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Dívida pesada detona gastos públicos brasileiros

Se país tivesse juros similares aos dos emergentes, poderia financiar a Previdência com folga

Fatos & Comentários / 20 Dezembro 2018 - 15:34

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Os gastos do Governo Central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central), detalhados esta semana pelo Tesouro, mostram um país único: a despesa do Brasil com juros é cinco vezes maior que a dos países desenvolvidos e 3,5 vezes superior ao das nações emergentes. A conta de juros leva quase 10% do PIB brasileiro. Traduzindo em reais, foram R$ 576,8 bilhões em 2017. Se o Brasil gastasse a mesma média dos emergentes, esta conta cairia para R$ 160,5 bilhões. Uma diferença de R$ 416,3 bilhões. Em apenas um ano!

Ah, mas a culpa dos problemas fiscais brasileiros é da Previdência. Os dados do Tesouro mostram que o país empregou 13,08% do PIB em todos os gastos de proteção social em 2017. Para comparação com outros países, o Tesouro usou dados de 2016, os mais recentes disponíveis. Neste ano, o Brasil usou o equivalente a 12,7% do PIB, enquanto as economias avançadas gastaram 8,2%, assim como o G20, e as nações emergentes, 7,6%. A média de 53 países selecionados pelo Tesouro é de 8%.

Em dinheiro, foram R$ 792,9 bilhões em valores correntes de 2016. Se o percentual fosse similar ao das economias avançadas (já que nossa Previdência é bem robusta, comparado a outras nações em desenvolvimento), a despesa cairia para R$ 511,9 bilhões. Uma redução de R$ 281 bilhões.

Fechando as contas: se o Brasil tivesse juros similares aos dos países emergentes, poderia financiar a Previdência com folga, ainda que seguisse gastando como se fosse um país nórdico. Já o contrário, se arrochasse os aposentados e continuasse pagando juros como um país em crise, ainda assim faltariam mais de R$ 100 bilhões para cumprir suas obrigações.

 

Ano melhor

O ano que termina foi melhor do que 2016 e 2017 para as empresas familiares no Brasil. A análise da receita histórica demonstrou que 56% das companhias que participaram de pesquisa feita pela KPMG disseram ter aumentado a receita no último semestre, enquanto 25% mantiveram, e 19% informaram ter sofrido queda.

Em 2016, 35% sofreram redução na receita e 41% conseguiram aumentar; em 2017, foram 32% e 46%, respectivamente.

Os números de 2018 estão alinhados com a pesquisa feita pela consultoria na Europa, em que as companhias informaram que cresceram em faturamento (57%) ou o mantiveram (27%) em relação ao ano anterior.

Não pensem que empresas familiares significam pequenos negócios. Quase 20% das pesquisadas faturam mais de R$ 1 bilhão (67% tiveram receita superior a R$ 499 milhões). São empresas tradicionais: 42% têm mais de 40 anos.

 

Apressado

O site Poder360 publicou no Twitter que o PLP 459/2017, que trata da securitização da dívida dos estados e municípios, havia sido aprovado pela Câmara. Alarme falso. O projeto não foi votado, e fica para o ano que vem. O post foi apagado.

O PLP 459 é um escândalo, como mostrou Maria Lucia Fattorelli, da Auditoria Cidadã, em entrevista a esta coluna.

 

Paz na Serra

Depois de meses de crise política e econômica, Teresópolis, na Região Serrana do Rio, desfruta seis meses de relativa tranquilidade, após a destituição do prefeito e a eleição de Vinicius Claussen para um mandato de dois anos e meio.

Três licitações na área de saúde realizadas no município não tiveram concorrentes. Após resolvido o imbróglio político e saneadas as contas, apareceram 16 empresas para participar do pregão mais recente, que foi transmitido pelo YouTube.

 

Sob o sol da Califórnia

Na Califórnia (EUA), os investimentos em geração distribuída e eficiência energética trouxeram uma economia de US$ 2,6 bilhões aos moradores, com o cancelamento de 20 projetos de transmissão e redução de 21 projetos de reforço de rede. Ambos seriam necessários, caso a energia elétrica fosse trazida de fora das cidades para atender os consumidores, porém a geração distribuída solar fotovoltaica instalada pelos consumidores supriu grande parte da nova demanda por eletricidade e evitou ou aliviou estes custos para todos os consumidores, afirmam a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar).

 

Procura-se Queiroz

Duas semanas se foram e o assessor/amigo/motorista da Família Bolsonaro não deu as caras. Para não depor no MP, alegou problema de saúde. Cada vez mais parecido com o chefe do clã.

 

Rápidas

O Conselho Diretor da Associação dos Advogados de São Paulo (Aasp) elegeu nesta quarta-feira seu novo presidente: o advogado Renato Cury *** O Carioca Shopping terá um Clubinho da Virada especial em 29 e 30 de dezembro, para crianças de 1 a 10 anos, das 14h às 20h.

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