Edinho: condução coercitiva de Lula é exagero

Política / 13:45 - 4 de mar de 2016

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O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Edinho Silva, classificou como "exagero" a condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para depoimento na Polícia Federal, em São Paulo. "Não haveria a necessidade da coerção. O ex-presidente sempre se colocou à disposição para prestar esclarecimentos e colaborar com a Justiça, prestando diversos depoimentos", afirmou o ministro, em sua conta no Twitter. Mais cedo, com a deflagração da 24ª fase da Operação Lava Jato, a PF conduziu o ex-presidente, que estava em casa, em São Bernardo do Campo, a uma unidade da polícia no Aeroporto de Congonhas para tomar seu depoimento. A PF informou que a Operação Aletheia, nome dado a essa etapa da Lava Jato, envolveu cerca de 200 policiais federais e 30 auditores da Receita Federal, que cumpriram 44 ordens judiciais, sendo 33 mandados de busca e apreensão e 11 mandados de condução coercitiva, quando a pessoa é levada para a delegacia a fim de prestar depoimento e depois é liberada. As medidas foram cumpridas em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. A operação inclui buscas em Guarujá, Diadema, Santo André, Manduri e Atibaia. "Defendo que as investigações sejam feitas, que nenhuma dúvida reste. No entanto, é importante que todas as ações aconteçam sem abusos", disse Edinho Silva. Ex-executivo da OAS é alvo da Operação Aletheia em Salvador A Polícia Federal cumpriu durante a manhã de hoje, em Salvador, seis mandados relacionados à 24ª fase da Lava Jato, a Operação Aletheia (referência a uma expressão grega que significa busca da verdade). Entre os mandados, cinco foram de busca e apreensão e um de condução coercitiva (quando a pessoa é conduzida para prestar depoimento e depois liberada). Uma das ações foi cumprida no Condomínio Villagio Panamby, em um bairro de luxo da capital baiana, o Horto Florestal, junto com agentes da Receita Federal. O alvo nesse endereço foi o ex-executivo da empreiteira OAS, Paulo Gordilho. Segundo as investigações, Gordilho teria negociado a compra de eletrodomésticos e de móveis para o sítio em Atibaia, São Paulo. Gordilho foi conduzido à sede da PF na capital baiana, mas se manteve no direito de permanecer em silêncio e foi liberado. Os outros mandados de busca e apreensão foram cumpridos, além do condomínio Villagio Panamny, na sede da OAS, na Avenida Paralela. Em entrevista da Polícia Federal hoje em Curitiba, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima não quis entrar em detalhes sobre o andamento da operação na Bahia, segundo ele para não prejudicar as ações da polícia. Mandados judiciais foram cumpridos também na casa do ex-presidente Lula, em São Bernardo do Campo (SP), e na sede do Instituto Lula, em São Paulo. Além disso, o ex-presidente foi conduzido para prestar depoimento à PF. A Executiva do PT na Bahia se reuniu com deputados federais e estaduais da legenda, além de representantes de movimentos sociais. Segundo o partido, os representantes condenaram "a violência praticada contra o ex-presidente Lula, seus familiares e o instituto". Vazamentos podem ter motivado destruição de provas, diz procurador da Lava Jato Os sucessivos vazamentos de informações sob sigilo da Operação Lava Jato já prejudicaram as investigações e podem ter resultado na destruição e ocultamento de provas, disse hoje o procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, ao ser questionado durante entrevista à imprensa na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. O procurador deu entrevista para explicar a 24º fase da Operação Lava Jato, deflagrada hoje. "O vazamento pode ter sido a origem do que nós comprovamos hoje ter sido a destruição de provas e ocultamento de documentos. Nesse momento, vamos apurar todos os vazamentos e identificar os responsáveis", disse o procurador durante entrevista coletiva sobre a nova fase da Lava Jato, chamada Operação Aletheia. "Houve prejuízo à invesitgação da Polícia Federal", afirmou o procurador a jornalistas. A força-tarefa da Lava Jato investiga também os indícios de que a deflagração da Operação Aletheia tenha previamente vazado para jornalistas e blogueiros, o que prejudicou os cumprimentos dos mandados pela PF, por se tratarem de ações de alta sensibilidade social. Um dos alvos da operação desta sexta-feira é o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi levado para prestar depoimento no escritório da PF no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. "Lula cobrava mais que FHC" - O sigilo das investigações foi a razão dada pelo procurador para não detalhar os valores precisos dos pagamentos feitos pelas palestras do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que são investigados na Operação Aletheia. Ao ser questionado, Lima respondeu que palestras são bens imateriais, de difícil valoração, mas que Lula cobrava valores, "aparentemente superiores", do que os cobrados pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo o procurador, Lula recebeu cerca de R$ 20 milhões em doações para o Instituto Lula e cerca de R$ 10 milhões por palestras. Os pagamentos foram feitos por construtoras investigadas pela Lava Jato e a Polícia Federal apura os pagamentos. Delcídio - O procurador da República, Carlos Fernando Lima, que integra a equipe de investigação da Operação Lava Jato, disse hoje, em Curitiba, onde as investigações se concentram, que não há informações sobre um eventual acordo de delação premiada firmado pelo senador Delcídio Amaral (PT-MS), que chegou a ser preso na operação policial. "Não temos nem sequer ideia de que essas informações prestadas à revista, esses vazamentos, existem", disse o procurador, ressaltando que vazamentos de informações prejudicam as investigações. Vazamentos podem ter motivado destruição de provas, diz procurador da Lava Jato Reportagem de ontem da revista "IstoÉ" diz que o parlamentar teria firmado um acordo de delação premiada no âmbito da Operação Lava Jato. Nos depoimentos, de acordo com a revista, Delcídio teria dito que a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinham conhecimento do esquema de corrupção na Petrobras. Em Curitiba, durante coletiva de imprensa sobre a 24ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada hoje. Um dos alvos da operação é o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi levado para o escritório da Polícia Federal no Aeroporto de Congonhas para prestar depoimento. Carlos Lima disse que o importante neste momento é investigar e verificar se os pagamentos feitos por empreiteiras ao ex-presidente Lula eram benefícios por troca de favores. "Certamente o governo do ex-presidente foi o maior beneficiado nesse esquema porque é um esquema de compra de apoio político e partidário. Entretanto, se ele conhecia as vantagens recebidas e se ele recebeu, nós ainda estamos investigando", disse o procurador em entrevista à imprensa na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. Segundo o procurador, Lula recebeu cerca de R$ 20 milhões em doações para o Instituto Lula e cerca de R$ 10 milhões em palestras de empresas, que também financiaram benfeitorias de um sítio em Atibaia (SP), frequentado pelo ex-presidente, e de um tríplex no Guarujá, que, segundo o Ministério Público, pertenceria a Lula. Na entrevista, o procurador disse que há indícios de que o ex-presidente Lula recebeu o pagamento de vantagens, seja em dinheiro, presentes ou benfeitorias em imóveis das maiores empreiteiras do país. Em três horas de depoimento, Lula é questionado sobre imóveis e palestras Lula depôs hoje por cerca de três horas no escritório da Polícia Federal no Aeroporto de Congonhas, zona sul paulistana. Segundo o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), as declarações foram prestadas para dois procuradores na presença de três advogados, entre eles Roberto Teixeira e Cristiano Zanin Martins. De acordo com o deputado, foram abordados diversos assuntos, como as palestras que o ex-presidente concedeu após deixar o Palácio do Planalto e a ligação com um sítio em Atibaia, interior paulista. Também foram alvo de questionamentos, segundo Teixeira, a relação de Lula com o apartamento tríplex no Guarujá, no litoral de São Paulo, e os bens que Lula recebeu nos dois mandatos na presidência do país, que devem ser mantidos por ele como acervo histórico. - Foi tranquilo em relação ao fato de que ele não deve nada, não tem nenhum