Diário Matinal Coinvalores - 15.05

Opinião do Analista / 15 maio 2017

Bom dia.

Boletim Focus, traz nova queda na projeção para inflação - O IPCA projetado para 2017 passou de 4,01% para 3,93% e para 2018 também apresentou redução, saindo de 4,39% para 4,36%. A Selic estimada para o final de 2017 e 2018 segue inalterada. Já a expectativa do PIB para 2017 deu uma melhorada, passando de 0,47% para 0,50% e para 2018 segue em 2,50%. O Câmbio estimado para o fim de 2017 saiu de R$ 3,23 para R$ 3,25 e o para 2018 passou de R$ 3,40 para R$ 3,36.

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IBC-BR mesmo recuando, no mês, veio melhor que o esperado - A atividade econômica recuou 0,44% em março com relação ao mês imediatamente anterior. Entretanto veio melhor que as previsões de mercado que esperavam uma queda de 0,7%. O índice ficou em 135,23 pontos em março, ante 135,83 pontos registrados no mês anterior. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, ainda na série dessazonalizada, o indicador obteve ganhos de 0,68%. Sem o ajuste, o índice ficou positivo em 1,05%. Nos últimos 12 meses, por sua vez, a economia apresentou perdas 2,78%, no período dessazonalizado e 2,63% sem o ajuste. Para 2017, tanto o mercado quanto o Banco Central trabalham com crescimento do PIB de 0,5%.

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Agenda fraca mais importante nos EUA - Às 9h30 sai o índice de atividade industrial de NY, o índice Empire State, de maio e a expectativa de mercado é de melhora, saindo de 5,2 em abril para 7,0 em maio. E ainda teremos o índice de confiança das construtoras (NAHB) de maio, e o fluxo de investimentos líquidos em títulos do governo. Por outro lado, as atenções ficam redobradas com o cenário geopolítico depois de um novo teste balístico da Coreia do Norte.

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Na Zona do Euro, saíram o CPI da Itália e PIB da Grécia - O CPI da Itália ficou um pouco acima da expectativa do mercado, com alta de 0,4% no mês de abril, sobre o mês anterior, e alta de 1,9% contra abril de 2016, vindo de 1,4% em março e contra 1,8% projetado. Também foi divulgado hoje o PIB da Grécia, que apresentou redução de 0,1%, segunda queda consecutiva, o que coloca o país de volta à recessão. Em bases anuais, a variação foi de -0,5%.

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Bolsas na Ásia em alta e na Europa de lado - Os mercados acionários chineses seguiram avançando nesta segunda-feira com os recentes alívios sobre a regulamentação financeira dada nas declarações oficiais em Pequim, mas o otimismo foi parcial, pois os dados industriais divulgados no domingo denotaram a desaceleração da atividade por lá. Já o mercado bursátil europeu oscila muito pouco, mesmo após o presidente da França, Emmanuel Macron, em seu discurso de posse reforçar que adotará uma postura pró-Zona do Euro na condução do país. Na sessão de hoje, vale destacar também as altas acima dos 2% nas cotações do petróleo em reação a fala de ministros sauditas e russos que se mostraram favoráveis em estender o corte de produção da commodity, o que tende também a beneficiar já na abertura da Bolsa por aqui.

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Sabesp (SBSP3) reporta bom desempenho - O forte crescimento no volume faturado de água e esgoto, aliado ao reajuste tarifário aplicado no último ano e a extinção do programa de bônus para incentivar a redução no consumo, impulsionou o faturamento do trimestre. Já a rubrica de custos foi favorecida pelos menores dispêndios com energia elétrica e menor volume de provisões, o que propiciou o expressivo crescimento anual do Ebitda e margem Ebitda. Já o lucro líquido teve alta mais modesta, de 7,3% frente ao 1T16, mas ainda assim ficou acima das estimativas. Suas ações devem reagir de forma positiva a tal divulgação.

