Derrocada da Odebrecht ilustra erros da Lava Jato

Empreiteira entra com pedido de recuperação judicial.

Empresas / 22:45 - 17 de jun de 2019

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Aquela que foi a maior empreiteira brasileira entrou com pedido de recuperação judicial nesta segunda-feira. As dívidas do grupo Odebrecht somam R$ 98,5 bilhões. O total devido inclui R$ 33 bilhões em dívidas entre companhias do grupo e R$ 14,5 bilhões extraconcursais. Portanto, sobram R$ 65 bilhões que podem ser alvo de execuções.

A empreiteira tem hoje 48 mil empregados. No auge, em 2014, chegou a 276 mil funcionários. Nesta época, as relações criminosas com o Governo Federal foram abatidas pela Operação Lava Jato, que levou à prisão o presidente Marcelo Odebrecht.

A atuação da Lava Jato não procurou preservar a empresa. Em outros países, especialmente diante de companhias de atuação fundamental para a economia, separa-se os dirigentes, que cometeram atos ilegais, da pessoa jurídica. Isto não ocorreu aqui.

Atingida pela perda de contratos e de credibilidade, a Odebrecht foi fulminada pela crise na economia que se instalou desde 2015. A empreiteira atribui o resultado à “crise econômica que frustrou muitos dos planos de investimentos feitos pela ODB, ao impacto reputacional pelos erros cometidos e à dificuldade pela qual empresas que colaboram com a Justiça passam para voltar a receber novos créditos e a ter seus serviços contratados”.

Os maiores credores são BNDES, Banco do Brasil e Caixa, que vinha executando empresas do grupo. Os bancos privados Bradesco, Itaú e Santander têm suas dívidas garantidas por ações da petroquímica Braskem, que ficou fora da recuperação. São as chamadas dívidas extraconcursais, que têm garantias específicas e somam cerca de R$ 14,5 bilhões.

Além da Braskem, ficaram de fora do pedido a empreiteira OEC, a Ocyan, a incorporadora OR, a Odebrecht Transport, o estaleiro Enseada, assim como alguns ativos operacionais na América Latina e suas respectivas subsidiárias. A Atvos Agroindustrial havia pedido recuperação judicial no mês passado.

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