Diário matinal

Opinião do Analista / 15 maio 2017

Mercado revisou para baixo as expectativas para o IPCA deste e do próximo ano

O mercado, mantendo a tendência das últimas semanas, revisou para baixo suas projeções para a inflação deste ano e voltou a revisar para baixo as expectativas para 2018, segundo as estimativas coletadas até o dia 12 de maio e divulgadas nesta manhã pelo Relatório Focus do Banco Central. As expectativas para o IPCA caíram de 4,01% para 3,93% para 2017 e de 4,39% para 4,36% para 2018. A mediana das projeções para o crescimento do PIB foi revisada ligeiramente para cima, de 0,47% para 0,50%, para este ano e seguiu em 2,50% para 2018. Sem alterações em relação à última semana, a mediana da taxa Selic permaneceu em 8,50% para o final de 2017 e de 2018. Por fim, a mediana das expectativas para a taxa de câmbio subiu de US$/R$ 3,23 para US$/R$ 3,25 para o final deste ano e foi ajustada de R$/US$ 3,40 para R$/US$ 3,36 para o final do próximo ano.

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DESTAQUES DA SEMANA

Arrecadação federal deverá ter somado R$ 116 bilhões

Após a surpresa positiva do IBC-Br, que registrou queda de 0,44%, inferior à esperada pelo mercado, a agenda doméstica deverá contemplar os resultados da inflação mensurada pelo IGP-10 de maio. O indicador, que será conhecido amanhã, deverá apontar deflação de 1,12%, puxada pelas quedas dos preços dos produtos agropecuários no atacado e do minério de ferro. Além disso, a CNI divulgará os dados da confiança do empresário industrial de maio, na quarta-feira, e da Sondagem da Indústria de abril, na sexta-feira. Por fim, a Receita Federal deve divulgar, sem data definida, a arrecadação federal referente a abril que, segundo nossa estimativa, deve ter somado R$ 116 bilhões, o que indica alta interanual de 0,7%, em termos reais. Na agenda externa, amanhã teremos o resultado da produção industrial dos EUA em abril. No mesmo dia, será conhecida a segunda leitura do PIB do primeiro trimestre da Área do Euro e, na quarta-feira, será divulgado o dado final da inflação de abril. Na Alemanha, teremos o índice Zew de sentimento econômico, um dos primeiros indicadores de maio, na terça-feira. Além disso, ao longo da semana, os Bancos Centrais do Chile, do México e da Polônia terão reunião de política monetária.

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ATIVIDADE

BC: queda do IBC-Br de março foi puxada pelo recuo dos dados de varejo e serviços

O IBC-Br, proxy mensal do PIB, registrou queda de 0,44% na passagem de fevereiro para março, descontados os efeitos sazonais, conforme divulgado há pouco pelo Banco Central. O resultado surpreendeu positivamente os analistas de mercado, que previam recuo de 0,90%. Na comparação interanual, houve alta de 1,0%, acumulando queda de 2,6% nos últimos doze meses. Esse resultado, que reflete as quedas nas vendas do varejo e do setor de serviços divulgadas na última semana, reforça nosso cenário de que a retoma da economia será bastante gradual.

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IBGE: volume de serviços prestados recuou em março, reforçando nosso cenário de retomada gradual da economia

O volume de serviços prestados recuou 2,3% entre fevereiro e março, descontada a sazonalidade, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE divulgada na última sexta-feira. Na comparação interanual, a queda foi de 5,0%, abaixo da mediana das expectativas do mercado, de retração de 4,0%. Em 12 meses, a atividade no setor acumula declínio de 5,0%. A receita nominal, por sua vez, caiu 1,0% na passagem de fevereiro para março e registrou alta de 1,0% em relação a março de 2016. O desempenho negativo do setor reforça nosso cenário de que a retomada da economia será bastante gradual.

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INTERNACIONAL

China: resultados mais fracos em abril indicam desaceleração da economia chinesa neste trimestre

Em linha com o indicado pelos índices PMI, pelos dados de comércio exterior e pelo mercado de crédito, os indicadores de atividade referentes a abril apontaram arrefecimento da economia na passagem do primeiro para o segundo trimestre. O destaque negativo ficou com o desempenho da produção industrial, cujo crescimento interanual de 6,5% foi bem abaixo do esperado (7,0%) e da expansão registrada em março (7,6%). Na mesma direção, porém em menor intensidade, os investimentos em ativos fixos acumularam alta de 8,9% até abril, frustrando as expectativas (9,1%) e desacelerando ante março (9,2%). Para tanto, os investimentos no segmento industrial perderam ritmo, ao passo que infraestrutura seguiu estável e as inversões no setor imobiliário ainda estão acelerando. Por fim, as vendas do varejo ficaram praticamente estáveis, ao avançarem 10,7% em abril em relação ao mesmo mês do ano passado, após terem crescido 10,8% no mês anterior, lembrando que o consenso de mercado apontava para elevação de 10,9%. Sabemos que parte dessa correção do ritmo de crescimento se deve aos ajustes em curso da política monetária, conforme as autoridades chinesas vêm impondo medidas regulatórias ao setor, afetando parcialmente a liquidez. Além disso, diversas restrições à aquisição e ao financiamento de novos imóveis têm sido implementadas, o que tem impactado as vendas e, posteriormente, deverá levar a uma desaceleração dos investimentos e lançamentos. Dessa forma, entendemos que o ritmo de crescimento da economia chinesa deverá perder força ao longo deste ano de maneira gradual e discreta.

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TENDÊNCIAS DE MERCADO

Os preços do petróleo são negociados em forte alta após a Arábia Saudita e a Rússia defenderem o prolongamento do acordo para o corte da produção até março de 2018. A decisão deve ser tomada na reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) marcada para o dia 25. O anúncio surpreendeu o mercado que esperava que o acordo fosse estendido até o final deste ano. O preço do petróleo tipo WTI é negociado a US$ 49/barril, o maior valor em duas semanas. As commodities agrícolas operam em baixa com exceção do açúcar e da soja, enquanto os preços dos metais industriais são negociados em alta. Os mercados acionários iniciam a semana sem tendência única. As Bolsas asiáticas encerraram o pregão em alta, com exceção de Tóquio, que ficou praticamente estável. As europeias operam sem tendência única, com destaque para a alta das ações do setor de petróleo. Os índices futuros, por sua vez, indicam que as Bolsas norte-americanas devem registrar altas ao longo do dia. No mercado de moedas, o dólar perde valor ante as principais moedas dos países desenvolvidos e emergentes, com exceção do iene. No Brasil, o mercado deve reagir à evolução das projeções constantes do Boletim Focus e ao resultado do IBC-Br de março. Além disso, hoje serão divulgados os dados semanais da balança comercial.

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Fernando Honorato Barbosa - economista chefe - Bradesco