Cúpula do Brics termina sem tocar em divergências

Na opinião de analistas, a Declaração de Brasília mostra a falta de coesão entre os países do bloco.

Internacional / 00:13 - 15 de nov de 2019

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Ao final da 11ª Cúpula do Brics – grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – os chefes de Estado dos cinco países Brics aprovaram a Declaração de Brasília, uma compilação de tudo o que foi realizado sob comando da presidência brasileira no último ano e os resultados da cúpula encerrada nesta quinta-feira.
No documento está refletida a visão do Brics em relação à necessidade de reformar o sistema multilateral, a importância de fortalecer a arquitetura econômico-financeira internacional, ao imperativo de resolver crises regionais por meio do diálogo e da diplomacia e ao futuro da cooperação intra-Brics.
Contudo, na visão de analistas, as conclusões da cúpula que reuniu por dois dias o presidente brasileiro Jair Bolsonaro, o chinês Xi Jinping, o russo Vladimir Putin, o sul-africano Cyril Ramaphosa e o indiano Narendra Modi mostram a falta de coesão de um grupo nascido sob sua força econômica na época, há dez anos, de modo que o mundo não ocidental tivesse poder nos organismos multilaterais de acordo com seu peso real. 
Juntos, eles governam países que representam um terço da economia mundial e cerca de 40% da população. Mas em poucas questões relevantes, eles concordam ou têm aspirações comuns. 
A declaração final não incluiu nenhuma referência à crise que tem agitado o continente sul-americano. Os negociadores preferiram evitar assuntos em que as divergências são maiores que as convergências.
Em 2020, a Rússia assumirá a presidência rotativa do Brics. De acordo com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, no que se refere à cooperação econômica, a presidência russa vai propor a criação de um fundo de títulos para o Brics e novas iniciativas em matéria tributária, alfandegária e de agências antitruste.
Por sua vez, o presidente chinês, Xi Jinping, voltou a mostrar preocupação com o aumento do protecionismo e disse que os países do Brics devem se opor ao hegemonismo e à política de poder e precisam colocar em prática o multilateralismo e o peso das economias emergentes nos assuntos internacionais.

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