E 2009 começa com mais salvamento

Conversa de Mercado / 13:19 - 16 de jan de 2009

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

O ano de 2009 começa com os grandes bancos norte-americanos mostrando que os prejuízos do quarto trimestre de 2008 ficaram bem acima do esperado. Mas o mercado permanece otimista com as notícias de que estão sendo feitas novas operações de salvamento por parte do governo dos Estados Unidos. O governo norte-americano vai destinar US$ 20 bilhões ao Bank of America. Além disso, foi aprovada, pelo Senado dos EUA, a segunda parte do Programa de Alívio de Ativos Problemáticos. O Citigroup registrou perda de US$ 8,29 bilhões no período, valor maior do que projetado pelos analistas de Wall Street. Com os resultados do último trimestre, o grupo financeiro acumulou prejuízo líquido de US$ 18,72 bilhões em todo o ano de 2008. Outras instituições financeiras também mostraram fortes perdas. O Bank of America divulgou prejuízo de US$ 1,79 bilhão. Já a Merrill Lynch mostrou perda recorde de US$ 15,31 bilhões no trimestre. Os resultados aumentaram a pressão sobre o que deve ser feito daqui para frente para mudar a página. No entanto, a indicação de que o governo norte-americano ainda tem bala na agulha gera certo alívio. Já no Brasil, a preocupação com o cenário externo levou ao aumento das apostas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) deve optar por reduzir a Selic mais do que o esperado na próxima quarta-feira. A briga entre os especialistas centra-se na intensidade dos cortes. Até então, esperava-se uma queda de 0,5 ponto percentual na taxa. Mas aumentaram as apostas de que o corte fique em 0,75 ponto percentual. A visão de quem aguarda o recuo de 0,75 ponto percentual é de que a crise internacional não dá sinais de arrefecimento e a desaceleração da atividade econômica doméstica fica cada vez mais evidente. Tal situação é confirmada pela perda dos bancos divulgada esta semana. Ao mesmo tempo, o risco inflacionário se reduz a cada dia, abrindo espaço para um ciclo de flexibilização da política monetária maior e mais acelerado. Nos últimos dias, o mercado DI passou a refletir a expectativa de cortes da Selic cada vez maiores em 2009. Na última quinta-feira, a precificação apontava para quase 300 pontos básicos neste ano. Os papéis com vencimento em janeiro 2010 fecharam 16 pontos abaixo da cotação do dia anterior, em 11,42%, e mesmo o janeiro 2012 atingiu 11,69%. "Os vencimentos mais curtos, por outro lado, parecem ter caído muito, e é difícil imaginar uma queda adicional daqui para frente. O mercado agora precifica um corte de 0,75 na reunião do Copom", confirma o comentário dos economistas do banco Santander. Ganhos potenciais para ações da ALL O preço-alvo para as ações da ALL é de R$ 17,00 para doze meses, o que gera um potencial de valorização acima de 100%. A informação consta no relatório da Merrill Lynch. Os especialistas da instituição recomendam compra para as ações, mesmo com a expectativa da colheita total de grãos registrar recuo entre 5% e 10% neste ano. Como risco, o relatório destaca a concentração do agronegócio e de regulamentação. Consolidação financeira: sem mais novidades O Bradesco ainda não deu pistas de qual estratégia está adotando. Enquanto isso, o mercado especula. O último boato, de que o próximo passo seria a aquisição do Bic Banco, foi desmentido esta semana. Segundo o comunicado do Bic, "não existem negociações, propostas, ou fatos quaisquer que, no sentido sugerido, configurem possíveis desdobramentos concretos envolvendo a alienação da totalidade ou de parcela do capital do banco, por parte dos seus controladores". Os boatos fizeram com que os papéis do Bic registrassem valorização nos últimos dias. Entre trilhas e desafios Descobrir novas trilhas é o que mais gosta de fazer nas horas vagas. Mas a vida profissional de Nanci Turibio não é diferente. Ela é especialista em desafios e desbravar novos caminhos. Nanci foi a criadora e é sócia da Bull Finance, que presta serviços de consultoria e análise para empresas. A executiva faz ainda consultoria para fundos de pensão. As atividades não param por aí: ela também atua como diretora de Relações com Investidores da Produtores Energéticos de Manso (Proman), tendo sido a responsável pela estruturação da operação de distribuição pública e primeira captação no mercado de capitais da companhia. A operação da Proman, realizada em setembro de 2002, envolveu a emissão de debêntures e, na fase posterior, a venda de ações. Todos o papéis foram absorvidos por fundos de pensão, o que torna a atuação da profissional de RI diferenciada. Ao todo a Proman possui dez debenturistas e seis acionistas. "O nível de transparência é muito elevado. Os acionistas falam diretamente para pedir informações e quando um pede um dado, envio para todos", explica. A Proman é uma sociedade de propósito específico criada para explorar, juntamente com Furnas, a Hidrelétrica do Rio Manso, empreendimento na Chapada dos Guimarães, a 70 quilômetros de Cuiabá. Antes companhia era controlada pela Odebrecht e pela Servix Engenharia. O consórcio (70% Furnas e 30% Proman) detém a concessão por 35 anos, renováveis por mais 35. A Proman vende sua parte da energia produzida para Furnas, que é responsável pela operação e manutenção do processo. Com essa estrutura, a Proman não precisa de quadro de pessoal, pois vende um único produto para um único cliente. No entanto, a empresa precisa ter um nível de transparência tão grande quanto o de outras companhias abertas. Quando não está atendendo os investidores da Proman ou prestando consultoria na área de investimento, Nanci costuma caminhar e fazer trilhas. "Às vezes não preciso ir longe, mas é possível conseguir fazer boas trilhas em lugares próximos ao Rio de Janeiro. Passamos o fim de semana e voltamos", explica. Com tanto fôlego não é difícil ir longe.   Ana Borges

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor