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Desafios da capacitação em Turismo

Opinião / 24 Abril 2018

Quando buscamos entender uma cidade turística, devemos apoiar nossa percepção em dois fatores fundamentais: os prestadores diretos e indiretos de serviços turísticos e a população anfitriã. A imagem positiva de um núcleo receptor tem na prestação de serviço seu grande diferencial. As empresas prestam serviços de hospedagem, eventos, receptivo, mas o que vai diferenciá-las é como pretendem fazer com que o consumidor seja atendido dentro de um conceito de excelência e que se consiga superar as expectativas do mesmo.

Tal filosofia demanda um trabalho contínuo de qualificação e reciclagem. A atividade turística está sujeita a um constante devir, e assim os processos educacionais são obrigados a acompanhar rapidamente as mudanças mercadológicas.

 

Chega de projetos

implantados e logo descontinuados

 

A forma como os recursos humanos são preparados, embora rica e complexa, não está bem entendida por aqueles que empregam. Via de regra, pensam que o domínio de idiomas ou ainda cursos rápidos de curta duração são a resposta para o mercado. É um engano, pois hoje temos faculdades, cursos técnicos e tecnólogos que foram se esforçando para atender as necessidades do chamado trade turístico, não só com técnicas operacionais, que embora vitais, mas complementadas com uma visão mais humanística do turismo, calcada na sociologia do lazer, animação turística, sustentabilidade e administração.

Ao buscarmos modelos de formação contínua, há características que, desenvolvidas, vão tornar a prestação mais perto de um consumidor capaz de se sentir ao mesmo tempo bem mas que veja reconhecida sua capacidade de ajudar.

O novo prestador de serviço é alguém que entende a diversidade e sabe que é ela é a mola-mestre de nossa sobrevivência. Por outro lado, empreendimentos certificados facilitam a padronização do serviço mas com base numa autonomia requerida, nos processos e preconizam a sustentabilidade administrativa e das politicas de preparação.

Não são apenas aqueles que trabalham diretamente nas empresas de turismo que merecem a nossa atenção, mas todo o entorno, com as forças de segurança, os garis, os jornaleiros, os vendedores e os shoppings, que ainda não viram como podem aumentar suas receitas se forem se moldando ao turismo local. No fundo, o processo de preparação das cidades se baseia num conjunto de atribuições desenvolvidas em vários níveis mas com uma população anfitriã também consciente e preparada.

Os programas para a população anfitriã devem fazer parte sempre das diretrizes de desenvolvimento turístico e não apenas em momentos específicos sem nenhuma continuidade e fora de um contexto maior. O ideal é que as crianças possam aprender desde o início de seus estudos o quanto o turismo é um instrumento de mudança nas relações de desenvolvimento. Como tudo no Brasil e no Rio, são implantados os projetos e logo descontinuados, por falta de um projeto educacional maior.

Ao estabelecermos uma relação duradoura entre formação, população e prestador, estaremos contribuindo para um Brasil mais turístico e menos cheio de projetos equivocados de qualificação e reciclagem, que a cada dia vão injetando recursos em ações pontuais. Vamos definir numa grande pesquisa o perfil necessário e criar um plano de capacitação turística nacional, com enfoques municipais, pois é no município que tudo começa.

 

 

Bayard Do Coutto Boiteux

Vice-presidente executivo da Associação dos Embaixadores de Turismo do RJ (www.embaixadoresdorio. com.br).