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Destino marcado

São Paulo / 12 Janeiro 2018

Metroviários acusam tucanos de direcionar licitação das linhas 5 e 17

O governo do tucano Geraldo Alckmin está direcionando a licitação de concessão das Linhas 5-Lilás (Capão Redondo-Chácara Klabin) e 17-Ouro (Congonhas-Morumbi) para garantir a vitória da CCR, formada por Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Triunfo Participações. A denúncia foi feita pelo Sindicato dos Metroviários de São Paulo, que entrará com ação popular na justiça próxima segunda-feira.
O edital exige experiência comprovada mínima de 12 meses operando sistemas de trens, metrô ou monotrilho com capacidade para 400 mil pessoas por dia. Só duas empresas no Brasil podem atender à exigência, afirma o coordenador do sindicato Wagner Fajardo: CCR ou Invepar. Esta opera o Metrô do Rio de Janeiro “em parceria, justamente, com a CCR”.
O edital, no entanto, é internacional, mas o sindicalista, em entrevista à RBA, descarta a concorrência de empresas estrangeiras. “Nossos filiados trabalham em diversas áreas do metrô. Nós sabemos que nenhuma outra empresa, além do consórcio CCR, atuou no intuito de concorrer”, afirmou.
“A CCR é a única empresa que atende os requisitos técnicos, e a única que fez visita às linhas para avaliá-las”, disse Fajardo. A empresa é a atual concessionária da linha 4-Amarela (Butantã-Luz).
Outro questionamento dos metroviários é a participação da CCR na elaboração da licitação, conforme consta da própria introdução do edital: “O projeto de parceria objeto do presente Chamamento Público é oriundo de proposta apresentada em 23 de julho de 2015 pela empresa CCR S/A, por meio do sítio eletrônico, com o objetivo de realizar os estudos de viabilidade técnica, jurídica e econô-mico-financeira visando à delegação pelo Estado de São Paulo à iniciativa privada dos serviços de adequação, operação e manutenção da Linha 5-Lilás do Metrô”, diz o documento.
Os metroviários anunciaram uma greve de 24 horas, dia 18, contra a privatização. O leilão das linhas 17-Ouro e 5 Lilás está marcado para o dia seguinte na sede da Bolsa de Valores de São Paulo.