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Empresas brasileiras no e-commerce na China

Empresas brasileiras realizarão negócios diretamente com os consumidores chineses

Negócios Internacionais / 12 Novembro 2018

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, Apex-Brasil assinou uma série de acordos com marketplaces de e-commerce chineses com o objetivo de ajudar as empresas brasileiras a realizarem negócios diretamente com os consumidores chineses. As assinaturas fizeram parte da agenda da Apex-Brasil durante a China International Import Expo, CIIE, realizada entre os dias 5 e 10 de novembro, em Shanghai (China). De acordo com o presidente da Apex-Brasil, Roberto Jaguaribe, é preciso desenvolver ferramentas para ajudar as empresas brasileiras a se comunicarem diretamente com o consumidor final chinês, uma vez que os dois países possuem uma forte relação comercial, mas ainda muito baseada em commodities. “Brasil já vende muito para a China, mas ainda somos pouco conhecidos pelo consumidor final chinês. E para alcançar este consumidor a Apex-Brasil vai explorar diferentes e novas ferramentas, e hoje não há ferramenta mais importante que o comércio eletrônico”, avalia.

Neste contexto, Jaguaribe destacou o recém-lançado programa de e-commerce da Apex-Brasil, o E-Xport, que vai apoiar empresas brasileiras a acessarem mercados online estratégicos, especialmente a China, que hoje já é o maior mercado de comércio eletrônico do mundo, com praticamente 50% das transações. “E para acessar esses mercados não podíamos ter melhores parceiros como esses marketplaces que fechamos essas parcerias. São empresas inovadoras e criativas que vão ajudar as empresas brasileiras a prosperarem na China”.

Para a diretora de Negócios da Apex-Brasil, Márcia Nejaim, as parcerias com plataformas de e-commerce na China são muito importantes como uma ferramenta extra para acessar diretamente os consumidores chineses e assim aumentar e diversificar as exportações brasileiras. “O e-commerce terá nos próximos anos um papel de destaque na economia chinesa. A Apex-Brasil está atenta a essas oportunidades e vem desenvolvendo programas e negociando acordos para apoiar as empresas nacionais no e-commerce transborder”, afirmou.

O acordo com o Alibaba.com, gigante chinês do comércio eletrônico de atuação global na modalidade B2B, tem como objetivo aumentar o alcance da plataforma entre empresas brasileiras e facilitar a interface delas com o Alibaba. A partir do acordo as empresas brasileiras participantes do projeto de e-commerce da Apex-Brasil terão 33% de desconto na montagem do perfil da empresa no site (storefront), auxílio na promoção de cases de sucesso de empresas na plataforma, assistência a empresas interessadas no processo de on-boarding na plataforma, além de sessões de treinamento online. Além disso, quando atingirmos 500 empresas na plataforma será criado o Pavilhão Brasil “online”.

Já a parceria com o Tmall, mais importante plataforma de comércio eletrônico B2C na China, prevê ações como a participação de representantes chineses em treinamentos e sessões de mentoria (online e/ou offline), descontos ou vantagens financeiras para marcas brasileiras com alto potencial na plataforma, assistência individual e customizada para empresas interessadas, além de auxiliar no desenvolvimento de relacionamento com TPs (Tmall Partners, empresas chinesas certificadas pela plataforma para operarem logística, compra de mídia e aquisição de clientes para empresas internacionais que possuem loja no Tmall). Além disso, o Tmall criará um pavilhão brasileiro online a partir do Single’s Day 2018 (data comemorativa similar a Black Friday) onde irá concentrar os produtos das empresas brasileiras já atuantes na plataforma (MinasGreen, Melissa, Havaianas, Tip Toey Joey, Ipanema, Schutz, Novomel e Bibi), com um esforço para promoção de empresas dos setores de Café; Alimentos e Bebidas; Produtos Pet; Moda e Acessórios; e Utensílios domésticos.

A Apex-Brasil também assinou acordo com a plataforma transnacional da Jumore, que abrange mercadorias de todas as categorias, de matérias-primas a produtos industrializados, assim como serviços. O objetivo do acordo é aumentar o alcance da plataforma entre empresas brasileiras. Entre atividades previstas está a participação de representantes da Jumore em treinamento e sessões de mentoring para empresas interessadas e auxilio no processo de on-boarding. O último documento assinado foi com o Epec.com, plataforma de comércio eletrônico que tem atuação global na modalidade B2B, voltada para a indústria de petróleo e gás. Pertencente à Sinopec, estatal chinesa de energia e fornecedora de produtos derivados do petróleo, o Epec surgiu da necessidade de profissionalizar os processos de aquisição de produtos e serviços da empresa e foi evoluindo para uma plataforma independente.

 

Lista de serviços elegíveis a ACC e ACE

Desde 1º/11, as operações de Adiantamento sobre Contrato de Câmbio (ACC) e Adiantamento sobre Cambiais Entregues (ACE) cobrirão todos os serviços que, classificados na Nomenclatura Brasileira de Serviços, Intangíveis e Outras Operações que Produzam Variações no Patrimônio (NBS), se enquadrem como “exportação de serviços para o exterior do país”. É o que determina a Portaria 1818-SEI, de 30 de outubro de 2018, publicada no Diário Oficial da União (DOU).

O texto substitui a Portaria 210 e define que são “exportação de serviços” os “serviços prestados por residente ou domiciliado no Brasil a residente ou domiciliado no exterior, cujo consumo, fruição, uso, exploração ou aproveitamento ocorra no exterior, inclusive quando se verifique, no território nacional, a prestação de serviços ou a entrega de bens a ela vinculados”.

A secretária de Comércio e Serviços substituta, Renata Carvalho, explica que esta era uma demanda antiga de operadores do sistema financeiro brasileiro e entidades representativas do setor de serviços no Brasil. “A alteração que fizemos neste momento possibilita que todos os exportadores de serviços possam se beneficiar do financiamento pelo ACC e ACE. Esta é, então, uma medida de simplificação que equaliza as condições de acesso dos exportadores de bens e de serviços e que possibilita o acesso a um crédito focado em exportações e, portanto, com condições mais benéficas”, diz.

Carvalho destaca ainda que a conceituação de “exportação de serviços” foi elaborada a partir de proposta da SCS e que, com o apoio da Secretaria-Executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex), foi articulada com diversos órgãos do Governo Federal relacionados ao tema e com entidades representativas do setor privado e especialistas em tributação. “A portaria está em linha com as demandas do setor produtivo e do sistema financeiro e bancário. Ela amplia as possibilidades de utilização desses importantes mecanismos creditícios, os ACCs e ACEs, e reforça, desta forma, as exportações brasileiras de serviços”, explica.

O ACC é uma antecipação de recursos em moeda nacional (reais) ao exportador por conta de uma exportação (prestação de serviço) a ser realizada no futuro. Já o ACE ocorre após o embarque da mercadoria para o exterior (ou da prestação do serviço) mediante a transferência ao banco que concede o crédito dos direitos sobre a venda a prazo.

Contato com o colunista: pietrobelliantonio0@gmail.com