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Desemprego leva a aumento da violência

Conjuntura / 09 Agosto 2018

Ações de segurança não conseguiram deter escalada da violência (foto: Vladimir Platonow/ABr)

Sete pessoas são vítimas de homicídio a cada hora

O Brasil registrou o maior número de homicídios da história recente do país. Foram 63.880 mortes violentas em 2017. Os dados do 12° Anuário de Segurança Pública indicam que foram assassina-das 175 pessoas por dia, sete por hora, registrando elevação de 2,9% em comparação a 2016. A taxa é de 30,8 mortes para cada 100 mil habitantes. Pela primeira vez o país ultrapassou a taxa de 30 por 100 mil.
“Ainda é cedo para afirmar as razões com certeza, pois (no Brasil) ainda não coletamos bem os dados de motivações de homicídios. Trabalhamos com hipóteses”, analisa Helder Sant’Ana Ferreira, pesquisador do Ipea e um dos autores do Atlas da Violência 2018.
“Há um estudo que aponta que o aumento da taxa de desemprego entre homens de 15 a 24 anos aumentou em 2,4% a violência”, afirma Ferreira, mas salienta que é uma questão polêmica. O pes-quisador lista também o tráfico de drogas, a milícia e a questão de aumento da violência policial.
A letalidade das polícias aumentou 20% em 2017 em relação a 2016: 5.144 pessoas foram mortas em decorrência de intervenções de policiais civis ou militares, uma média de 14 por dia. O número de policiais mortos em 2017 caiu 4,9% na comparação com o ano anterior. Foram vítimas de homicídio 367 policiais. O Anuário de Segurança Pública compila dados das polícias de todos os estados.
O número de homicídios dolosos cresceu 2,1%, ao atingir os 55.900. As lesões corporais seguidas de morte totalizaram 955, com crescimento de 12,3%. Já os latrocínios caíram 8,2% e foram 2.460.
O Rio Grande do Norte registrou a maior taxa de mortes violentas por 100 mil habitantes (68), seguido por Acre (63,9) e Ceará (59,1). O Rio de Janeiro, com 40,4, ficou na 11ª posição.
As menores taxas estão em São Paulo (10,7), seguido de Santa Catarina (16,5) e Distrito Federal (18,2). Os índices em São Paulo, porém, são contestados. As estatísticas paulistas não são classifica-das entre as plenamente confiáveis.