Dinheiro do FGTS pode ajudar a reduzir a inadimplência a curto prazo

Segundo o Serasa Experian, são mais de 63 milhões de brasileiros inadimplentes atualmente.

Conjuntura / 17:17 - 13 de set de 2019

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A Caixa Econômica Federal começou a liberar hoje os saques de até R$ 500 do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Nesse primeiro momento, serão contemplados somente correntistas do banco nascidos entre janeiro e abril. Segundo a Caixa, serão liberados R$ 5 bilhões para cerca de 12 milhões de pessoas.

Para a professora de Economia da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio, Michele Nunes, a liberação do saque do FGTS tem como objetivo a aumentar a circulação de moeda, estimular a demanda e o crescimento da economia.

"Já houve liberações em outros anos, mas a novidade é que agora o trabalhador ativo pode sacar o fundo, enquanto anteriormente, apenas podiam os inativos", afirma.

De acordo com ela, no curto, a população que tem direito a esse benefício deve usar o dinheiro para aliviar as dívidas.

"O destino desses valores sacados tende a ser o pagamento de dívidas atrasadas. Devido ao ainda elevado índice de inadimplência e também pelo baixo valor de saque imediato. Os saques aniversários já podem ser analisados como impulsionadores de uma retomada de crescimento econômico, pois, por ser regular, permitem a liquidação de dívidas e uma retomada de demanda e investimentos", analisa.

Segundo dados do Serasa Experian, são mais de 63 milhões de brasileiros inadimplentes atualmente, 36,1%, o equivalente a 23 milhões de pessoas possuem dívidas em atraso de até R$ 500. Para o Governo Federal, boa parte do destino do valor sacado pelo trabalhador irá para quitar estas dívidas. No entanto, para a especialista em desenvolvimento humano Rebeca Toyama, apesar desta parcela, há ainda aqueles que, ao sacar o valor disponível, gastarão com itens não prioritários no momento.

"Com um bom planejamento muita gente poderá sair do endividamento, dependendo do valor do débito, e até mesmo aplicar uma parte em algum momento de lazer ou um mimo para si mesmo, o que também é muito importante", afirma a especialista.

Na hora de quitar as dívidas, caso o débito seja um pouco maior do que o valor sacado, Rebeca recomenda que o trabalhador tente fazer uma negociação.

"Muitas instituições financeiras concedem bons descontos quando o inadimplente deseja sair desta situação e tem um valor para dar de entrada", sinaliza.

Segundo levantamento recente da Confederação Nacional do Comércio (CNC), o percentual de famílias endividadas cresceu pelo sétimo mês seguido em julho, alcançando o patamar de 64%. Boa parte desta inadimplência acontece, segundo Rebeca, porque as pessoas fazem dívidas com dinheiro que ainda não têm em mãos utilizando cartão de crédito e cheque especial, por exemplo.

"As pessoas costumam gastar três vezes mais do que ganharão antes mesmo de ter o dinheiro em mãos", comentou Rebeca.

Com os saques do FGTS, a especialista teme que isso possa vir a ocorrer, uma vez que já no início deste mês o Governo liberou o calendário de saques.

"Diante disso, todos os que possuem um valor para retirar, já sabem quando conseguirão fazê-lo", finaliza.

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