Diário Matinal Coinvalores - 9.02

Opinião do Analista / 09 Fevereiro 2018

Bom dia.

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IPC-Fipe desacelera na primeira quadrissemana de fevereiro - O índice de preços ao consumidor de São Paulo apresentou desaceleração ficando em 0,25% na primeira quadrissemana de fevereiro, ante 0,46% de janeiro. Das sete classes de despesas que compõem o indicador, três delas apresentaram desempenho negativo, sendo elas habitação, despesas pessoais e vestuários.

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Vendas no varejo recuaram em dezembro - O volume de vendas do comércio varejo recuou 1,5% em dezembro ante o mês anterior. No ano, as vendas do comércio varejista avançaram 3,3%, ante o ano de 2016. Este resultado veio pior que o esperado pelo mercado, que esperava uma redução de 0,40% para o mês e 4,70% de alta para o ano de 2017. Já no comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos, motos, partes e peças e de material de construção, o volume de vendas ficou menor em 0,8% no mês em relação a novembro de 2017. Neste período seis das oito atividades pesquisadas apresentaram variação negativa.

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Nova paralisação nos EUA dura pouco - O Senado norte-americano aprovou uma proposta orçamentária, por 71 votos a favor e 23 contrários, todavia, isso não foi suficiente para evitar a segunda paralisação dos serviços federais não essenciais, mesmo que só por algumas horas, haja vista que o acordo na Câmara demorou mais para sair. O novo acordo vai turbinar os gastos do governo em quase US$ 300 bilhões. Hoje temos o discurso de Esther George, do Fed de Kansas, que não tem direito a voto nesse ano. Em termos de indicadores macro, o destaque fica com o desempenho das vendas no atacado em dezembro, que sairá às 13h.

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Produção britânica cai mais que o esperado - A atividade no setor industrial caiu 1,3% em dezembro de 2017 frente a novembro de 2017, resultado pior do que a mediana das previsões em -0,9%. Cabe destacar que somente o setor manufatureiro do Reino Unido apresentou crescimento (+0,3%). Nesta leitura houve expressivo declínio de 19,1% na produção da indústria petrolífera por conta da interrupção não programada do Forties, o mais importante oleoduto britânico.

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Bolsas pressionadas - As principais Bolsas asiáticas fecharam no vermelho nessa sexta e as europeias seguem na mesma direção na abertura, respondendo à forte queda dos mercados americanos, ontem. A preocupação segue a mesma, que a reforma tributária de Trump e a proposta de orçamento aprovada pelo Congresso americano levem a uma elevação além do esperado dos juros pelo Fomc já nesse ano. Ontem, pela segunda vez nessa semana, e na história, o índice Dow Jones fechou com queda de mais de mil pontos. Um aperto monetário mais forte nos EUA, claro, tem impacto também no comportamento de autoridades monetárias do mundo todo. Não há como o mundo manter taxas extremamente baixas se a maior economia do mundo sinaliza juros mais elevados, ou dinheiro dos demais mercados voaria para segurança dos bonds americanos. Os futuros em Nova Iorque, no entanto, sinalizam uma recuperação do mercado acionário por lá.

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São Martinho (SMTO3) tem bom resultado - A companhia divulgou os números do terceiro trimestre da safra 2017embro de 2018 com bom avanço em todos os indicadores do resultado. O volume de cana processada nesses nove meses foi 15,2% maior que na safra anterior, com aumento na produtividade, medida em toneladas de cana por hectare, e no volume de ATR (açúcar total recuperável) médio, esse medido em kg de açúcar produzido para cada tonelada de cana. Isso levou a evolução na receita e também a ganhos de margem, mesmo com a pressão nos preços do açúcar no mercado internacional. Os papéis têm sofrido nesse ano, apresentando queda no acumulado até agora, mesmo com o forte rally da Bolsa paulista, por conta da forte oferta nessa safra e da previsão para a próxima. Os números trimestrais podem ajudar a dar algum fôlego aos ativos no curto prazo, ainda que o panorama setorial continue mais negativo.

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Resultados sem surpresas da CCP (CCPR3) - A companhia viu a entrada em operação de novos ativos, destaque para o edifício Miss Silvia Morizono, compensar parcialmente a venda dos ativos industriais no ano de 2017, resultando em uma queda de 3,1% na receita líquida na comparação com o mesmo trimestre do ano passado. Vale destacar que as entregas especialmente do edifício citado, elevou a vacância da companhia e tem potencial para entregar mais resultados a medida que o mercado corporativo volte a apresentar melhores perspectivas. O edifício foi entregue com pouco mais de 50% de ocupação, mas houve pouca evolução desde então. A vacância financeira do portfólio, aquela que considera o potencial de receita, está em 9,8%, abaixo da média de mercado. Além disso, uma parcela pequena dos contratos vence no curto /médio prazo, então não devemos ver um repique de vacância. Não esperamos grande impacto do resultado nos papéis da companhia.

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Gol (GOLL4) divulga bons números operacionais - Em janeiro, a oferta total da companhia se elevou 4,9%, enquanto a demanda saltou 5,2%, resultando em nova melhora na taxa de ocupação da cia aérea. Destaque novamente para o crescimento em voos internacionais, que tiveram uma alta de 27,9% na demanda. Em cargas, boa evolução, também, 16,5% mais toneladas foram transportadas nesse mês em relação a janeiro do ano passado. Esperamos reação positiva do mercado aos números da companhia.

