Diário Matinal: política em destaque

Sem divulgação de indicadores econômicos, investidores se voltam para o noticiário político nesta terça-feira.

Opinião do Analista / 12:22 - 13 de ago de 2019

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Bom dia.

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Política em destaque - Sem a divulgação de indicadores econômicos, os investidores se voltam para o noticiário político nesta terça-feira, com a análise da MP da Liberdade Econômica na Câmara Federal e a participação do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, no Senado, para um debate sobre o plano de privatização e de desinvestimento das estatais federais. A enxurrada de divulgação de resultados corporativos também deve ter alguma influência sobre o Ibovespa, que segue sob tensão com ventos desfavoráveis do mercado externo.

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Hong Kong e Argentina elevam tensão - Não bastasse os temores relacionados à guerra comercial sino-americana e seus potenciais impactos para a economia global, as manifestações em Hong Kong pressionaram o desempenho do mercado asiático nesta manhã, adicionando mais incertezas ao radar. Ademais, a Argentina, terceiro maior parceiro comercial do Brasil, traz nervosismo, após o índice Merval, da Bolsa de Buenos Aires, despencar quase 38% ontem. Na Europa, o contexto também não suscita ânimo, pelo contrário, houve brusca deterioração no índice de expectativa econômica na Alemanha, que atingiu o pior resultado desde o final de 2011. As Bolsas europeias operam no vermelho, mesma direção dos futuros de Nova Iorque.

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Magazine Luiza (MGLU3) reporta bom desempenho - A companhia aumentou seu faturamento líquido em 16,6% neste 2T19, frente ao mesmo período de 2018, em razão do bom desempenho nas lojas físicas e no e-commerce, com elevação de 8,6% e 56,2% respectivamente. Cabe destacar o crescimento de 51,4% na receita total da Luizacred, o maior avanço dos últimos cinco anos, com a base de cartões Luiza atingindo 4,6 milhões neste trimestre, alta de 24,2% frente ao 2T18. O Ebitda subiu 21,6%, mas a margem veio apenas 0,3 p.p. maior. O lucro líquido chegou a R$ 386,6 milhões, 174,7% superior ao registrado um ano atrás. Destaque para o contínuo ganho de participação de mercado, bem como para a base de comparação, já bastante robusta. Suas ações devem responder de forma positiva ao balanço.

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Argentina pesa sobre resultado da Metal Leve (LEVE3) - O desempenho da companhia foi bastante tímido neste 2T19, com o impacto do peso argentino e da forte redução da demanda por lá. Para se ter uma ideia, no acumulado do primeiro semestre a retração das vendas naquele mercado é da ordem de 56%. O volume do Brasil, por outro lado, foi destaque, com melhora tanto em equipamentos originais quanto no mercado de peças de reposição. Apesar da boa gestão de custos e despesas, houve impacto da alta no preço de energia e reoneração da folha de pagamentos. Assim, o Ebitda subiu apenas 2% frente ao 2T18 e a margem foi 0,6 p.p. inferior no período. Suas ações devem responder de forma marginalmente negativa à divulgação e também as preocupações com relação ao desfecho político na Argentina.

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Resultado consistente da Cosan (CSAN3) - No segmento de distribuição de combustíveis, destaque para o crescimento de 8% nas vendas frente ao 2T18, quando o fornecimento foi afetado pela greve dos caminhoneiros, desempenho superior ao aumento das vendas no mercado como um todo (6% segundo dados da ANP). Entretanto, houve uma deterioração no mix, com ganho de participação do etanol e do diesel no volume total. Soma-se a isso a redução dos preços e a margem Ebitda em R$ por m³ caiu 3% no período, contra alta de 5% no Ebitda ajustado. Já na Raízen Energia o resultado foi fraco, com o maior volume de chuvas atrasando o início da safra. A Comgás e a Moove seguiram em franca expansão, propiciando o avanço anual de 14% no Ebitda consolidado.

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Fras-le (FRAS3) enfrenta desafios, mas tem bom desempenho - Houve aumento na venda de equipamentos ligados aos sistemas de frios no 2T19, principalmente no mercado doméstico, onde a receita foi 33% superior a registrada ha um ano. No mercado externo, a Argentina e Europa pressionaram os volumes, sobretudo no mercado de reposição. A consolidação da Fremax, entretanto, trouxe efeito positivo, levando ao crescimento anual de 10% no faturamento. Já a rubrica de custos sofreu com a contínua elevação no preço de matérias-primas no mercado internacional, bem como pela alta nos fretes no período em análise, limitando o ganho de margem no período. O Ebitda subiu quase 40% e a margem foi apenas 2,0 p.p. superior em um ano. Suas ações devem responder de forma positiva à divulgação.

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Hermes Pardini (PARD3) apurou bons números - Com a aquisição de laboratórios e iniciativas adotadas para melhora no atendimento das unidades e expansão dos serviços de análises clínicas em São Paulo e no Rio de Janeiro, o volume realizado de exames cresceu quase 9% frente ao 2T18. O ticket médio saiu de R$ 14,1 para R$ 14,9 na mesma base de comparação, favorecendo o faturamento do período. O custo com a incorporação dos novos negócios, entretanto, limitou, por ora, o ganho de rentabilidade. Assim, o Ebitda subiu 18% e margem foi apenas 0,8 p.p. superior em doze meses.

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YDUQS (YDUQ3) apresenta balanço fraco - O desempenho da companhia ainda é afetado pela redução do Fies, bem como pela redução da base na categoria presencial. Por outro lado, a área de ensino à distância segue em franca expansão, com alta de 21% no número de alunos frente ao 2T18. Tanto que, agora, o EAD (que possui tíquete médio inferior) corresponde por 43% da base total, contra a representatividade de 37% de um ano atrás. Nesse contexto, o Ebitda foi apenas 1,6% superior ao do 2T18. Suas ações devem responder de forma negativa ao longo do pregão hoje.

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Venda de ativos infla resultado da Eletrobras (ELET6) - O lucro líquido da companhia quadruplicou em um ano, chegando a R$ 5,5 bilhões neste 2T19. Entretanto, R$ 5,2 bilhões desse montante são relacionados a venda de ativos de distribuição e SPEs, sendo que o lucro das operações continuadas foi de apenas R$ 301 milhões (-33% frente ao 2T18). Em termos operacionais, destaque para o crescimento da receita de geração de energia, bem como para o efeito positivo da redução no quadro de pessoal sobre as despesas. O Ebitda recorrente foi 8% maior no período em análise. Destaque para redução de sua alavancagem, com a relação dívida líquida/ Ebitda recorrente caindo para duas vezes.

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Bons negócios!

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Coinvalores

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