EUA podem facilitar ocultação de dinheiro

Internacional / 23:06 - 8 de abr de 2016

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[caption id="attachment_535708" align="alignright" width="300"]Presidente argentino terá que se explicar à Justiça Presidente argentino terá que se explicar à Justiça[/caption] Na esteira do Panama Papers, o Departamento do Tesouro norte-americano está revisando normas para controle das companhias offshore. Porém, especialistas alertam que pelo menos uma das propostas pode facilitar a possibilidade de esconder dinheiro, em vez de combater o anonimato. Matéria publicada pelo jornal britânico The Guardian nesta sexta-feira mostra que a legislação vem sendo revista desde 2014. Na quarta-feira passada, o Tesouro revelou que em breve divulgará norma obrigando bancos a obterem os nomes dos dirigentes das chamadas “shell companies” (empresas de fachada, que não realizam atividades) que forem abrir contas. Críticos, porém – incluindo o Fundo Monetário Internacional (FMI) – consideram as regras brandas e fáceis de serem contornadas. Atualmente, firmas como a Mossack Fonseca oferecem entre seus serviços a possibilidade de emprestar nomes de funcionários do escritório como acionistas das offshore. Os verdadeiros donos ficam ocultos, atuando muitas vezes apenas como procuradores. A regra em gestação no Tesouro vai obrigar que sejam revelados os nomes de acionistas com mais de 25% das ações. Críticos acreditam que o parâmetro é elevado e facilmente contornável. Cinco acionistas, com 20% cada, ficariam a salvo da norma. As críticas se somam a análises que apontam que o escândalo dos Panama Papers poderá beneficiar os EUA, que atrairiam uma fatia ainda maior da fortuna dos mais ricos. Estima-se que companhi-as de fachada movimentem de US$ 30 trilhões a US$ 40 trilhões por ano. Embora pouco divulgado, os Estados Unidos têm seus próprios paraísos fiscais. Estados como Dakota do Sul e Delaware, além de Nevada e Wyoming – estes dois aparecem na lista do Panama Papers – oferecem facilidades para quem quer operar no anonimato, com mínimos impostos. Na Argentina, o presidente Mauricio Macri terá que comparecer diante da Justiça para explicar sua participação em uma empresa offshore revelada pelos documentos vazados da Mossack Fonseca. O procurador federal Federico Delgado acusou o mandatário e pediu que o juiz Sebastián Casanello abra uma investigação para determinar se Macri omitiu “de forma maldosa” sua participação.

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