Disputa EUA-China abre espaço para 34 produtos brasileiros

Ferro, aço, plástico, madeira, calçados, têxteis, e alimentos como pera e frutas secas, constam na lista.

Negócios Internacionais / 16:41 - 24 de jun de 2019

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As sanções impostas recentemente pelos Estados Unidos a uma série de produtos oriundos da China abriram espaço para que outros países fornecedores dos mesmos itens possam conquistar uma nova fatia do mercado norte-americano. De olho nesse movimento, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), em parceria com André Soares, do think tank americano Atlantic Council, identificou um potencial de aumento nas vendas do Brasil para os Estados Unidos de até US$ 4,25 bilhões em uma lista de 34 produtos. Em 2018, as exportações brasileiras desses mesmos itens somaram aproximadamente US$ 1 bilhão.

A análise comparou o preço médio dos produtos oferecidos pelos chineses, após a sobretaxa, com os produtos brasileiros, além de outros oferecidos por 68 países que já são parceiros comerciais dos Estados Unidos. Agregou a isso outros fatores, como os produtos em que o Brasil já é especializado em exportar, que o Brasil vende com constância ou em que o volume de exportação não é muito baixo, por exemplo. A partir disso, chegou-se a uma lista de 34 itens com potencial para aumentar o volume de exportações. Ferro, aço, plástico, madeira, calçados, têxteis, e alimentos como pera e frutas secas, constam no rol dos produtos elencados pelo estudo.

Em maio, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, oficializou o aumento adicional de tarifas de 10% para 25% sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses, totalizando US$ 250 bilhões em produtos com sobretaxa de 25%. A análise foi apresentada a empresários pela Apex-Brasil por meio de um webinar no início de junho. “A Apex-Brasil está sempre atenta às oportunidades de mercado para as empresas brasileiras e é importante ressaltar que, ao fazer essa análise, a instituição se ateve à conjuntura comercial, sem qualquer tipo de julgamento de valor sobre as relações entre os dois países”, destaca Gustavo Ribeiro, coordenador de Acesso a Mercados da Apex-Brasil.

Em 2018, o Brasil exportou US$ 28,7 bilhões para os Estados Unidos. Se aproveitadas totalmente as oportunidades abertas – ou seja, os US$ 4,25 bilhões – o incremento nas vendas para os norte-americanos poderá somar cerca de 15%.

A lista dos produtos no site da apexbrasil.com.br

 

Inscrições abertas para a Lac Flavors na Colômbia

A Apex-Brasil promoverá, entre os dias 4 e 5 de setembro, em Cali (Colômbia), a participação brasileira na Lac Flavors 2019, uma das mais importantes rodadas de negócios do setor de alimentos e bebidas na América Latina e Caribe. O foco da ação são pequenas e médias empresas. O evento reúne centenas de exportadores da região e compradores de todo o mundo. O objetivo principal é a expansão e o fortalecimento do intercâmbio comercial na região, contribuindo para a geração de novas oportunidades de negócios por meio de ações como prestação de serviços de matchmaking e a viabilização de rodadas de negócios. Nos últimos dez anos, a Lac Flavors gerou mais de US$ 990 milhões em transações futuras, após mais de 17 mil reuniões de negócios realizados durante os eventos.

Informações: apexbrasil.com.br

 

Fórum Prointer de negócios internacionais

Com objetivo de apoiar os pequenos negócios de alto impacto do setor de bioeconomia em seu processo de desenvolvimento tecnológico e internacionalização, o Sebrae Rio realizará o IV Fórum de Negócios Prointer Bio, na quarta-feira, 26 de junho, das 8h30 às 18h, no Crab – Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (Praça Tiradentes 69, Centro). As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas pelo link bit.ly/2Fb9Jij

Durante o Fórum, os participantes terão oportunidade de receber informações sobre editais, mecanismos de financiamento e oportunidades de desenvolvimento de parceiras e negócios que serão apresentadas pela Finep, Bndes e União Europeia, no âmbito do Horizon 2020. No evento, também haverá rodadas de negócios com as participações das empresas: farmacêutica Biolob, Brasken, Suzano, Futuragene, Swiss Business Hub (Suiça), Business France (França), Innovation Norway (Noruega), Instituto D’or de Pesquisa e Ensino (IDor), Fladers Investment & Trade (Bélgica), Instituto Politécnico Portalegre (Portugal), Enrich in Brazil / Fraunhofer IPK (Alemanha) e Apex Brasil.

 

EUA puxam exportações de calçados

Os Estados Unidos seguem puxando as exportações brasileiras de calçados. No mês de maio, conforme dados elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), os norte-americanos importaram 782 mil pares de calçados brasileiros, pelos quais foram pagos US$ 14,7 milhões. Os resultados são superiores tanto em volume (63,7%) como em receita (80%) na relação com igual período do ano passado. Com isso, no acumulado os cinco meses do ano, os Estados Unidos já somaram 5,6 milhões de pares importados do Brasil, pelos quais foram despendidos US$ 84,76 milhões, incrementos de 31,2% em pares e de 43,4% em receita no comparativo com período correspondente do ano passado.

O presidente-executivo da Abicalçados, Heitor Klein, destaca que a guerra comercial, instalada entre Estados Unidos e China, tem feito com que os norte-americanos – que representam o maior mercado consumidor de calçados do planeta – substituam seus fornecedores, buscando importações em outros países. “Os Estados Unidos importam mais de 2,3 bilhões de pares por ano, mais de 70% deles da China. Então o impacto é muito significativo”, explica Klein, para quem o mercado brasileiro tem plenas capacidades de absorver a demanda norte-americana. Nos últimos cinco meses, continua o executivo, as vendas de calçados chineses para os Estados Unidos caíram mais de 70%.

Nos cinco primeiros meses, as exportações gerais de calçados chegaram a 52 milhões de pares, pelos quais foram pagos US$ 415,24 milhões, incrementos de 11% em volume e de 3,7% em receita no comparativo com igual período do ano passado. Segregando apenas o mês passado, foram embarcados 7,6 milhões de pares por US$ 70 milhões, incrementos de 19% em pares e de 24,7% em receita no comparativo com mesmo ínterim de 2018. Segundo Klein, além do incremento das exportações para os Estados Unidos, existe uma melhora em função da valorização do dólar, que auxilia na formação de preços mais competitivos no mercado exterior.

Se por um lado as exportações estão em elevação para o principal mercado consumidor do calçado brasileiro no exterior, os Estados Unidos, a queda é elevada para o ocupante do segundo posto. Nos cinco meses do ano, os hermanos importaram 3 milhões de pares por US$ 38,66 milhões, quedas de 28,3% em pares e de 40,4% em receita. “Em função de sua crise interna, mas especialmente devido à deterioração de suas reservas cambiais, a Argentina vem diminuindo suas importações do Brasil desde o segundo semestre do ano passado”, avalia Klein.

Contato com o colunista: pietrobelliantonio0@gmail.com

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