Delação "não atrapalha determinação de derrotar impeachment", diz líder da base

Política / 15:11 - 15 de mar de 2016

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O líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE), disse hoje que a delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), homologada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki - relator do processo da Operação Lava Jato - não atrapalha a determinação da base aliada de derrotar o impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara. - Já foi dita tanta coisa sobre delação, se vier mais, não atrapalha em nada a nossa determinação de derrotar esse morto-vivo. Não se faz impeachment por desejo da oposição. Não se faz impeachment ao arrepio da Constituição. Isso é uma ameaça à legalidade democrática - afirmou Guimarães, após a reunião dos líderes da base com o ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini. O líder do governo disse que ainda vai ler a delação de Delcídio e não quis comentar o trecho do depoimento em que o senador afirma que o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, ofereceu ajuda financeira para evitar a delação. O senador entregou ao Ministério Público Federal (MPF) gravação que teria sido feita por seu assessor Eduardo Marzagão de dois encontros realizados, em dezembro do ano passado, um com Aloizio Mercadante e outro com a assessora do ministro. - Vamos ler a delação homologada pelo ministro Teori, vamos aguardar manifestação do governo. Nada chega à presidente. Ela não cometeu qualquer crime de responsabilidade, que é a base do impeachment - acrescentou Guimarães, que destacou que a base está unida para se posicionar contrária ao impeachment: "há compromisso da base com a legalidade democrática e tudo faremos para que o rito do impeachment seja estabelecido nos termos que o Supremo já definiu e vamos atuar o quanto antes para a gente debelar, porque isso dificulta a retomada do crescimento econômico. Não foi por nós que o processo atrasou. Estamos prontos para dialogar com toda a base, conversar com cada deputado, para virar essa página e sinalizarmos a retomada da economia." Líderes de partidos da oposição defenderam a demissão de Mercadante, com base na delação premiada do senador Delcídio do Amaral e homologada pelo ministro Teori Zavaski. - Se isso se comprovar de fato, na delação premiada homologada pelo ministro, não tem outra saída que não a demissão imediata. Ele não pode continuar ministro, usando da sua autoridade para obstruir a Justiça, usando da sua autoridade para proteger criminosos - disse o líder do PPS, Rubens Bueno (PR). Para o líder do PSDB, Antonio Imbassahy (BA), a situação é similar à da prisão de Delcídio, em novembro do ano passado. Na ocasião, o senador ofereceu dinheiro, rota de fuga e avião para que o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró não fechasse acordo de delação premiada. A conversa foi gravada pelo filho de Cerveró, Bernardo, com um telefone celular escondido no bolso durante uma reunião em um hotel em Brasília, quando Delcídio fez as ofertas. - Então, numa situação feito essa, se a presidente Dilma tivesse o mínimo de dignidade, exoneraria o ministro que cometeu esse crime - disse Imbassahy. Agência Brasil

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