Deputados denunciam Crivella ao MP por campanha extemporânea

Prefeitura do Rio tem veiculado vídeos patrocinados no Youtube e o número do partido.

Rio de Janeiro / 18:04 - 3 de dez de 2019

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Os deputados federais Marcelo Calero (Cidadania-RJ) e Pedro Paulo (DEM-RJ) protocolaram ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) e na Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) ofício denunciando indícios de antecipação de campanha eleitoral por parte do prefeito do Rio, Marcelo Crivella.

De acordo com o documento, Crivella "vem, recorrentemente, se utilizando dos veículos oficiais de comunicação da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, a despeito do princípio da moralidade e da impessoalidade, para promoção própria, antecipando o período eleitoral do próximo ano e afastando-se por completo do caráter educativo, informativo ou de orientação social das quais devem ser dotadas as propagandas institucionais da Administração Pública".

"Estes atos ofendem o princípio da moralidade e da imparcialidade. Como gestor público, o prefeito deveria agir de acordo com os preceitos éticos e com fins únicos e exclusivos de atender aos interesses públicos e não particulares. No entanto, ele utiliza os veículos oficiais de comunicação para fins particulares e autopromoção”, afirma Calero.

A Prefeitura do Rio tem veiculado vídeos patrocinados no Youtube, exaltando a imagem de Crivella, além veicular o número do seu partido.

"Não é de hoje que o Crivella vem usando os canais de comunicação da prefeitura para autopromoção e fazendo campanha eleitoral antecipada. Esta é a terceira vez que faço uma denúncia contra ele: este ano eu já denunciei, e em 2017, ganhei uma ação. Essa prática é vedada conforme o artigo 37 da Constituição Federal, que impede a utilização dos canais oficiais de comunicação de um órgão público para fins particulares. Isso é mais um absurdo na lista do Crivella", diz o deputado Pedro Paulo, o mesmo que havia sido, a partir de fins de 2015, acusado de violência doméstica por sua ex-mulher, Alexandra Marcondes, em 2010.

Na ocasião, em entrevista à "Folha de S. Paulo", Pedro Paulo admitiu a agressão, atribuindo o caso a um episódio de descontrole durante uma discussão do casal.

Em agosto de 2016, entretanto, a Procuradoria Geral da República pediu o arquivamento da denúncia contra o então deputado, que foi acolhido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux.

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