Desmontando as bombas

Fatos e Comentários / 17:55 - 1 de jun de 1999

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O superávit de US$ 312 milhões em maio - melhor número da balança comercial desde outubro de 95, quando o saldo fora de US$ 334 milhões - é eloqüente desmentido ao fundamentalismo que insistia em negar o peso do garrote da sobrevalorização do real sobre nossas relações comerciais. A queda de 4,84% das exportações em relação ao mesmo mês do ano passado deve ser tributada à inexistência de medidas complementares à mudança cambial, o que mantém a produção interna a meia bomba. A desvalorização do câmbio, porém, já teve o dom de reduzir drasticamente as importações, de 13,94% sobre maio/98, o que restabelece uma das premissas para a redução do desemprego e a retomada do desenvolvimento. É preciso, no entanto, seguir desmontando as demais bombas da armadilha tucana que condenaram o país a índices de crescimento ainda mais medíocres do que os da chamada década perdida, nos anos 80, com os juros elevados e a falta de uma política industrial autônoma. Mister M O Sindicato de Trabalhadores do Serviço Público Federal (Sintrasef) responde hoje, junto com representantes da CUT, às alegações do Governo Federal, que vem divulgando na mídia de que terá que gastar este ano R$ 5 bilhões além dos R$ 47 bilhões gastos em 1998 com a folha de pagamentos de funcionários. Os sindicalistas não entendem como o governo vai gastar mais se a categoria não recebe aumento há cinco anos e nem houve novas contratações. Dependência Apesar dos discursos oficiais sobre a suposta retomada da confiança dos investidores externos no país, as reservas internacionais continuam minguando. O saldo de maio fechou encolhido em US$ 874 milhões. A sangria só não foi ainda mais grave devido ao arsenal de novas concessões ao capital especulativo. E junho começa no mesmo ritmo: ontem, no primeiro dia do mês, o país viu US$ 350 milhões serem sorvidos para pagamento de obrigações para apenas três operações, dos bancos Barclay, BCN e Bank of America. Alta velocidade A paixão do presidente do Banco Marka, Salvatore Cacciola, pelo automobilismo não é um caso isolado no meio empresarial e político do país. Segundo o vereador Alexandre Cerruti (PFL-RJ), o secretário municipal de Esportes do Rio, José Moraes, destina R$ 720 mil para o piloto de motocicleta Alexandre Barros a título de patrocínio da Prefeitura do Rio. Moraes tem grande experiência no ramo: foi o dono da moto que entrou no país sem pagar impostos na qual o então presidente Collor se exibiu para todo o país. Tirar o sofá O presidente FH resolveu tomar medidas drásticas contra sua vertiginosa queda de popularidade: passou a investir contra as pesquisas. A tática teve início na monótona e repetitiva entrevista dada à TV Bandeirantes, segunda-feira à noite. Ontem, para desgosto do tucano, a CNT divulgou nova pesquisa, mostrando que apenas 15% dos brasileiros ainda permanecem crédulos em relação ao governo FH. Amigo interurbano Desde ontem, a Telefônica Celular igualou a tarifa interurbana do MoviStar Amigo, o serviço pré-pago, com o valor da tarifa normal. Com redução de 30%, ligar para outra cidade passa a custar R$ 1,49 no horário normal. A Telefônica afirma que seus preços estão até 22% mais baixos do que o concorrente, a ATL. As chamadas para todo o estado do Rio e Espírito Santo já tinham o mesmo custo das locais. Mesmo com essa promoção, quem falar no sistema pré-pago vai gastar por minuto até cinco vezes mais que no celular convencional. Além disso, apesar da operadora não mencionar em sua propaganda, o usuário é obrigado a comprar pelo menos um cartão (o mais barato custa R$ 25) a cada dois meses, para não ter seu telefone desativado. Compra e vende Quem quiser conhecer com mais detalhes os números da festa da desvalorização do real pode recorrer ao endereço www.informes.org.br. Os dados referentes à denúncia feita pelo deputado Aloizio Mercadante (PT-SP) sobre os bancos que lucraram em 13 de janeiro estão disponíveis na página da liderança da bancada federal do Partido dos Trabalhadores na Internet. São gráficos e quadros que mostram as instituições financeiras que à véspera da mudança de câmbio teriam deixado de vender e passaram a comprar dólares.

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