Ditadura de Curitiba?

Política / 22:49 - 16 de mar de 2016

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NOVO MINISTRO NÃO PODE FALAR AO TELEFONE COM PRESIDENTE [caption id="attachment_533185" align="alignright" width="300"]Atitude de Moro foi considerada arbitrariedade e acinte Atitude de Moro foi considerada arbitrariedade e acinte[/caption] A nomeação de Luiz Inácio Lula da Silva para o Ministério de Dilma levou o juiz Sergio Moro a um último ato no cerco da Operação Lava Jato ao ex-presidente: divulgou uma ligação telefônica, grampeada pela Polícia Federal, entre a presidente Dilma Rousseff e Lula. A interceptação foi feita nesta quarta-feira, após a divulgação da mudança ministerial. O grampo provocou imediatas críticas. “Deixa eu entender. A PF 'monitora' telefone da presidente da República em conversa com um ministro nomeado?”, criticou o ex-deputado Milton Temer no Facebook, em nota com o título “Invasão abusiva”. “Essa gravação da conversa de Lula com Dilma pela GloboNews é um acinte. Uma agressão política. Virou bagunça, falta segurança ao telefone da própria presidente, ou já estamos sob uma ditadura policial comandada pela PF, com apoio da Globo?”, questionou. Moro decidiu retirar o sigilo do processo com a justificativa de que, “pelo teor dos diálogos degravados, constata-se que o ex-presidente já sabia ou pelo menos desconfiava de que estaria sendo interceptado pela Polícia Federal, comprometendo a espontaneidade e a credibilidade de diversos dos diálogos”. A ação da PF, comandada pela Lava Jato, pode significar o segundo passo em falso de Moro em menos de um mês. Tal qual a midiática operação de condução coercitiva de Lula para prestar de-poimento, que teve efeito contrário ao pretendido, o grampo no telefonema da presidente da República e sua divulgação para a GloboNews levantaram críticas à atuação do juiz de Curitiba, que poderia estar tentando influenciar a justiça para barrar a nomeação de Lula. Em decreto publicado em edição extra do Diário Oficial da União, a presidente Dilma Rousseff nomeou o ex-presidente como ministro da Casa Civil. Foram publicadas também as demais nomea-ções: Jaques Wagner, que ocupava a Casa Civil, passa a exercer o cargo de ministro de Estado Chefe do Gabinete Pessoal da presidente; Álvaro Henrique Baggio se tornou secretário executivo do Gabinete Pessoal; Eugênio José Guilherme de Aragão assume o Ministério da Justiça; e Wellington César Lima e Silva foi exonerado. Mauro Ribeiro Lopes passa a exercer o cargo de Ministro de Estado Chefe da Secretaria de Aviação Civil. Segundo nota oficial da Presidência da República publicada no começo da noite, a presidente Dilma anunciou a antecipação da posse de Lula e dos demais ministros para esta quinta-feira, às 10 horas.

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