problema de ordem jurídica - destacou o parlamentar. Lula, no entanto, protestou contra a forma com que foi levado para dar esclarecimentos. O ex-presidente foi trazido de sua casa, em São Bernardo do Campo, na região do Grande ABC, sob um mandado de condução coercitiva. - Ele registrou que já atendeu a inúmeras intimações da Polícia Federal e do Ministério Público, que passam de 10, e, portanto, não precisava dessa violência. Essa operação hoje não tinha sentido jurídico. Bastasse um ofício, que ele compareceria. Ele já compareceu na Polícia Federal, no Ministério Público Federal, inúmeras vezes - acrescentou o deputado em crítica à operação de hoje. Em frente ao local onde Lula prestava depoimento, houve confusão após a chegada de um grupo de militantes do PT e da Central de Movimentos Populares que trocaram agressões e ofensas com os manifestantes que criticavam o ex-presidente. Também houve tumulto no saguão do aeroporto. Além de xingamentos e agressões verbais, houve empurrões e bandeiradas. Ninguém ficou ferido. Depois da confusão, a Polícia Militar passou a tentar evitar o encontro dos grupos contrários. Além da condução coercitiva, foram expedidos mandados de busca em diversos endereços do ex-presidente, como parte da 24ª fase da Operação Lava Jato. Segundo o procurador da República, Carlos Fernando Lima, Lula recebeu pagamentos, seja em dinheiro, presentes ou benfeitorias em imóveis das maiores empreiteiras investigadas na operação policial. De acordo com o procurador, foram cerca de R$ 20 milhões em doações para o Instituto Lula e cerca de R$ 10 milhões em palestras de empresas que também financiaram benfeitorias de um sítio em Atibaia e de um tríplex no Guarujá. Confronto no local - Manifestantes contrários e favoráveis a Lula entraram em confronto no final da manhã de hoje em frente ao escritório da PF no aeroporto de Congonhas, zona sul paulistana, onde Lula prestou depoimento, ao longo da manhã, no âmbito da 24ª fase da Operação Lava Jato. No local, militantes do PT e da Central de Movimentos Populares trocaram agressões e ofensas com manifestantes que protestavam contra o ex-presidente. Houve xingamentos, agressões verbais e empurrões, mas ninguém ficou ferido. Também houve tumulto no saguão do aeroporto e, depois da confusão, a Polícia Militar procurou manter afastados os grupos contrários. Para a costureira Tamires Suellen, a ação contra Lula é uma ofensa à democracia. - Isso o que está acontecendo é uma injustiça. É uma revolta da elite contra o Partido dos Trabalhadores. Ninguém do PSDB é investigado - disse a militante com uma bandeira do PT nos ombros. O piloto Tiago Ribeiro atribui a Lula e ao PT os problemas econômicos pelos quais o país passa no momento. - Eu vim porque todo mundo que me cerca está passando dificuldades. Mostrar que não dá mais. Segundo o procurador da República, Carlos Fernando Lima, que integra a equipe de investigação da Operação Lava Jato, Lula recebeu vantagens - seja em dinheiro, presentes ou benfeitorias em imóveis - das maiores empreiteiras investigadas na operação policial. Foram, de acordo com o procurador, cerca de R$ 20 milhões em doações para o Instituto Lula e cerca de R$ 10 milhões em palestras de empresas que também financiaram benfeitorias de um sítio em Atibaia e de um triplex no Guarujá. Além da condução coercitiva, foram expedidos mandados de busca em endereços do ex-presidente. Para o Instituto Lula, a ação da Polícia Federal deflagrada hoje foi uma ação "violenta", com o objetivo de provocar "constrangimento público" ao ex-presidente. "A violência praticada hoje contra o ex-presidente Lula e sua família, contra o Instituto Lula, a ex-deputada Clara Ant e outros cidadãos ligados ao ex-presidente, é uma agressão ao estado de direito que atinge toda sociedade brasileira. A ação da chamada Força Tarefa da Lava Jato é arbitrária, ilegal, e injustificável, além de constituir grave afronta ao Supremo Tribunal Federal", diz trecho da extensa nota. "É uma violência contra a cidadania e contra o povo brasileiro, que reconhece em Lula o líder que uniu o Brasil e promoveu a maior ascensão social de nossa história", diz a nota do instituto. Com informações da Agência Brasil

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