Diário Matinal Coinvalores - 16.03

Opinião do Analista / 16 Março 2018

Bom dia.

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IPC-S mantém ritmo de aceleração - O índice de preços ao consumidor apresentou alta de 0,12% na segunda quadrissemana de março, ficando praticamente em linha com os 0,13% registrados na última divulgação. Das oito classes de despesas, quatro apresentaram decréscimo em suas taxas, com destaque para o grupo transportes. Por outro lado, o preço de itens de vestuário foi o que apresentou maior aceleração no período.

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Setor de serviços inicia o ano em queda - A atividade no setor caiu 1,9% em janeiro frente ao mês anterior, na série dessazonalizada, sobretudo por conta da piora na categoria transportes e de serviços profissionais, administrativos e complementares. Frente ao mesmo período do anterior, a queda foi de 1,3% e em doze meses o volume de serviços recua 2,7%.

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Agenda bem carregada nos EUA - O mercado ficará atento aos vários indicadores que sairão no dia de hoje, sem contar com a contínua preocupação com as ações de Trump. A produção industrial se destaca, com previsão de crescimento para o mês de fevereiro chegando a 0,3%. E antes, teremos a divulgação das construções de novas residências com expectativa negativa, além dos números de criação de emprego e a prévia da confiança do consumidor, de Michigan, que deve sinalizar uma leve piora.

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Inflação desacelera na Zona do Euro - O índice de preços ao consumidor avançou 1,1% em fevereiro, ficando aquém das estimativas e do resultado anterior (1,3%), com alta no grupo de serviços sendo parcialmente compensada pela deflação em alimentos não processados. O núcleo do CPI, que exclui itens mais voláteis, registrou variação de 1%. Os números seguem bem aquém da meta do Banco Central Europeu, que é 2%.

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Bolsas divergem lá fora - Na Ásia, as Bolsas fecharam majoritariamente em baixa nesta manhã, em reflexo das maiores preocupações com a política comercial norte-americana, após o Governo de Trump anunciar sanções à Rússia. Já na Europa, os índices oscilam entre a estabilidade e leves ganhos, com os dados de inflação afastando os temores quanto a uma postura mais agressiva do BCE na retirada dos estímulos monetários.

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Fibria (FIBR3) e Suzano (SUZB3) chegam a acordo - Os acionistas posicionados em Fibria receberão R$ 52,50 (reajustados pelo CDI de hoje até a data do pagamento) e mais 0,4611 ações da Suzano em troca de cada ação da Fibria. As ações da Suzano fecharam o pregão de ontem cotadas a R$ 23,40, ou seja, os acionistas da Fibria receberiam ao equivalente a R$ 10,78974 em ações da Suzano mais os R$ 52,50, totalizando R$ 63,28974 (pelo fechamento de ontem, vale lembrar). Como os papéis da Fibria fecharam o pregão de ontem em R$ 71,56, o mercado deve abrir fazendo o ajuste no preço. Os papéis de Fibria devem abrir em queda e os de Suzano em alta, até que os valores fiquem parelhos considerando a relação de troca. Oportunidade para operações de long & short com os papéis.

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Resultados sem grandes surpresas da Eztec (EZTC3) - A incorporadora seguiu apresentando resultados pressionados pelo momento complicado do setor, com margens muito pressionadas se levarmos os níveis históricos da Eztec. Mas algumas boas notícias. A Eztec lançou mais nesse trimestre em relação aos últimos e acabou tendo também uma boa recuperação nas vendas, ainda que também em um patamar historicamente muito baixo. Destaque para a nova distribuição de proventos anunciada. Dessa vez, serão R$ 85,2 milhões, o que representa um yield de 2,1% em relação ao fechamento de ontem. Mais detalhes após a assembleia do dia 27 de abril.

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São Carlos (SCAR3) finaliza venda do antigo prédio da SulAmérica - A Avenues, escola que vai ocupar o prédio, exerceu a opção de compra que tinha do edifício e com isso adquiriu os 63% que a São Carlos ainda tinha. O valor da aquisição foi de R$ 137,4 milhões. A companhia tinha vendido os outros 37% por R$ 74,3 milhões. O valor do m² na nova venda foi quase 9% superior ao da venda dos 37%. Consideramos a operação positiva para a São Carlos.