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Resultado da Eletrobras (ELET6) supera estimativas - A elétrica apresentou números acima do esperado nesse início de ano, mesmo diante da redução de 3,3% na energia vendida por suas geradoras e de 8,9% pelas distribuidoras, ambos em comparação com o 1T16. O reajuste em contratos bilaterais, a alta dos preços no mercado de curto prazo e a atualização da Receita Anual Permitida das transmissoras favoreceram a receita do trimestre. Nos custos, a retração é explicada principalmente pelo menor volume de provisões, menor dispêndio com combustíveis para produção térmica e pelas iniciativas adotadas para controle de custos e despesas. Nesse contexto, o Ebitda ajustado avançou 69,6% frente ao mesmo período do ano passado, enquanto que a margem ajustada atingiu 16,8%, crescimento de 6,4 p.p. em 12 meses. Esse desempenho deve influenciar de forma positiva seus papéis no pregão de hoje.

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Braskem (BRKM5) também deve reagir bem aos resultados - Apesar de não apresentar os números auditados, seus papéis devem reagir de forma positiva a tal divulgação. A expressiva melhora no spread de petroquímicos básicos e o ramp up da produção no México foram os principais propulsores do resultado. A demanda doméstica por poliolefinas e o maior volume de exportações também trouxeram impacto positivo, esses que foram parcialmente compensados pela valorização do câmbio no período e pela margem mais apertada no mercado norte-americano. Já a menor despesa financeira do trimestre também contribuiu para o expressivo aumento do lucro nesse trimestre.

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Expectativa de supersafra ainda não beneficia resultados da Kepler Weber (KEPL3) - Apesar das boas expectativas para a safra de grãos esse ano e dos recentes cortes na taxa de juros, a demanda por armazenagem segue bastante reprimida. Além disso, o desempenho das exportações foi afetado pela valorização do real, enquanto que o segmento de movimentação de granéis sólidos apresentou importante crescimento, contribuindo para que a receita do trimestre ficasse praticamente estável em 12 meses. Todavia, mesmo diante do maior controle de custos e despesas, o Ebitda da companhia continuou negativo, enquanto o prejuízo se manteve praticamente estável em relação ao 1T16, em R$ 5,8 milhões. Esse desempenho operacional bem pressionado já era bastante esperado, fato que aliado a perspectiva mais positiva no médio prazo tende a minimizar os efeitos dessa divulgação sobre suas ações.

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Foi bom o primeiro resultado trimestral da B3 (BVMF3) - O balanço inaugural da companhia resultante da fusão entre BM&F Bovespa e Cetip denotou toda a resiliência operacional das empresas, bem como a complementaridade dos negócios de onde aguarda-se muitas sinergias. Na comparação anual com os números ajustados pelos itens não recorrentes, a receita líquida cresceu 7,6% e o lucro líquido 9,6%, ambos em linha com as estimativas de mercado. Além do desempenho financeiro, a B3 apresentou o novo guidance para 2017 que prevê: (I) despesas ajustadas entre R$ 1.050 milhões e R$ 1.100 milhões; e (II) investimentos na ordem de R$ 250 milhões a R$ 280 milhões. As estimativas de despesas com a combinação de negócios com a Cetip, desde 2016 até 2018, estão orçadas em R$ 505 milhões e R$ 515 milhões, o que pode tirar um pouco o ânimo dos investidores. Adicionalmente, haverá a distribuição de R$ 140,3 milhões, aproximadamente R$ 0,07 por ação (valor bruto), via juros sobre o capital próprio aos acionistas posicionados ao fim do pregão de 22 de maio de 2017, sendo que o pagamento será feito em 7 de junho de 2017 e o yield 0,3%.

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Linx (LINX3) solta hoje o balanço - A empresa de software deverá apresentar mais um bom resultado, sobretudo diante das dificuldades impostas pelo cenário macroeconômico interno. Em relação ao 1º Trim/16, as estimativas de mercado apontam para um avanço de 13% no faturamento líquido, de 10% no Ebitda e de que o lucro líquido irá dobrar entre os períodos. Acreditamos que os papéis LINX3 já podem ficar no campo positivo no pregão de hoje.