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Resultado ainda pressionado do Banco Pine (PINE4) - O banco viu seus números evoluírem em relação ao último trimestre, especialmente, pela menor necessidade de provisão, após forte impacto no 3T17. O Pine optou por segregar a parte mais complicada da carteira e apresentou seus números como "Carteira Monitorada". A carteira de crédito total do banco caiu 4,4%, muito pela decisão do banco em diminuir o ticket médio das operações e a exposição média aos clientes. Isso resultou em um aumento de 15% na base de clientes, mesmo com a queda na carteira. No 4T17, o Pine entregou lucro líquido de R$ 2 milhões, número baixo, mas que inverte a tendência negativa tanto do 4T16 quanto do 3T17. O banco lançou no ano passado sua plataforma de investimentos, o Pine Online, com foco em pessoas físicas. Esperamos que os números do banco sigam evoluindo em 2018, mas o risco atrelado aos papéis da instituição segue elevado.

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Lojas Renner (LREN3) apresenta margens mais apertadas - A companhia apresentou seu desempenho do 4T17 com alguns números em linha com a nossa projeção, mas acabou nos surpreendendo negativamente a margem Ebitda do trimestre. O faturamento líquido consolidado veio 16,1% maior no trimestre e 15,4% no ano, vindo em linha com a nossa projeção, conforme divulgamos no diário de ontem. Este bom crescimento em seu faturamento reflete a melhora econômica, alinhado com a estratégia da companhia no controle do seu estoque, além da contribuição positiva das vendas da Camicado (+24%) e da Youcom (38,9%). Mas o que surpreendeu (negativamente) foi a forte queda na margem Ebitda, basicamente por conta da elevação nas despesas operacionais, além do benefício gerado por créditos fiscais não recorrentes no ano de 2016, o que acabou elevando as margens naquele período (esse efeito já esperado). Por fim, o lucro líquido apresentou elevação de 17,2% no ano, ficando acima do que prevíamos (+10%). Este melhor resultado advém tanto do crescimento de sua receita de vendas de mercadorias como pelo melhor desempenho no segmento de serviços financeiros. Para o ano de 2018, a Renner mantém seu plano de abertura de lojas tanto no Brasil quanto no exterior, com a previsão de abrir 70 lojas. Mesmo com números melhores em comparação com o ano de 2016, suas ações podem sofrer por conta das margens mais contraídas e de um Ebitda do 4T17 menor que o esperado.

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Tegma (TGMA3) conclui a criação de joint venture no Espírito Santo - A companhia informou que fechou os termos definitivos, inclusive o acordo de acionistas, com a Silotec e a GDL para a criação da joint venture que congregará as atividades de armazenagem e movimentação de mercadorias em geral em Cariacica-ES, sendo que as operações da Tegma em São Paulo e no Rio de Janeiro não integram o escopo desta transação. A empresa contará com mais de 60 mil m² de armazéns cobertos e cerca de 220 mil m² de pátios logísticos que, juntos, estima-se um faturamento anual na ordem de R$ 45 milhões. Os ativos TGMA3 poderão reagir positivamente ao anúncio. Vale relembrar que já destacamos o crescimento das operações e a melhora dos resultados da Tegma em nosso trabalho especial que pode ser acessado clicando aqui.

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Locamerica (LCAM3) conclui bookbuilding de nova captação - A locadora de frotas comunicou que foi encerrado o procedimento de coleta de intenções de investimentos (bookbuilding) da sua emissão de debêntures, não conversíveis em ações, em que se pretende captar um montante de R$ 500,0 milhões de recursos à companhia que serão utilizados no pagamento aos acionistas da Unidas. Os juros remuneratórios desses títulos de dívida corresponderão a variação do CDI acrescida de 1,4% ao ano na primeira série e na segunda do CDI mais 1,15% a.a., tendo cinco anos de prazo de vencimento. A captação bem-sucedida deverá manter os ativos LCAM3 no campo positivo em bolsa no curto prazo.

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Vendas impulsionam resultados da Usiminas (USIM5) - Conforme adiantamos no boletim diário de ontem, o volume de vendas foi o principal propulsor dos resultados da companhia no último trimestre. No acumulado de 2017, as vendas de aço subiram 10,2% frente a 2016 e, em minério de ferro, o avanço foi de 14,6% na mesma base de comparação. Soma-se a isso o reajuste de preços e a maior diluição dos custos fixos, e a Usiminas entregou Ebitda ajustado de R$ 450 milhões, levemente acima do esperado, com margem de 14,6%, enquanto que o resultado final do trimestre foi prejudicado pela realização de um impairment, no montante de R$ 74,9 milhões, e pelas maiores despesas financeiras, que culminaram no prejuízo trimestral de R$ 45 milhões. Além dos resultados, os controladores da companhia, Nippon Steel e Ternium, entraram em um acordo para encerrar as disputas judiciais (que se arrastam desde 2014) envolvendo a gestão. Agora, a indicação do presidente do Conselho e do presidente-executivo deve ocorrer de forma alternada por cada um dos grupos. Suas ações devem responder de forma positiva à novidade, bem como a divulgação dos resultados.

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Eletrobras (ELET6) aprova venda das distribuidoras - Os acionistas da companhia aprovaram a venda de suas seis distribuidoras e a assunção das dívidas dessas subsidiárias, no montante de R$ 11,2 bilhões, além de outros R$ 8,5 bilhões em créditos e obrigações das companhias com fundos setoriais. A aprovação aumenta tanto a chance da companhia ter sucesso na venda das distribuidoras (o que é previsto para ocorrer ainda no primeiro semestre desse ano), quanto ajuda no próprio processo de privatização da Eletrobras como um todo. Portanto, seus papéis devem reagir de forma positiva no curto prazo.

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Bons negócios