Economia ainda fraca e novas reformas políticas no radar

Começando por dados do setor de serviços, que ficaram aquém das expectativas, com queda de 1% em junho frente ao mês anterior.

Opinião do Analista / 12:31 - 9 de ago de 2019

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Bom dia.

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Economia ainda fraca e novas reformas políticas no radar - Começando pelos dados do setor de serviços, que ficaram aquém das expectativas, com queda de 1% em junho frente ao mês anterior. Na comparação com o mesmo período de 2018 o resultado foi ainda mais desanimador, com retração de 3,6%. Soma-se a isso o contínuo arrefecimento da inflação, com IPC da Fipe registrando alta de 0,12%, e as apostas em torno de um novo corte dos juros ganham força. Em âmbito político, o mercado segue atento a novas propostas da equipe econômica, com destaque hoje para possíveis mudanças na cobrança do IR.

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Tensão volta a dominar o mercado - O alívio com os dados mais positivos na China durou pouco, com a queda nos preços ao produtor trazendo de volta à tona preocupações quanto a uma desaceleração mais contundente, nesta manhã. É a primeira deflação em julho nos últimos três anos. As manifestações em Hong Kong e a retomada das ofensivas norte-americanas contra a Huawei também pressionaram as Bolsas asiáticas. Os indíces europeus e os futuros de NY também registram perdas, com novos conflitos políticos na Itália e dados de inflação nos EUA.

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BRF (BRFS3) sai do prejuízo e reduz alavancagem - O surto de Peste Suína Africana mudou a dinâmica de importação na China, mercado onde a BRF vendeu quase o dobro neste trimestre, com alta de mais de 30% no preço frente ao 2T18. No Brasil o volume foi menor, mas o reajuste de preços se sobressaiu, bem como o controle sobre custos e despesas. O câmbio também trouxe impacto positivo. Com isso, o Ebitda ajustado, excluindo ganhos não recorrentes com a exclusão do ICMS, mais que triplicou em um ano, com alta de 240%. Cabe destacar que o resultado do 2T18 foi negativamente afetado pelas dificuldades logísticas desencadeadas pela greve dos caminhoneiros no período. Ainda assim, o balanço da companhia foi sólido, com a margem Ebitda de 14,6% superando as estimativas e os 5,0% registrados há um ano. O resultado final foi positivo em R$ 191 milhões e sua alavancagem caiu para 3,74 vezes, contra os 5,6x registrados no 2T18 e 1T19. Ainda que a expectativa já fosse de números mais fortes, os papéis da companhia devem responder de forma positiva à divulgação.

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Energisa (ENGI1) reporta prejuízo, mas operacional foi bom - O crescimento da demanda por energia e os reajustes tarifários, bem como iniciativas adotadas para ganho de eficiência renderam bons frutos. Houve avanço de quase 40% no Ebitda, com a margem saindo de 19% para 22% em um ano. Efeitos não recorrentes, com destaque para marcação a mercado de um bônus de subscrição, pressionaram o desempenho final, levando a reversão do lucro de R$ 103,4 milhões registrado no 2T18 para prejuízo de R$ 8,9 milhões agora. Junto ao balanço a elétrica anunciou a distribuição de dividendos de R$ 0,28 por unit em 23 de agosto, com data ex na próxima quarta-feira 14 de agosto. O yield é da operação é de 0,6%.

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Resultado regular da B3 (B3SA3) - Houve crescimento de 2,9% no Ebitda frente ao mesmo período de 2018, mas a margem da companhia caiu de 77,7% para 70,3% no período, com a elevação das despesas relacionadas programa de incentivo de longo prazo baseado em ações e pela implementação de um novo modelo de negócios no Sistema de Contratos do segmento Infraestrutura para financiamento. Além disso, o maior volume de provisões também trouxe impacto negativo, levando o lucro líquido a recuar 8,5% em doze meses. A B3 revisou seu guidance para as despesas ajustadas em 2019 para um intervalo de R$ 1,060 bilhão a R$ 1,110 bi, o que equivale a um aumento de 2,8% na média, frente projeção anterior.

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MRV (MRVE3) e Cyrela (CYRE3) reportam bom desempenho - Em comparação com o 2T18, ambas as companhias apresentaram melhora significativa. Na Cyrela destaque para a venda de 11% do estoque pronto e para o aumento na velocidade de vendas. Houve a entrega de 12 projetos no trimestre. Assim, a companhia saiu do prejuízo registrado há um ano para lucro líquido de R$ 114 milhões, com ganho de 4,5 p.p. na margem bruta. Já na MRV o bom desempenho foi suportado pela expressivo aumento no número de unidades produzidas, bem como pelo acréscimo nas vendas líquidas. As despesas comerciais caíram, mas não o suficiente para compensar a elevação nas despesas administrativas. De toda forma, o lucro líquido da MRV foi quase 15% superior ao de um ano atrás, com alta de 4% no Ebitda do período.

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Lojas Americanas (LAME4) tem melhor desempenho - A receita líquida subiu 15,6% se comparado ao mesmo período do ano anterior, com o crescimento da margem bruta motivado pelo incremento do marketplace advindo da B2W. O Ebitda e o resultado final também vieram maiores se comparado ao 2T18. Já a B2W(BTOW3) tem números ainda pressionados, mas com contínua melhora no marketplace.

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Marisa (AMAR3) reporta fraco desempenho - A receita líquida cresceu apenas 0,1%, com queda na receita de mercadorias de 1,9% e redução de 6,1% na receita de serviços financeiros. A temperatura afetou o fluxo das lojas e o maior volume de promoções também trouxe impacto negativo. Assim, o Ebitda ajustado veio menor, com queda de 19,7% em comparação ao 2T18, com forte redução de margens. Por fim, o seu resultado final continua negativo. Suas ações devem responder de forma negativa.

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Bons negócios!

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