Diário matinal

Opinião do Analista / 17 Maio 2017

Surpresa positiva com a criação de vagas formais em abril reforçou nossa expectativa de retomada gradual do mercado de trabalho

O saldo de emprego formal foi positivo em abril, após a redução de vagas observada no mês anterior. Os dados do Cadastro de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados ontem pelo MTE apontaram a criação líquida de 59,9 mil postos de trabalho formais. O resultado ficou em linha com a nossa projeção e acima da mediana das expectativas do mercado (de criação de cerca de 45 mil vagas). O saldo positivo foi puxado principalmente pela expansão dos segmentos da indústria de transformação e de serviços, com criação de 13,7 mil e 24,7 mil vagas, respectivamente. Descontada a sazonalidade, o resultado passou de uma queda de 68 mil vagas em março para outra de 27 mil vagas em abril, voltando ao patamar observado em fevereiro. Com isso, mantemos nossa visão de que o mercado de trabalho se recuperará lentamente ao longo do ano, de forma defasada à retomada da atividade econômica.

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INFLAÇÃO

FipeZap: preços de locação de imóveis residenciais registraram leve alta em abril

Os valores dos aluguéis de imóveis residenciais no país apresentaram leve alta de 0,09% na passagem de março para abril, conforme pesquisa da Fipe, em parceria com a empresa de busca eletrônica Zap, realizada em 15 municípios brasileiros e divulgada ontem. Destacamos as altas nominal dos preços em Curitiba e São Bernardo do Campo com variações positivas de 1,22% e 0,89%, respectivamente. No sentido oposto, Campinas e Rio de Janeiro apresentaram reduções nominais dos preços de locação, com baixas de 0,50% e de 0,33%, nessa ordem. Em São Paulo, verificou-se elevação de 0,46% dos aluguéis em comparação com março, na série livre de efeitos sazonais. Nos últimos 12 meses, a variação dos preços em nível nacional ficou negativa em 2,2%, em termos nominais. Para os próximos meses, acreditamos que os preços de imóveis residenciais manterão tendência de queda em termos reais, como reflexo dos ajustes dos estoques.

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INTERNACIONAL

EUA: bom desempenho da produção industrial em abril corroborou nossa

expectativa de elevação de juros

A produção industrial dos EUA subiu 1,0% entre março e abril, segundo a série com ajuste

sazonal divulgada ontem pelo Federal Reserve. O resultado surpreendeu os analistas de mercado, que esperavam alta de 0,4%. A produção do setor manufatureiro também registrou elevação de 1,0% na mesma base de comparação, revertendo a queda de 0,4% registrada em março. Além disso, mineração e serviços industriais de utilidade pública contribuíram positivamente para a produção industrial, com altas de 1,2% e de 0,7%, respectivamente. A utilização da capacidade instalada também teve um desempenho positivo, ao subir de 76,1% para 76,7%. Os dados do setor industrial indicam que, apesar da frustração com o PIB do primeiro trimestre, o crescimento da economia norte-americana permanece em ritmo moderado. Com isso, esperamos duas altas adicionais nas taxas de juros, nas reuniões de junho e de setembro.

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Área do Euro: inflação ao consumidor acelerou em abril, em linha com a leitura preliminar

A inflação ao consumidor da Área do Euro acelerou em abril, segundo sua leitura final, em linha com o resultado apontado pela prévia. O índice de preços ao consumidor subiu 1,9% em abril, de acordo com os dados divulgados hoje pela Eurostat, acima da elevação de 1,5% verificada no mês anterior. Na mesma direção, o núcleo que exclui energia e alimentação também acelerou no período, ao passar de uma alta de 0,7% para outra de 1,2%, com os preços de serviços acelerando de 1,0% para 1,8%. Os preços de alimentação, por outro lado, apresentaram descompressão entre março e abril, ao oscilarem de uma elevação de 1,8% para outra de 1,5%. A aceleração da inflação deve aumentar a pressão para que o Banco Central Europeu reduza os estímulos monetários. No entanto, a autoridade monetária afirmou após a última reunião de política monetária que deve aguardar mais dados para se assegurar de que a convergência da inflação em direção à meta é consistente, dada a volatilidade do indicador.

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TENDÊNCIAS DE MERCADO

Os mercados globais operam seguindo um movimento de aversão ao risco, refletindo o aumento das preocupações com a estabilidade política nos EUA. Nesse contexto, as principais bolsas têm tendência de queda. As Bolsas asiáticas encerraram o pregão em baixa, com destaque para a queda de 0,5% em Tóquio. As europeias operam no campo negativo e os índices futuros norte-americanos indicam que as americanas

também devem registrar perdas ao longo do dia. Com o aumento da aversão ao risco,

o dólar perde valor ante as principais moedas dos países desenvolvidos, enquanto as moedas dos países emergentes se desvalorizam. Os preços do petróleo operam em alta à espera dos dados oficiais dos estoques de petróleo nos EUA, que devem ter mostrado aumento, conforme sinalizado pelos dados do American Petroleum Institute. As commodities agrícolas e os metais industriais são negociados em alta, impulsionados pela desvalorização do dólar. No Brasil, o mercado deve seguir a tendência externa, com desvalorização do real e queda da Bolsa. Na agenda doméstica estão previstas a divulgação dos dados da confiança do empresário industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI) referentes a maio, enquanto a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) divulga os dados de emprego industrial.

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Fernando Honorato Barbosa - economista chefe - Bradesco