Exploração e produção de petróleo e gás podem atrair R$ 400 bilhões

Oferta permanente será o futuro dos leilões no país.

Mercado Financeiro / 22:11 - 14 de fev de 2020

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

A Agência do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) realizou na sexta-feira a cerimônia de assinatura dos contratos de concessão dos direitos de exploração e produção de petróleo e gás natural adquiridos na 16ª Rodada e do 1º Ciclo da Oferta Permanente, em 2019. Presente, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, lembrou que um dos blocos arrematados na 16ª rodada chegou a render R$ 4 bilhões em bônus de assinatura. Para o ministro, a oferta permanente será o futuro dos leilões no país.

Além da Petrobras, assinaram com a ANP grandes empresas de petróleo dos Estados Unidos, Europa e Ásia. A lista reúne as norte-americanas Exxon e Chevron, as europeias Total, Shell, BP, Wintershall e Repsol, e as asiáticas QPI e Petrobras. “A médio e longo prazos, os leilões serão na oferta permanente”, disse o ministro, que prevê a atração de R$ 400 bilhões em investimentos com a assinatura de todos os contratos dos leilões realizados no ano passado.

Pela 16ª Rodada, foram assinados contratos de concessão de 12 blocos dos 36 oferecidos nas bacias de Campos e Santos. Dez empresas formaram os consórcios vencedores ou arremataram sozinhas os blocos, gerando uma arrecadação de bônus de assinatura de R$ 8,9 bilhões. Com o início das atividades exploratórias, as empresas devem investir R$ 1,6 bilhão na busca por petróleo e gás natural em quantidades economicamente viáveis.

Pela oferta permanente, 11 empresas assinaram 22 contratos de concessão, de um total de 45 já acertados. Os demais contratos serão assinados até 10 de maio. O leilão arrecadou R$ 22,4 milhões em bônus de assinatura e prevê um investimento mínimo de R$ 320 milhões por parte das empresas.

 

Greve dos petroleiros

 

Os executivos da ANP também tiveram que responder perguntas sobre a greve dos petroleiros iniciada em 1º de fevereiro. A greve já provoca muitos questionamentos sobre a real capacidade da Petrobras de manter a produção. O diretor-geral da ANP, Décio Oddone, disse que a greve não produziu impacto sobre a produção de petróleo e derivados da Petrobras. Mas Oddone manifestou preocupação com a continuidade da operação com equipes de contingência nas unidades da empresa.

Apesar do tom positivo de Oddone, a agência reguladora enviou ofício ao Tribunal Superior do Trabalho para manifestar a preocupação, e sua procuradoria estuda entrar como parte interessada nos processos que envolvem a greve, reportou a agência Brasil.

A Petrobras está trabalhando com equipes de contingência. Por isso, nos manifestamos com a preocupação de que, se essa situação perdurar por muito tempo, pode ter um impacto”, afirmou, evitando especificar o tempo de duração que poderia ser preocupante. “São equipes menores, não são as equipes que estão normalmente na plataforma. São equipes adicionais. Não é uma situação normal.”

Os petroleiros protestam contra descumprimentos do acordo coletivo de trabalho e contra possíveis demissões na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná, que pode ser fechada pela Petrobras. A Federação Única dos Petroleiros calcula que mil trabalhadores serão demitidos.

Uma decisão do TST, confirmada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, determinou que 90% dos trabalhadores continuem trabalhando durante a greve, mas a estatal afirma que esse percentual não está sendo cumprido.

Coronavírus

O diretor-geral da ANP participou na sexta-feira de um evento na sede da agência de assinatura de novos contratos de concessão de blocos para a exploração e produção de petróleo. Em entrevista, ressaltou que não chegou à agência nenhuma queixa de empresários brasileiros sobre possíveis impactos da epidemia de coronavírus na China, que é o principal comprador de petróleo e derivados exportados pelo Brasil.

Não tenho informação de nenhuma empresa relatando dificuldade de negociação com a China, de venda de petróleo para a China.” Ele disse ter observado queda na demanda por querosene de aviação na China e no Sudeste Asiático.

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor