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Democratas avançam, mas Trump ainda é favorito

Eleições nos EUA revelam que a agenda do presidente modela o debate

Internacional / 07 Novembro 2018

Os eleitores foram às urnas nesta terça-feira, nos Estados Unidos, para escolher os ocupantes das cadeiras da Câmara e de 35% do Senado. Foram eleitos, ainda, os governadores de 36 dos 50 estados do país. Os democratas retomaram o controle da Câmara dos Representantes, mas os republicanos consolidaram maioria no Senado.

Estas são as eleições de meio de mandato (middle term) do presidente, eleito em 2016. O especialista em relações internacionais da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Arnaldo Francisco Cardoso, alerta que os resultados não são suficientes para tranquilizar os opositores do presidente Donald Trump.

Além da manutenção pelos republicanos do comando do Senado, as eleições revelaram que a agenda de temas posta pelo presidente norte-americano desde sua campanha, em 2016, se enraizou e modela o debate nacional”, analisa Cardoso.

Ao conseguir maioria na Câmara dos Deputados, o que não ocorria há oito anos, os democratas terão a chance de fazer oposição mais incisiva a Donald Trump e obstruir suas propostas. Projetos como a revogação do Obama Care (lei aprovada no governo de Barack Obama que promoveu mudanças no sistema de saúde) e a construção de um muro ao longo da fronteira com o México, precisam ser aprovadas pelo Congresso.

A campanha para a reeleição de Trump em 2020, porém, não parece ter sido comprometida. Em estados importantes para o êxito do atual presidente nas eleições de 2016, os republicanos permaneceram fortes. Na Flórida e em Iowa, por exemplo, os democratas, apesar do otimismo, perderam as corridas para governador.

Trump comemorou o resultado ao seu estilo: “Muito perto de uma vitória completa”, afirmou, reforçando o discurso de realidade paralela que o caracteriza.

A eleição contou com número recorde de candidatas mulheres na disputa, o que refletiu na composição da nova Câmara. É a primeira vez na história que duas muçulmanas, ambas democratas, vão ocupar assentos. Alexandria Ocasio-Cortez, por Nova York, e Abby Finkenauer, por Iowa, ambas democratas de 29 anos, se tornaram as mulheres mais jovens a conquistar cadeiras na Câmara.