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EUA suspendem uso de todos Boeing 737 Max 8 e 9

Anúncio foi feito por Trump em um evento de imprensa, referindo-se às variações do Boeing 737 Max.

Internacional / 14 Março 2019 - 11:52

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Os EUA estão suspendendo uso de todos os aviões Boeing 737 Max 8 e 9, disse o presidente Donald Trump, na quarta-feira, após duas quedas do modelo nos últimos meses.

"Todos esses aviões tiveram seu uso suspenso imediato", disse Trump em um evento de imprensa, referindo-se às variações do Boeing 737 Max.

"A segurança do povo americano, de todas as pessoas, é nossa preocupação primordial", disse Trump.

A Administração de Aviação Federal (FAA, na sigla em inglês) acompanhou as observações de Trump com uma declaração, ordenando a suspensão temporária das aeronaves Boeing 737 Max operadas pelas companhias aéreas dos EUA ou em território norte-americano.

A FAA disse que "novas evidências coletadas no local e analisadas hoje" levaram à mais recente decisão.

"A suspensão permanecerá em vigor enquanto se aguarda uma investigação mais aprofundada, incluindo a análise das informações dos gravadores de dados da aeronave e dos gravadores de voz da cabine", disse o comunicado da FAA.

Um avião da Ethiopian Airlines que ia de Addis Ababa para Nairóbi, no Quênia, caiu no domingo, matando todas as 157 pessoas a bordo. Um acidente da Lion Air, em outubro, na Indonésia, matou todas as 189 pessoas a bordo. Ambas eram aeronaves Boeing 737 Max 8 e as circunstâncias em torno de ambos os acidentes têm semelhanças alarmantes.

Neste momento não está claro quais foram as causas exatas dos acidentes, embora a mídia americana tenha informado que cinco queixas foram feitas contra o Boeing 737 Max por pilotos em um banco de dados federal meses antes do acidente de domingo, com um piloto chamando o manual de voo de "inadequado e quase criminalmente insuficiente".

Além disso, a Boeing disse que estava desenvolvendo um aprimoramento de software de controle de voo para o 737 MAX após o acidente de avião da Lion Air. O acidente da Ethiopian Airlines ocorreu antes da conclusão do aprimoramento.

O anúncio da FAA, feito horas depois de o Canadá anunciar que está retirando aviões Boeing 737 Max do céu, reverteu as declarações anteriores da FAA, defendendo a Boeing.

A Boeing informou em comunicado que "com muita cautela", recomendou à FAA a suspensão das operações de toda a frota global de 371 aeronaves na categoria 737 Max.

A Southwest Airlines, uma das principais operadoras de aeronaves Boeing 737 Max nos EUA, disse que cumprirá as exigências mais recentes da FAA ao remover suas 34 aeronaves Max 8 de serviço.

Antes do anúncio para suspender a aeronave, a Southwest Airlines permitia a troca gratuita de passagens para os passageiros que reservaram voos conduzidos pelo Boeing 737 Max 8.

A notícia também viria como um alívio para os clientes da American Airlines, outra grande operadora da aeronave que se recusou a oferecer troca gratuita de bilhetes para aqueles que voariam em uma das aeronaves.

O senador democrata Richard Blumenthal, que pediu a suspensão da aeronave desde segunda-feira, disse que a FAA deu um passo certo, mas "atrasado", referindo-se ao fato de que os EUA foram o último grande país a suspender a operação do modelo questionado, apesar dos repetidos apelos de legisladores, especialistas e do público dos EUA nos últimos dois dias para que a FAA priorizasse a segurança.

"A medida está certa, mas inaceitavelmente atrasada. Nossa nação deve liderar, e não atrasar, em segurança aérea. Um escrutínio forte e imediato é necessário", twittou Blumenthal, enfatizando que o público americano merece saber "desde quando esse possível defeito é conhecido, o que será feito sobre isso e quem é responsável ".

A pressão estava aumentando para que a FAA e a Boeing interrompessem a operação da aeronave desde seu último acidente no domingo.

O ex-inspetor de segurança da FAA, David Soucie, disse à mídia norte-americana que "suspenderia" definitivamente o Boeing 737 Max se estivesse no comando da FAA.

"Eu nunca, nunca fiz isso. Eu nunca disse: 'Ei, não é seguro pilotar um modelo em particular', mas neste caso, eu teria que fazer. Então sim, eu ficaria de olho naquele avião", advertiu Soucie.

Opiniões de profissionais fizeram com que os legisladores dos EUA em todo o corredor e organizações do setor se unissem em uníssono, pedindo a fundamentação do modelo, pedindo à FAA que se juntasse a outros reguladores de aviação para priorizar a segurança.

O senador republicano dos EUA, Ted Cruz, prometeu nesta terça-feira realizar uma audiência no Congresso para investigar as colisões e pediu que a aeronave seja suspensa antes que tudo esteja esclarecido.

Muitos pedindo ao FAA para suspender a aeronave apontam para um número crescente de reguladores da aviação internacional, incluindo os da China, Indonésia, União Europeia e Austrália, que proibiram temporariamente a operação da aeronave, bem como uma lista crescente de companhias aéreas que também tomaram a mesma medida.

 

Anac - No Brasil, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) determinou a suspensão dos voos com aviões Boeing 737-8 Max, no país. A diretriz deve ser cumprida imediatamente, inclusive pelas empresas que já tinham anunciado a suspensão de suas operações, como a Gol Linhas Aéreas.

Em nota divulgada na noite desta quarta-feira, a Anac informou que, antes de determinar a suspensão das operações, contatou a FAA; a Boeing e a companhia Gol, única a utilizar o 737-8 Max no Brasil.

Em janeiro de 2018, especialistas da Anac avaliaram o modelo da Boeing antes da Gol colocá-lo em operação. Após identificar diferenças operacionais em relação aos modelos anteriores, a agência exigiu que os funcionários da companhia recebessem treinamento para operar as novas aeronaves.

 

Com informações da Agência Xinhua e da Agência Brasil

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