Desmatamento amazônico, degradação social

Por Eduardo Marinho.

Opinião / 18:56 - 6 de set de 2019

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Agora tá a três campos de futebol oficial por minuto. Mil, quinhentos e quarenta por dia, cento e seis mil e duzentos campos de futebol por mês. Falo do desmatamento na Amazônia, índice nunca dantes alcançado. Mais uma vitória desse governo capacho de interesses empresariais estadunidenses.

O governo anterior, pelo menos, era só toalha de mão, servidor, mas não tão capacho assim. Por isso mesmo é que foi retirado: enquanto servia os colonizadores, encarnados no “mercado”, sobretudo o financeiro, sem se opor ao saque cotidiano das riquezas brasileiras, investia migalhas na população mais pobre, historicamente roubada em seus direitos, desde que direitos foram criados nas instituições do Estado.

Isso, a longo prazo, criaria condições de entendimento da realidade e poderia dificultar as regalias na exploração, criando senso crítico e resistência inteligente na população. Mas, sem tocar nos privilégios banqueiros, sem regular as comunicações do país, tomadas pela mídia comercial, empresarial, privada, sem regular nenhum setor estratégico, sem investigar a fundo os acontecimentos durante os governos militares, sem questionar a dívida “pública” criminosa que rouba metade do orçamento nacional todo ano, ficou fácil pros verdadeiros poderes derrubarem essa falsa “esquerda” dos cargos de mando.

 

Violência do Estado e nas ruas,

quadrilhas de bandidos pra todo lado

 

O que fizeram com sua incompetência, com seu voo de galinha, com sua arrogância, foi preparar o caminho pra essa corja descarada que está cumprindo as ordens de reduzir a nação a uma colônia conformada com seu destino de escravidão, miséria, ignorância e, por consequência, violência e criminalidade, a começar pelo próprio aparato público e os crimes de Estado contra sua população, seu patrimônio, suas riquezas e sua soberania.

A área de preservação ambiental, o Parque Nacional do Xingu, sob o cuidado dos povos originários, não foi tocada. O governo capacho adoraria acabar com esse parque e com todas as terras indígenas do território nacional, seria uma tremenda puxada de saco nos exploradores do norte, aos pés de quem rasteja constrangedoramente a “autoridade máxima” deste país e seu grupo institucional – secretários, ministros, assessores, parlamentares, empresários, grupo elitista, escravista, antissocial, a fina-flor da ignorância, da agressividade, do teleguiamento ideológico, da colonização mental e da truculência vingativa. A fina-flor da indiferença com o sofrimento de milhões que só vem aumentando, com todas as medidas tomadas até agora por isso que ainda chamam de “governo”.

As projeções nefastas, macabras, a médio e longo prazo. As de curto prazo já se veem nas ruas, na quantidade de desabrigados, mendigos, drogados, abandonados sociais. Já há consequências, previstas e acontecendo, demonstrando a realidade das projeções com base no que está sendo feito. Violência do Estado e nas ruas, quadrilhas de bandidos pra todo lado, traficantes, milicianos, grupos se formando em empresas dos mais variados crimes... e o exemplo dado de cima dos poderes públicos.

É preparar o lombo, a criatividade e a resistência.

Eduardo Marinho

Artista de rua e escritor, mantém o site observareabsorver.info

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