Demissão de Cintra mostra governo perdido na questão tributária

Opositor à CPMF, articulador da reforma previdenciária deverá negociar com o Congresso.

Conjuntura / 22:57 - 11 de set de 2019

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O ministro da Economia, Paulo Guedes, decidiu demitir, nesta quarta-feira, o secretário da Receita Federal, Marcos Cintra. Ele ocupava o cargo desde o início do Governo Bolsonaro. O motivo – conforme informações do jornal Folha de São Paulo, confirmando o que antecipou o site O Antagonista – foi a divulgação antecipada de estudos para uma reforma tributária, incluindo a cobrança de uma taxação nos moldes da antiga CPMF, criada no governo de Fernando Henrique Cardoso e posteriormente extinta. 
Já segundo a Agência Brasil, Cintra “foi exonerado do cargo, a pedido, informou o Ministério da Economia”. Em seu lugar assume, interinamente, o auditor fiscal José de Assis Ferraz Neto.
Na nota em que anuncia a exoneração do secretário, o ministério esclarece “que não há um projeto de reforma tributária finalizado”.
Mais tarde, o presidente Jair Bolsonaro descartou, em mensagem no Twitter, a recriação da CPMF ou o aumento da carga tributária. Ele repercutiu ainda a exoneração do secretário Marcos Cintra. De acordo com a publicação, a saída de Cintra do cargo está ligada à defesa que o agora ex-titular da Receita fazia da criação de um novo imposto sobre movimentações financeiras.
“Paulo Guedes exonerou, a pedido, o chefe da Receita Federal por divergências no projeto da reforma tributária. A recriação da CPMF ou aumento da carga tributária estão fora da reforma tributária por determinação do Presidente”, escreveu Bolsonaro.
A saída do secretário Marcos Cintra confirma que o governo está sem um rumo na questão tributária, na avaliação da jornalista Miriam Leitão, do jornal O Globo. Ela lembra que Cintra não era o único da equipe econômica a defender a nova CPMF – o próprio ministro Paulo Guedes antecipou, ao longo da semana em diversas entrevistas, as alíquotas e arrecadação pretendidas pelo governo na proposta a ser enviada ao Congresso.
De acordo com informações do jornalista Tales Faria, do UOL, o secretário especial de Previdência, Rogério Marinho – que articulou a aprovação da reforma previdenciária no Congresso e forte opositor à criação do novo imposto – deverá ser o escolhido para negociar a reforma tributária.

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