Eunício: "Reforma da Previdência tem 200 penduricalhos e informações contraditórias"

Política / 08 Fevereiro 2018

Nesta quinta-feira, o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), disse que a reforma da Previdência foi "mal vendida pela equipe econômica", quando enviada ao Congresso no ano passado.

- A reforma foi colocada com 200 penduricalhos, e as informações são tantas que ficaram contraditórias.

O senador disse ainda que se a reforma tivesse sido enviada mais enxuta, poderia ter sido aprovada junto com a reforma trabalhista.

- Se a reforma da Previdência não for aprovada, não é uma catástrofe - disse, considerando um cenário para os próximos três anos.

Mesmo assim, disse que é um problema que terá que ser resolvido e que os candidatos à Presidência da República vão ter que enfrentar.

Eunício Oliveira avaliou ainda que a reforma como está sairá mais “micro ou defeituosa”. E acrescentou que se chegar ao Senado ainda este ano, o texto terá que ser debatido e passar pela Comissão de Assuntos Econômicos da Casa antes de ir a plenário.

Já para José Anselmo, diretor da Vichiwork, consultoria especializada em Gestão de Benefícios e Treinamentos Empresariais, "motivo de preocupação para os trabalhadores, a reforma da Previdência abre uma oportunidade para as empresas que querem atrair e reter os melhores talentos".

- Não dá para administrar a conta com os resultados atuais - diz Anselmo.

Segundo ele, para as empresas privadas, o debate previdenciário representa uma oportunidade única para aumentar a atratividade e melhorar o índice de retenção dos colaboradores - dois indicadores preciosos para a gestão de Recursos Humanos.

- O plano de previdência privada pode ser o grande diferencial na hora de alguém escolher a empresa onde vai trabalhar ou se decidir por continuar nela.

De acordo com ele, atualmente o plano de previdência privada ocupa o último lugar na lista de benefícios oferecidos pelas empresas, especialmente as de porte pequeno e médio, sendo superados com folga pelos planos de saúde, seguros de vida e odontológicos, nessa ordem.

- Está restrito a grandes corporações e ainda tem pouca penetração nas médias e pequenas empresas.

Atualmente, os planos oferecidos pelas empresas seguem três modelos: contribuição definida, em que o valor da contribuição é fixo e o valor do benefício é determinado no momento da aposentadoria; benefício definido, onde o valor da aposentadoria é fixo e as contribuições podem variar até chegar ao montante necessário para a aposentadoria; e contribuição variável, que combina as duas modalidades.

O diretor da Vichiwork lembra ainda que o debate sobre aposentadoria está só começando e que as novas gerações de trabalhadores cada vez mais irão buscar formas alternativas para garantir a renda na terceira idade.

Pesquisa recente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi) e instituto de pesquisa Ipsos concluiu que 62% dos jovens entre 23 e 34 anos já ouviram falar a respeito de mudanças nas regras da Previdência, índice superior à média geral (54%) e de grupos próximos de se aposentar, como a faixa de 50 a 59 anos (46%). Ainda assim, metade dos jovens ouvidos disseram não saber ou desconhecer detalhes de como será o caminho para a aposentadoria.

 

Governo usa internet para intensificar apoio - Para disseminar os motivos das mudanças nas regras para aposentadoria, até ministérios que não estão ligados diretamente à reforma da Previdência já se pronunciaram publicamente a favor do tema. É o caso, por exemplo, do ministro do Esporte, Leonardo Picciani (PMDB-RJ). Na página oficial da pasta, no Facebook, Picciani publicou um vídeo contra os privilégios existentes atualmente para uma parcela dos beneficiários do sistema.

"Durante muitos anos o Brasil permitiu que se criassem privilégios na área da previdência. Esses privilégios fizeram com que muitos brasileiros tivessem que pagar a conta de poucos brasileiros. Agora chegou a hora de reformar a previdência". @LeoPicciani15. #TodosPelaReforma pic.twitter.com/ADmYyRTlWB

O pronunciamento de Picciani é uma resposta ao chamado do governo Federal para todos os ministérios entrarem em defesa da reforma da Previdência.

Outras pastas como o Ministério do Trabalho, Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, por exemplo, usaram materiais gráficos nas redes sociais elaborados pelo governo, a favor da reforma.

A mobilização começou na segunda-feira. A ideia é usar as redes sociais para convencer os brasileiros de que a reforma da Previdência é necessária. A hashtag #TodosPelaReforma esteve presente em diversas publicações e foi a mais usada no Twitter durante a manhã de segunda.

A hashtag também foi adotada por entidades empresariais, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e por organizações como o Movimento Brasil Livre (MBL).

Após voltar do recesso parlamentar, o vice-líder do governo, o deputado federal Darcísio Perondi (PMDB-RS), afirmou que essa mobilização pela internet também pretende ganhar o apoio de outras instituições sem caráter político.

- Forças produtivas, forças acadêmicas, forças comunitárias, forças religiosas. Tem que ser uma cruzada nacional pela justiça previdenciária e diminuição da desigualdade. Essa campanha busca isso - comentou.

 

Com informações da Agência Brasil e da Agência do Rádio Mais