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Ser Educacional (SEER3) fará oferta restrita de ações - A instituição de ensino superior anunciou que seu conselho de administração aprovou a colocação de uma oferta pública primária de até 17,4 milhões de ações, o que, considerando sua última cotação, totalizaria um montante de R$ 444,8 milhões de capitalização. Esses recursos serão utilizados para financiar o plano de expansão via aquisições, crescimento orgânico tanto em novas unidades presenciais quanto no ensino à distância. Os acionistas posicionados ao fim do pregão de amanhã (16 de maio de 2017) terão direito de subscrição no âmbito da oferta, a fixação do preço por ação será feita pelo procedimento de bookbuilding e divulgada em 24 de maio de 2017, assim como está previsto no cronograma da oferta o início das negociações após a capitalização para 26 de maio de 2017. No curto prazo, os papéis da Ser Educacional poderão ficar pressionados em virtude da oferta, mas as perspectivas para a companhia continuam bastante positivas, em nossa visão.

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JBS (JBSS3) novamente em evidência - Além do resultado que será divulgado hoje, onde não esperamos bons números, a companhia deve ter mais um fator de pressão. Depois da deflagração da operação Carne Fraca, agora é a vez da operação Bullish, que investiga supostas irregularidades da J&F, controladora da JBS, no repasse do Bndes à companhia, que segundo a PF, teria trazido prejuízo de R$ 1,2 bilhão aos cofres públicos. Estaremos atentos com qualquer outra divulgação, seja ela de seus resultados ou das operações que estão envolvendo (direta ou indiretamente) a companhia. Desta forma, acreditamos que suas ações irão performar negativamente no pregão de hoje.

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Mais um resultado ruim da Lopes (LPSB3) - A companhia de intermediação imobiliária viu seus números mais uma vez se comprimirem, com forte queda no volume de vendas das incorporadoras afetando a companhia que tem se voltado mais para o mercado primário, exatamente esse da venda da construtora para o primeiro proprietário. A queda nesse segmento foi de 28% na comparação com o mesmo período do ano passado. Isso resultou em uma queda de 33% na receita líquida e em um Ebitda negativo em R$ 5,6 milhões. Com o mercado ainda bem complicado no decorrer desse ano, não esperamos melhora significativa para os resultados da companhia no curto prazo.

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Azul (AZUL4) reporta números operacionais saudáveis - O primeiro resultado da companhia pós-IPO trouxe resultado operacional com margens maiores que o seu par listado. A margem operacional da Azul no 1T17 foi de 11,0%, vindo de 0,4% no 1T16, e contra 9,6% da Gol nesse trimestre. Isso decorre de um bom controle de custos. A receita líquida da companhia cresceu 12,3% na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior enquanto os custos e despesas operacionais subiram 0,4%, mesmo com a alta de 15,7% nos custos com combustível de aviação.

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Banrisul (BRSR6) divulga números sem grandes novidades - O resultado do 1T17 do Banrisul veio um pouco mais pressionado por elevação nas despesas em relação ao mesmo trimestre do ano passado, por conta do reajuste dos salários e da amortização da compra dos serviços da folha de pagamento dos servidores estaduais, fatores já conhecidos desde o segundo semestre do ano passado. Além disso, nesse trimestre, somaram-se a isso os custos relacionados ao plano de aposentadoria voluntária instituído nesse trimestre. Por outro lado, houve uma redução considerável nas despesas com PDD, o que fez o lucro líquido recorrente do banco vir em linha com o reportado há 12 meses. Dessa forma, não consideramos que os resultados devam ser um catalisador importante para os papéis do banco.

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Resultado operacional da Taurus (FJTA4) volta ao campo positivo, mas prejuízo persiste - As mudanças implementadas no processo de planejamento e abastecimento nas fábricas, visando ao ganho de eficiência operacional, afetou a produção da companhia nos dois primeiros meses desse ano, ainda assim a companhia conseguiu aumentar o volume de vendas frente ao mesmo período do ano passado. A exportação de armas para os EUA foi o destaque positivo, ainda que a variação cambial tenha minado parte da rentabilidade desse negócio, propiciando a reversão do Ebitda negativo dos últimos trimestres em uma geração positiva de R$ 6,1 milhões, com margem ainda bastante reprimida de 2,9%. Todavia, a maior despesa financeira levou a contabilização de mais um prejuízo. Tendo em vista que seus papéis já reagiram de forma positiva na última semana, na expectativa de melhores resultados, essa divulgação não deve ter grande influência sobre seus papéis hoje.

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Bons negócios.