Dificuldades no mercado de commodities faz Cargill se reinventar

Empresas, Mercado Financeiro / 15:01 - 8 de abr de 2016

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O diretor-presidente da Cargill, David MacLennan, está fazendo uma reforma na companhia após dois anos de lucros em queda. Nesta quinta-feira, ela divulgou uma pequena alta no lucro do seu terceiro trimestre fiscal em relação a um ano atrás, para US$ 459 milhões, mas alertou que a fraqueza no setor deve continuar. A receita caiu 11%, para US$ 25,2 bilhões, um reflexo, segundo a empresa, da queda dos preços das commodities e da alta do dólar. De acordo com matéria do Wall Street Journal, a empresa já resistiu a muitos booms e colapsos do mercado agrícola, mas agora enfrenta uma mudança no comportamento dos consumidores ocidentais, que estão abandonando marcas de alimentos tradicionais que dependem de ingredientes “commoditizados” de baixo custo, que são a especialidade de empresas como a Cargill. “Eles querem saber o que está em seu alimento, quem os preparou, que tipo de empresa é, como elas tratam os animais?”, disse MacLennan. “É isso o que os EUA e a Europa, e logo, creio, cada vez mais outras economias, vão querer.” A companhia opera barcas que transportam fertilizantes para os agricultores, compra seus produtos agrícolas e os processa em óleo de fritura, malte para cerveja e adoçantes para refrigerantes. Ela fabrica rações para animais que ela mesmo cria e abate para fornecer nuggets de frango e carne moída a clientes como Wal-Mart Stores Inc. e McDonalds Corp. Uma desaceleração global nos preços do petróleo, metais e bens agrícolas aprofundou os desafios no setor já volátil de comércio de commodities. No ano passado, a Cargill gerou US$ 120 bilhões em receitas, uma queda de 11% em relação ao ano anterior, à medida que a alta do dólar e as turbulências do mercado de commodities pesaram sobre suas vendas. O lucro de US$ 1,58 bilhão obtido em 2015, 41% menor que o pico registrado em 2011, “não atingiu as expectativas”, disseram os executivos aos acionistas no relatório anual da Cargill.   Mudando de posição   MacLennan quer mudar a posição ocupada por ela na cadeia alimentar. O ano fiscal de 2016 será para a empresa o maior para desinvestimentos em uma década e, no mínimo, o segundo maior para aquisições, diz ele. Depois de vender suas processadoras de carne suína no ano passado, a Cargill fez uma aposta de longo prazo na criação de peixes como uma fonte de proteína alternativa que pode exigir menos recursos que porcos e gado, comprando a produtora norueguesa de ração de peixes EWOS por US$ 1,2 bilhão. Nos EUA, a Cargill começou a fabricar produtos de milho e soja livres de transgênicos. Ela está expandindo um negócio de dez anos de ração orgânica para frango, onde as vendas no ano fiscal de 2016 já subiram 50% em relação ao ano anterior. “Eles estão tentando consertar ativos que podem ser consertados para, em seguida, tomar uma decisão sobre se eles ainda cabem dentro do portfólio” da empresa, diz John Rogers, analista da agência de classificação de crédito Moody’s Investors Service Inc. “É uma mudança tanto no modelo de negócios quanto na cultura.” Para acelerar a tomada de decisões, nos últimos oito meses MacLennan dividiu em duas sua equipe sênior de gestão, reorganizou linhas de negócios e eliminou cerca de metade dos comitês corporativos da empresa, reduzindo a burocracia que, segundo alguns executivos, contribuiu com a queda dos lucros. De acordo com a publicação, parte do desafio da Cargill é o seu compromisso em se manter como uma empresa de controle familiar, o que exige que o crescimento seja financiado através da emissão de dívida e com seus próprios lucros. As famílias proprietárias possuem cerca de 90% das ações da empresa, e cerca de 80% dos lucros são reinvestidos. Os membros da família, nenhum dos quais trabalha atualmente na empresa, recebem os dividendos.

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