É normal compra da construtora dos EUA pela MVR?

Analistas do Bradesco e do Itaú não estão otimistas com investimento da MRV.

Acredite se Puder / 17:58 - 5 de set de 2019

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Não funcionou o fake news distribuído à imprensa, segundo o qual a MRV Engenharia pretende investir na área imobiliária norte-americana, através da AHS Residential, que é controlada pela família Menin e tem como presidente do conselho seu fundador Rubens Menin, que também é o presidente do conselho de administração e controlador da MRV. A real notícia é a seguinte: o controlador da construtura brasileira quer embolsar de US$ 220 milhões a US$ 225 milhões com a venda do controle de uma das suas empresas. O mais interessante é que, como a AHS parece estar descapitalizada, pois o Trump ainda não criou o programa My House My Life, a brasileira deve participar de uma subscrição de 20%.

Os técnicos das duas principais casas de análises do Brasil, o Bradesco BBI e o Itaú BBA, não demonstraram o menor interesse por essa operação. Resultado, as ações da MRV abriram na segunda-feira a R$ 20,27 e no pregão da quarta-feira chegaram a R$ 17,71. No dia seguinte houve a tentativa de valorização, e às 16h tais títulos oscilavam ao redor de R$ 17,99.

Os analistas do Bradesco BBI alegam que precisam entender melhor os números da AHS para uma melhor a avaliação. No momento, só dispõem do que foi fornecido pela MRV, que afirma que o portfólio da norte-americana inclui 1.680 unidades com licenças ou autorizações; 871 unidades em construção, 1.071 unidades já em operação e apenas 269 vendidas. Além disso, afirmam que possui uma margem bruta de 35%; líquida operacional de 45%; líquida de vendas de 15%; e um lucro líquido projetado para 2019 e 2020 de, respectivamente, US$ 23 milhões e US $ 36 milhões.

Com isso, os especialistas do banco chegam à conclusão que, com o preço total de US$ 236 milhões para uma participação de 51% na AHS, a MRV pagará um P/L de 20x em 2019 e de13x em 2020, enquanto o seu P/L atualmente está na faixa de 9,5x em 2019 e 9,2x em 2020. Por causa disso, o Bradesco BBI mantém o rating neutro para MRV, com um preço-alvo de R$ 18/ação, o que significa sem espaço para valorização. Além disso, ressalta que a aquisição pode representar uma distração potencial para a MRV, que está enfrentando uma batalha difícil para alcançar o plano de crescimento de 60 mil unidades por ano e está se distanciando da Direcional e da Tenda, que se concentram em unidades mais acessíveis.

 

Morgan Stanley passa a analisar JBS

Nos últimos oito meses, a cotação das ações da JBS subiram mais de 150%. Parece que o Morgan Stanley chegou atrasado para a festa, pois só agora seus analistas ainda acreditam que o potencial de alta de tais títulos ainda é de 20%, por acreditarem no favorecimento com a listagem na bolsa de Nova York. Embora a empresa ainda estude tal medida já se especula que o maior beneficiário será o BNDES que poderá se desfazer da participação de 21% por algo em torno de R$ 17 bilhões. Apesar da entrada tardia no setor, os analistas do Morgan Stanley alteraram de equalweight para overweight a recomendação do frigorífico Minerva e projetam para suas ações um potenciaisl de valorização de 23%.

Ah, também passaram a analisar a Ambev e não foram bem-humorados com a empresa, pois acham que o cenário brasileiro permanece mais difícil e seu múltiplo permanece alto. Por isso, projetam uma redução de 5% nos preços das ações da empresa de cervejas.

 

BRF vai ganhar merreca

A BRF vendeu 49% da Sats BRF por cerca de R$ 51 milhões. O contrato foi assinado com Sats Food Services, que comprará 49% das ações detidas pela BRF na sociedade Sats BRF Food, que desenvolve atividades de processamento e distribuição de alimentos em Singapura e região, disse a companhia em comunicado. Também foi assinado novo contrato de distribuição e licenciamento de marcas pertencentes à BRF. A transação integra o plano de acelerar a desalavancagem financeira e focar nos mercados-chave da empresa: Brasil e mercados Halal e asiático.

 

Bradesco: crédito continuará baixo

Para Octavio de Lazari, presidente do Bradesco, o crédito deve ter crescimento pífio para PJ e baixo para PF. Enquanto não houver demanda, crescimento da economia e mudança no sentimento ante o crescimento do país, empresas não vão tomar crédito.

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