Diário matinal

Opinião do Analista / 16 maio 2017

Deflação do IGP-10 em maio sugere que descompressão dos preços ao consumidor seguirá presente nos meses à frente

Os resultados mais recentes da inflação têm consistentemente reforçado nossa visão de que o IPCA encerrará este ano com alta de 3,7%, o que torna o cenário prospectivo para a inflação bastante benigno e alinhado com nossa expectativa de que o próximo corte da Selic será de 1,25 p.p.. O IGP-10 mostrou queda de 1,10% em maio, de acordo com os dados divulgados nesta manhã pela FGV, praticamente em linha com nossa projeção (-1,12%) e a mediana das expectativas dos analistas do mercado (-1,00%). A desaceleração em relação a abril se deu de forma generalizada dentre seus grupos. De fato, a deflação dos preços no atacado foi intensificada de uma queda de 0,76% em abril para outra de 1,10% em maio, refletindo o recuo de 3,07% dos preços agropecuários e de 1,27% dos industriais (refletindo principalmente a retração de 13,6% dos preços do minério de ferro). O IPC também apresentou desaceleração, passando de uma alta de 0,42% para outra de 0,21%. Por fim, o INCC registrou queda de 0,02%, mantendo a mesma variação observada nos meses anteriores. Para o IGP-M de maio, esperamos continuidade da tendência de deflação, ainda impulsionada pela queda dos preços dos produtos agrícolas no atacado e do minério de ferro, porém esse recuo deverá ser menos intenso do que o apresentada no resultado de hoje.

.

SETOR EXTERNO

Balança comercial se manteve positiva ao registrar superávit de US$ 2,04 bilhões na segunda semana de maio

O saldo da balança comercial foi positivo em US$ 2,04 bilhões na segunda semana deste mês, de acordo com os dados divulgados ontem pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Tal resultado é equivalente a um superávit de US$ 63 bilhões em termos anualizados, levando em conta os ajustes sazonais. Entre os dias 8 e 12 de maio, as exportações somaram US$ 4,71 bilhões, acima das importações, que alcançaram US$ 2,68 bilhões. Na comparação com as médias diárias do mesmo período do ano passado, verificou-se crescimento de 10,2% dos embarques e de 10,2% das compras externas. O aumento das exportações foi explicado pelo avanço das vendas das três categorias de produtos: semimanufaturados (18,2%), básicos (13,3%) e manufaturados (2,8%). Em relação às importações, houve expansão dos gastos principalmente com bebidas e álcool e com combustíveis e lubrificantes, de 230,7% e de 41,2%, nessa ordem. Assim, o saldo da balança comercial acumulou superávit de US$ 3,03 bilhões em maio e de US$ 24,40 bilhões no ano.

.

INTERNACIONAL

Área do Euro: resultado do PIB da Área do Euro do primeiro trimestre confirmou que economia da região tem ganhado tração

O PIB da área do Euro cresceu 0,5% no primeiro trimestre ante os três últimos meses de 2016, conforme divulgado hoje pela Eurostat. O resultado, que confirmou a primeira estimativa divulgada no início do mês, mostrou que a economia manteve o ritmo de crescimento do último trimestre do ano passado. Dentre as maiores economias, destacamos a aceleração do crescimento da Alemanha, de 0,4% para 0,6%, enquanto que a expansão do PIB da França desacelerou de uma alta de 0,5% para outra de 0,3%. Na comparação interanual, o PIB avançou 1,7%. Vale notar que as aberturas dos dados pelas óticas da oferta e demanda somente serão divulgadas no dia 8 de junho. Somado a isso, o índice ZEW de sentimento econômico, também divulgado hoje, reforçou esse cenário mais positivo para a atividade, ao registar a terceira alta consecutiva neste mês. Assim, o índice passou de 26,3 para 35,1 pontos, indicando que a atividade econômica continua em ritmo forte neste segundo trimestre.

.

Reino Unido: aceleração da inflação ao consumidor pode motivar o Banco da Inglaterra a iniciar a normalização da política monetária nos próximos meses

A inflação ao consumidor no Reino Unido atingiu alta de 2,7% nos 12 meses encerrados em abril, segundo divulgado hoje pelo ONS. O resultado, que ficou levemente acima da mediana das expectativas do mercado de uma elevação de 2,6%, representa uma aceleração em relação ao avanço de 2,3% registrado em março. O indicador de núcleo também passou de uma alta de 1,8% para outra de 2,4%. A aceleração da inflação deve aumentar a pressão para que o Banco da Inglaterra inicie o processo de normalização da política monetária nos próximos meses. Vale recordar que um dos membros do comitê de política monetária já tem defendido uma alta da taxa básica de juros.

.

TENDÊNCIAS DE MERCADO

Os mercados acionários operam sem tendência única nesta terça-feira. As Bolsas asiáticas encerraram o pregão em alta, com exceção de Hong Kong, que ficou praticamente estável. As europeias não adotaram uma tendência única, por enquanto. Os índices futuros norte-americanos também operam próximo à estabilidade. No mercado de moedas, o dólar perde valor ante as principais moedas dos países desenvolvidos, com exceção da libra. Os preços do petróleo registram nova alta, ainda refletindo a expectativa de um prolongamento do acordo para o corte da produção dos países produtores da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), em reunião marcada para o próximo dia 25. As cotações das commodities agrícolas estão em queda, com exceção do açúcar e da soja. Os metais industriais seguem a mesma tendência de baixa das agrícolas, ainda que o preço do alumínio registre, neste momento, a quarta alta consecutiva diante da expectativa de redução da oferta chinesa. No Brasil, o mercado deve reagir à manutenção da tendência de deflação dos preços ao atacado, conforme sinalizado pelo resultado do IGP-10 de maio. Na agenda política, o Senado pode solicitar que o projeto do Regime de Recuperação Fiscal dos Estados tramite em regime de urgência.

.

Fernando Honorato Barbosa - economista chefe - Bradesco