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Diário Matinal Coinvalores: Bolsas caem na Ásia, mas sobem na Europa

Dados mistos da China pressionaram índices da região; ritmo de crescimento da produção industrial foi o menor em 17 anos neste bimestre.

Opinião do Analista / 14 Março 2019 - 11:31

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Bom dia!

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1,11% - Essa é a variação necessária para o Ibov atingir o número "mágico" dos 100 mil pontos. Podem ajudar nessa tentativa os números do varejo de janeiro, que se recuperaram com uma alta de 0,4% na comparação com o mês anterior, vindo acima do que era esperado pelo mercado. No tocante ao andamento da reforma da Previdência, tudo corre bem, com a instalação da CCJ e a entrega da proposta do Ministério da Defesa para a aposentadoria dos militares à equipe econômica, mas essas duas notícias já estão precificadas. Mas, apesar da proximidade da marca importante dos 100 mil pontos na Bolsa e de claros avanços na agenda de reformas, a atividade está se recuperando em um ritmo ainda bem aquém do esperado, ontem a produção industrial de janeiro foi mais um sinal claro. Isso pode levar o mercado a aumentar as apostas em medidas de estímulos, quiçá um novo corte nos juros.

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Bolsas caem na Ásia, mas sobem na Europa - Os dados mistos da China divulgados ontem à noite pressionaram os índices da região. O ritmo de crescimento da produção industrial foi o menor em 17 anos nesse primeiro bimestre, já as vendas no varejo e os investimentos em ativos fixos ficaram ligeiramente acima das expectativas, afastando, por ora, a hipótese de uma desaceleração acentuada, ainda que o pessimismo persista. Na Europa, entretanto, os investidores seguem voltados ao desenrolar do Brexit, com as Bolsas subindo após o Parlamento britânico negar uma ruptura com a União Europeia sem acordo. Hoje, fica em pauta a possibilidade de uma postergação de pelo menos três meses na data do divórcio, anteriormente fixada em 29/03, mas como diria Garrincha, só falta "combinar com os russos", no caso, ver se a UE aceitaria aumentar esse prazo. De indicadores, a inflação acelerou na Alemanha, com preço de energia ainda em alta, e o destaque na agenda americana é o desempenho do mercado imobiliário em janeiro, que deve perder fôlego frente à leitura anterior.

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Resultado da Braskem (BRKM5) abaixo do esperado - Os números da companhia decepcionaram neste trimestre, com queda nas vendas em praticamente todas as regiões, redução dos preços e alta nos custos de carregamento do estoque, formado com preço mais elevado das matérias-primas. Na Alemanha, ainda houve uma parada não programada na produção, em razão do impacto do baixo nível fluvial sobre a disponibilidade de matérias-primas. No México, também houve problema no fornecimento de etano. Com isso, no consolidado o Ebitda da companhia recuou 35% frente ao 4T17 e o resultado líquido foi um prejuízo de R$ 179 milhões. Do lado positivo, a geração livre de caixa apresentou sólido crescimento em 2018, superando R$ 2 bilhões. A companhia propôs a distribuição de 100% do lucro do último ano em dividendos, o equivalente a R$ 2,670 bilhões e a aproximadamente R$ 3,35 por ação. O yield com base no fechamento de ontem é de mais de 6% e as condições como data ex e de pagamento deve ser definidas em assembleia marcada para 16/04. Essa distribuição deve amenizar parcialmente o efeito negativo dos resultados sobre as ações BRKM5 hoje.

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Sólido resultado da Azul (AZUL3), mesmo com pressão nas margens - A companhia aérea entregou crescimento de dois dígitos na receita na comparação com o 4T17, com destaque para a alta de 44% na receita de cargas. O preço do combustível de aviação, no entanto, pressionou as margens da companhia nesse trimestre, fruto de um preço médio do petróleo mais alto que o do 4T17 e a variação cambial entre os períodos, com desvalorização do real. Esse efeito, todavia, já era esperado, e ainda foi parcialmente compensado por um bom controle de custos. Para 2019, a Azul estima que sua oferta de assentos deve crescer entre 18% e 20%, com destaque para a oferta internacional, seus custos por assento devem cair entre 1% e 3% e a margem operacional deve ficar entre 18% e 20%, projeções positivas que devem ser bem recebidas pelo mercado.

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Números pressionados da Embraer (EMBR3) - A receita líquida da companhia apresentou boa evolução, de 13% em relação ao 4T17, mas isso é basicamente explicado pela variação cambial entre os dois períodos. Ajudou também o mix de aeronaves entregues, com peso maior para aviação comercial nesse trimestre. No entanto, o destaque negativo fica para a forte pressão nas margens da companhia, que seguiram piorando, começando pela margem bruta, com elevação na linha de custos, também influenciada pela variação cambial. O bottom line, como no 3T18, foi negativo. Os números, no entanto, devem ter pouca influência nos papéis da companhia.

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SLC (SLCE3) reporta menor lucro líquido - No trimestre, a companhia apresentou avanço de 13,8% na sua receita líquida frente ao 4T17, explicado pelos maiores volumes de algodão e soja, além de aumento de 16% no preço da soja faturada. O Ebitda ajustado da operação agrícola foi 6,6% maior na mesma base de comparação. Já o resultado final foi afetado pela contabilização de ativos biológicos, que por vezes desloca o reconhecimento do resultado entre os trimestres, e a venda de terras ocorrida no 4T17. Para o próximo período, a companhia se diz mais animada, pois as condições climáticas para o desenvolvimento das culturas tem sido favoráveis, o que, associado ao fato das áreas da segunda safra terem sido plantadas mais cedo no comparativo com a safra anterior, mostrando uma maior produtividade em ambas as culturas. A companhia também comunicou que pretende fazer um desdobramento de suas ações.

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Bons negócios!

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