018 e os mesmos meses do ano passado. Em seguida, vêm partes de motores e turbinas para aeronaves (101,2%), óleos combustíveis (70,2%), motores para veículos e partes (24,7%) e máquinas para terraplanagem (22,9%). As vendas externas de produtos industrializados poderiam registrar desempenho melhor não fosse a situação nos países vizinhos. A crise cambial na Argentina, o terceiro maior parceiro comercial do Brasil, prejudicou as exportações de veículos. De janeiro a setembro, o valor das vendas de automóveis de passageiros caiu 13,8%. As exportações de veículos de carga recuaram 14,2%. A Argentina é um dos principais compradores de veículos brasileiros.

 

Balanço positivo para máquinas na Colômbia

Foi bastante positivo o balanço que as 31 fabricantes brasileiras de máquinas e equipamentos trouxeram da Colômbia, ao encerrarem sua participação na Feira Internacional de Bogotá – FIB 2018 e na Colombiaplast 2018, ambas realizadas em Bogotá, de 24 a 28 de setembro. Foram US$ 23 milhões entre negócios fechados e prospecções para os próximos 12 meses, centenas de contatos com importadores e mais uma possibilidade de consolidar o Brasil como importante exportador de máquinas e equipamentos para aquele mercado. A participação brasileira nos dois eventos, que ocorreram no Centro Internacional de Negócios e Exposições – Corferias, em Bogotá – Colômbia, foi organizada pelo Programa Brazil Machinery Solutions, resultado da parceria entre a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

 

Promoção gera US$ 162 mi para calçadistas

As ações do Brazilian Footwear, programa de apoio às exportações de calçados mantido pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) geraram US$ 162 milhões em 2018. Os resultados são referentes a 13 ações, entre feiras e missões comerciais realizadas no exterior (veja a lista abaixo), que geraram, in loco, US$ 40 milhões, com expectativa de outros US$ 122 milhões em negócios alinhavados durante os eventos. A coordenadora de Promoção Comercial da Abicalçados, Letícia Sperb Masselli, ressalta que as ações do programa, existentes desde o ano 2000, são fundamentais para as exportações de calçados, não somente em volume, mas também em qualificação. “Antes do primeiro convênio com a Apex-Brasil, há 18 anos, exportávamos para 99 países, número que chegou a mais de 160 no ano passado. Além da diversificação, passamos a embarcar mais produtos com marca própria, tornando o nosso calçado desejado e conhecido nos principais mercados do planeta”, avalia.

Letícia conta, ainda, que as cerca de 250 empresas associadas ao Brazilian Footwear respondem por mais de 80% das exportações de calçados, fatia que tende a crescer conforme as marcas vão percebendo a importância de adotar a atuação no mercado externo como estratégia perene e não somente ocasional. “Mesmo que o cenário não esteja tão positivo para os negócios, é preciso que a empresa esteja lá, marcando posição com qualidade, para colher os resultados quando as melhores condições estiverem restabelecidas”, comenta.

Para a coordenadora, o câmbio no patamar atual auxilia na formação de preço, embora as moedas locais também estejam desvalorizadas nos principais mercados para o calçado brasileiro no exterior, especialmente na América Latina. “O fator câmbio é importante, mas há muito deixou de ser o fundamental. É preciso estratégia e capacitação para se trabalhar corretamente no comércio internacional e é isso que a Abicalçados, por meio do Brazilian Footwear, oferece às empresas que desejam atuar no desafiador mercado além-fronteiras”, conta, acrescentando que, além de proporcionar, com subsídios, a participação de empresas em feiras e missões internacionais, o programa de apoio às exportações de calçados busca a capacitação das mesmas para a atuação no mercado estrangeiro.

 

Inscrições abertas para missão ao Egito

Estão abertas as inscrições para empresas brasileiras interessadas em participar da missão que o Itamaraty e a Agência de Promoção das Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) promoverão ao Egito em 13 e 14 de novembro. Ainda não há data para o encerramento das inscrições, mas a organização pede que elas sejam feitas o mais antecipadamente possível. Nesta terça-feira (9), cerca de 80 representantes de empresas ouviram detalhes sobre a viagem na sede da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em São Paulo. A entidade apóia a iniciativa. O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes, vai liderar a missão. De acordo com o diretor do Departamento de Promoção Comercial e Investimentos do Itamaraty, Orlando Leite Ribeiro (foto acima), no dia 13 haverá agenda política e no dia 14 empresarial. Autoridades brasileiras e egípcias, entre elas o chanceler brasileiro e o ministro da Indústria e Comércio do Egito, Amr Nassar, deverão falar no evento que abrirá as atividades do segundo dia.

Informações: https://www.ccab.org.br/

Contato com o colunista: pietrobelliantonio0@gmail.com