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EUA X China: mercados globais reagem à guerra

Como Trump elevou o tom e disse que será ainda pior caso Xi resolva retaliar, mercados estão consolidando hipótese menos otimista.

Opinião do Analista / 15:19 - 13 de Mai de 2019

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As estimativas em relação ao impacto da guerra comercial para a taxa de crescimento dos EUA vão de -0,5% a -0,7%, no cenário de aumento para 25% das tarifas sobre US$ 200 bilhões. O estrago seria maior caso as tarifas subissem para mais US$ 325 bilhões. Como Donald Trump elevou o tom e disse que será ainda pior caso Xi Jinping resolva retaliar, os mercados estão consolidando a hipótese menos otimista para o cenário. A China, segundo a Bloomberg, deve aumentar para 25% as tarifas sobre US$ 60 bilhões a partir de 1º de junho. As Bolsas globais estão caindo e a aversão ao risco continua subindo. O índice VIX sem mantém perto dos 20% e a curva de juros (três meses X 10 anos) está em 1 bps.

O futuro de Ibovespa abriu com quase 1,5 mil pontos de queda, perto dos 93 mil pontos e do dólar futuro superou os R$ 4. As taxas de juros mais longas subiram, reagindo ao aumento da aversão ao risco, mas o DI para janeiro de 2027 ainda se mantém abaixo de 9,0%. Tudo indica que a semana continuará pesada para o mercado acionário brasileiro, já que não podemos esperar novidades na comissão especial da Câmara, que analisa a PEC da Previdência, nessa semana, que compensem os estragos causado pelo forte aumento da aversão ao risco em escala global.

Amanhã, o BC divulga a ata do Copom e ela pode sinalizar de forma mais clara a percepção dos diretores em relação aos próximos passos a serem adotados. Se a inflação pode ficar mais elevada, beirando os 5% no acumulado de 12 meses, as pressões sobre a atividade econômica estão aumentando significativamente. As expectativas para o IPCA (Top 5) subiram para 4,20% e para o PIB caíram de 1,40% para 1,0%. Na quarta-feira será divulgado o IBC-Br e ele vai permitir fechar uma estimativa para o primeiro trimestre, que deve ficar negativo ou muito perto de zero. Nossa estimativa para o IPCA está em 4,15% e para o PIB ainda está em 1,10%.

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Pedro Paulo Silveira

Economista-Chefe da Nova Futura Investimentos

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