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Déficit habitacional no país bate recorde

Privatização dos bancos públicos pode agravar a falta de moradias.

Conjuntura / 08 Janeiro 2019

O déficit habitacional do Brasil cresceu entre 2015 e 2017, para o recorde de 7,78 milhões de moradias, 220 mil a mais que ao final do primeiro Governo Dilma. O período foi marcado pela contra-ção nos gastos públicos.
Segundo pesquisa da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), feita em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), o déficit habitacional cresceu 7% entre 2007 e 2017.
No ano retrasado, já no Governo Temer, foram contratadas, dentro do programa Minha Casa Minha Vida, apenas 23 mil moradias destinadas a famílias que ganham até R$ 1,8 mil, o que significa 13,5% da meta de 170 mil. Os recursos para o MCMV caíram mais de 50% em 2016 e 2017.
“Desde 2014, a gente sofre com cortes maiores nos recursos do Minha Casa Minha Vida, principalmente na faixa 1, que atende a famílias de baixa renda. O aumento do desemprego e da miséria também impacta nisso”, lamenta Benedito Barbosa, advogado do Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos e um dos coordenadores da União dos Movimentos de Moradia, em entrevista à RBA.
A privatização dos bancos públicos pode agravar o quadro. “Nós vamos ter que lutar demais e nos organizar mais para resistir, porque os recursos dos programas sociais estão depositados na Caixa para serem destinados às famílias de baixa renda”, afirma Barbosa.
O novo presidente da Caixa, Pedro Guimarães, negou nesta terça-feira que o banco vá aumentar os juros do crédito imobiliário para a classe média. Na segunda-feira, na cerimônia de posse dos novos titulares dos bancos públicos, em Brasília, ele afirmou que “quem é classe média tem de pagar mais”. Guimarães alega que a declaração foi reproduzida de forma distorcida.