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Fatos & Comentários / 13 Novembro 2017

O problema na estrada que liga o Rio a Petrópolis chamou a atenção para o estado de conservação das rodovias entregues a concessionárias. Levanta também dúvidas sobre a saúde financeira dessas empresas, já que a Concer, que administra a via que segue até Juiz de Fora, paralisou há mais de um ano a duplicação da pista, deixando um túnel – onde ocorreu o problema de deslizamento de terra – pela metade, alega desavenças financeiras com a União. O balanço apresentado pela entidade que congrega as concessionárias, a ABCR, mostra que o setor, de modo geral, vai bem, obrigado.

As receitas com pedágio acumuladas desde 1995 vão a R$ 145,5 bilhões. Somadas a R$ 8,6 bilhões de “outras receitas”, chega-se a um total de R$ 154,1 bilhões. No lado, das despesas, temos: investimento (R$ 58,1 bilhões); gastos operacionais (R$ 48,6 bilhões); despesas financeiras (R$ 24,6 bilhões); pagamento ao poder concedente (R$ 13,8 bilhões); e impostos (R$ 26,2 bilhões), somando R$ 171,3 bilhões. A diferença é de cerca de R$ 17 bilhões, mas deve-se levar em conta que os investimentos pesam no início das concessões; depois, vão diminuindo, o que deixa o lucro para o final. Da mesma forma o pagamento ao poder concedente.

A ABCR nota que os investimentos de R$ 6,75 bilhões realizados em 2016 nas rodovias concedidas foram 3,2% inferiores ao volume aplicado em 2014. A entidade atribui a queda às dificuldades para a obtenção de licenciamentos ambientais e financiamento das rodovias da terceira etapa do programa de concessões federais, que levaram à paralisação dos investimentos previstos. “As concessionárias de rodovias participantes desta etapa estão preparadas para investir imediatamente cerca de R$ 20 bilhões se tais dificuldades forem equacionadas”, garante César Borges, ex-ministro dos Transportes que preside a ABCR.

Ladeira abaixo vão os investimentos da União. Em 2011, os gastos federais em infraestrutura rodoviária foram de R$ 11,21 bilhões; em 2016, já no Governo Temer, o volume investido praticamente retrocedeu ao nível de 2008, caindo para R$ 8,61 bilhões. Este ano, até o mês de junho, foram investidos apenas R$ 3,01 bilhões. Neste ritmo (os gastos no final do ano geralmente são maiores, devido à demora na liberação dos recursos), vamos voltar a 2007.

 

Colisão

A Casualty Actuarial Society – associação centenária composta por atuários especializados em ramos de seguros elementares – divulgou uma apresentação sobre a evolução do mercado de seguro de automóvel nos EUA nos últimos anos.

Francisco Galiza, da Rating de Seguros, destaca o crescimento na taxa de sinistralidade desse tipo de seguros. “Pelo menos, dois fatores explicam esse fato: um, é que as pessoas estão dirigindo mais, aumentando o risco. Esse comportamento pode ser explicado pela situação econômica mais favorável daquele país (por exemplo, mais empregos ou gasolina mais barata).”

O segundo fator, resume Galiza, é que, “na ocorrência dos sinistros, a severidade dos danos aumentou (por uma maior inflação médica ou por veículos mais sofisticados). O estudo está disponível em www.iii.org/sites/default/files/docs/pdf/cas-11072017.pdf

 

Rápidas

O Almoço do Empresário da Associação Comercial do Rio do dia 1º de dezembro terá palestra do prefeito de São Paulo, João Doria Jr. *** Os 100 Anos da Revolução Soviética serão lembrados em São Paulo no dia 24 próximo, às 19h, na sede do PT Nacional (Rua Silveira Martins, 132, Sé – São Paulo – SP) *** A historiadora Glaucia Cristina Candian Fraccaro apresenta na próxima quinta-feira, às 14h, na sede da FGV, no Rio de Janeiro, os principais pontos da sua tese de doutorado intitulada “Os Direitos das Mulheres – feminismo e legislação trabalhista (1917–1937)” *** Luiz Eduardo Soares, ex-secretário Nacional de Segurança Pública, é um dos nomes confirmados para participar, dia 17, no Rio, na sede da FGV, do seminário Caminhos para a Efetividade da Segurança Pública no Brasil *** A Receita Federal na 7ª Região Fiscal comemora nesta terça-feira, a partir das 14h, os 70 anos de inauguração do prédio da Alfândega do Porto do Rio de Janeiro, com lançamento de livro, exposição e mesa redonda *** A FGV Eaesp realizará dia 30, a partir das 8h30, seminário com empresários e acadêmicos para debater o panorama atual da logística reversa no Brasil frente às novas regulamentações. Informações e inscrições: celog@fgv.br