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Desempenho regular da Qualicorp (QUAL3) - Como destacamos na publicação matinal de ontem, a mudança no modelo de comercialização das carteiras da administradora de planos de saúde gerou impacto em seu faturamento que caiu 1,5% em relação ao quarto trimestre de 2016, ficando abaixo das previsões de mercado. Porém, o controle de gastos operacionais permitiu avanço de 9,6% no Ebitda, com consequente ganho de margem, e o lucro líquido aumentou 22,2%, com contribuição do resultado financeiro no período. De todo modo, esperamos reação negativa dos investidores por conta dos números aquém das expectativas.

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Reestruturação da Estácio (ESTC3) pesou no quarto trimestre de 2017 - A instituição atravessa o processo de reestruturação organizacional e de suas operações e, com isso, apresentou um fraco resultado, assim como salientamos ontem. Apesar de a receita líquida ter se elevado 5,2% sobre o quarto trimestre de 2016, o Ebitda tombou 79,1% e houve a reversão do lucro líquido em prejuízo de R$ 12,8 milhões. No comparativo ajustado, onde a empresa retira os efeitos que considera não recorrente, houve o aumento no Ebitda e no lucro na mesma base comparativa, mas entendemos que os papéis ESTC3 podem ficar pressionados por conta dos gastos além do esperado com a reestruturação da companhia. Adicionalmente ao balanço, a empresa apresentou a proposta para a AGO com a distribuição de R$ 100,8 milhões em dividendos, representado R$ 0,32 por ação e um yield próximo a 1%. Os acionistas posicionados ao fim de 18 de abril terão direito aos proventos, com as ações ficando ex-dividendos em 19 de abril e o pagamento será feito em 14 de junho de 2018.

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Resultado dentro do esperado da Kroton (KROT3) que distribuirá dividendos - A instituição de ensino teve um resultado resiliente diante da sazonalidade característica do quarto trimestre para o setor. No comparativo anual com os dados ajustados pela venda da Uniasselvi, a receita líquida cresceu 7%, o Ebitda aumentou 8% e lucro líquido subiu 13%. Adicionalmente ao balanço, a companhia distribuirá dividendos aos acionistas posicionados ao fim do pregão do próximo dia 22. Serão distribuídos R$ 148,5 milhões em proventos, equivalentes à R$ 0,09 por ação, aproximadamente, sendo que o pagamento será feito em 03/abr, mas o dividend yield é pequeno, de 0,6% considerando a cotação de fechamento de ontem. Em virtude do resultado em linha com as expectativas, os ativos KROT3 tendem a ir levemente para o campo positivo hoje.

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Performance satisfatória da Log-In (LOGN3) - Em meio ao processo de reestruturação organizacional, a companhia tem se desfeito de ativos para melhorar sua estrutura de capital. Portanto, iremos analisar seus números recorrentes, ao invés de fazer a avaliação pelos dados consolidados neste período. Em relação ao quarto trimestre de 2016, a receita líquida voltou a crescer (+46,6%) diante da recuperação de volume em alguns nichos de atuação da empresa. Com a forte redução de gastos operacionais, o Ebitda negativo no derradeiro trimestre do ano passado foi revertido para R$ 34,4 milhões positivos e, no mesmo sentido, a companhia reverteu o prejuízo líquido em lucro de R$ 19,8 milhões neste quarto trimestre de 2017. Acreditamos que os resultados mais nítidos da reestruturação da companhia poderão favorecer os ativos LOGN3 em Bolsa.

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Lojas Renner (LREN3) distribuirá JCP - A companhia aprovou o pagamento de JCP já líquido de R$ 0,0619 por ação, com um yield de 0,17%. As ações ficaram ex-JCP no dia 21 de março e o pagamento será efetuado até 10 dias após a AGO de 2019.

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Hermes Pardini (PARD3) anuncia pequena aquisição - O instituto de medicina diagnóstica comunicou que assinou contrato para comprar 51% da empresa Labfar, porém não informou os valores dessa transação no momento, o que deverá mitigar parcialmente seu efeito positivo para os papéis PARD3. A Labfar realiza exames toxicológicos com alto grau de especialização, utilizados pelo Denatran e exigidos para os profissionais do segmento de transportes. A compra não representa um acréscimo tão relevante na capacidade operacional do Grupo Hermes Pardini, mas mostra o apetite da companhia por fazer aquisições desde seu IPO, feito no meio do ano passado.

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Bons negócios!