Economia em viés de baixa

Conjuntura / 14 Abril 2018

Faturamento do setor de serviços volta ao nível de agosto de 2017

Em fevereiro de 2018, o volume de serviços no Brasil assinalou variação positiva de 0,1% frente a janeiro, na série com ajuste sazonal. Na série sem ajuste sazonal, em relação a fevereiro de 2017, o volume de serviços caiu (-2,2%). Com isso, o volume de serviços acumulou queda de 1,8% no ano. O acumulado nos últimos doze meses também ficou negativo (-2,4%) em fevereiro de 2018.
O resultado ruim se soma aos dados negativos do comércio varejista, divulgados também pelo IBGE na quinta-feira. Em fevereiro, o volume de vendas caiu 0,2% frente a janeiro, na série com ajuste sazonal. A média móvel trimestral não teve crescimento algum.
Os dados ruins, que se repetiram na indústria, levaram economistas do mercado financeiro a se renderem e reduzirem as previsões de crescimento para 2018. Como o MONITOR MERCANTIL alerta desde o meio do ano passado, condições excepcionais que levaram a economia a pequeno crescimento em 2017 – a liberação do FGTS e a safra recorde – não se repetirão este ano.
Para o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), “faltavam os dados do setor de serviços para confirmar que o nível de dinamismo da economia deixou muito a desejar neste início de 2018. Hoje (sexta), a divulgação do IBGE não deixou sombra de dúvida: a paralisia que acometeu indústria e comércio em fevereiro também atingiu os serviços, com o agravante de suceder queda não desprezível ocorrida em janeiro.
O faturamento real do setor de serviços em fevereiro encontra-se exatamente no mesmo nível de agosto do ano passado. “Ou seja, desde então o setor estagnou”, analisa o Iedi. A Confederação Nacional do Comércio (CNC) reduziu em 0,2 ponto percentual a expectativa de crescimento do comércio em 2018, para 5%.
O Santander admite a possibilidade de cortar a projeção de alta de 3,2% para o ano se o PIB dos três primeiros meses ficar perto de 0,5%. O banco projeta uma alta de 0,6% no trimestre, mas ana-listas já acreditam em estabilidade.
O Bradesco reduziu a estimativa para o primeiro trimestre de 0,5% para 0,3%. Para o ano, permanece em 2,8%, com viés de baixa.