Estudo da Fundação Ceperj aponta desaceleração na economia do Rio

Rio de Janeiro / 16:14 - 5 de abr de 2016

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O cenário nacional desfavorável contribuiu para um baixo desempenho na economia do Estado do Rio de Janeiro, durante o mês de janeiro deste ano. O Boletim de Conjuntura Econômica Fluminense, da Fundação Ceperj, registrou retração na produção industrial, comercial e de serviços. A indústria fluminense apresentou queda de 1,5%, em relação a dezembro de 2015, com destaque para a extração de petróleo, com déficit de 8,9%. O principal impacto negativo ficou com o setor de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (15,7%), influenciado pela menor produção de óleos combustíveis, querosene de aviação, óleos lubrificantes e naftas para petroquímica. Já o comércio varejista assinalou uma variação negativa de 3,1% no volume de vendas, assim como o comércio exterior, cuja balança comercial do Estado do Rio de Janeiro obteve um saldo negativo, em janeiro de 2016, de US$ 235 milhões. Quanto à análise do setor de serviços, o boletim aponta retração de 14,1%. Durante o período, o emprego formal perdeu 25 mil postos de trabalho, puxados pelo comércio, com menos 12.116 postos, serviços, com 7.518; e a indústria de transformação, com 3.821. O saldo positivo para janeiro ficou por conta da arrecadação de ICMS, que obteve expansão de 7,3%. O setor que contribuiu fortemente para este resultado foi o comércio, com aumento de 14,5%, em decorrência do aumento na compra de livros e materiais escolares; seguido de serviços, com 6,0%; e indústria, com 3,5%. O Boletim de Conjuntura Econômica Fluminense, desenvolvido pelo Centro de Estatísticas, Estudos e Pesquisas (CEEP), do Ceperj, tem sua periodicidade mensal e utiliza as pesquisas do IBGE, do Ministério do Trabalho e Emprego, do Ministério da Fazenda, da Secretaria de Estado de Fazenda, do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento e da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) para sua elaboração. Falta de planejamento no uso dos royalties pode ser um dos motivos da crise no estado "A crise orçamentária pela qual o governo do Estado do Rio está passando pode ter origem na falta de planejamento dos royalties do petróleo. Essa é uma das conclusões do professor de Direito da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio, Newton de Oliveira. Segundo ele, com a queda do preço do produto no mercado global e no Brasil, os setores mais afetados são os ligados direta e indiretamente à cadeia produtiva da economia do petróleo, ou seja, praticamente toda a economia fluminense. - Trata-se de imprudência e imperícia por falta absoluta de planejamento no uso dos recursos oriundos da exploração de petróleo, repetindo o exemplo clássico de fracasso da cidade de Abeerden, no Reino Unido, que passou por problemas semelhantes. Além disso, houve uma redução nos investimentos da Petrobras, o que aumentou a preocupação dos empregados da empresa, que temem mais demissões na estatal - alerta. Segundo ele, além disso, vem sendo dado um tratamento errado à crise, já que não estão sendo atacados os problemas estruturais. - O tamanho da máquina pública foi construído nos tempos de bonança na ótica do atendimento dos interesses políticos clientelistas, descurando-se de investimentos em criação e manutenção dos setores estratégicos do estado. Se não forem tomadas medidas corretivas profundas e rápidas, todo o legado do período de crescimento será posto a perder - afirma. Por falta de recursos, o estado vem atrasando o pagamento dos salários do funcionalismo. A crise orçamentária também impactou gravemente a área de Saúde e o estado teve que transferir a gestão de dois hospitais para a Prefeitura do Rio.

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