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CSN espera vender ativos e captar R$ 4 bilhões para reduzir dívida

Empresas / 15 Maio 2018

Objetivo da siderúrgica, que lucrou R$ 1,4 bi no 1° tri, é vender 50% dos ativos em junho e o restante até dezembro 

Ações preferenciais da Usiminas detidas pela CSN, o porto de contêineres no Rio de Janeiro (Tecon), a usina Lusosider (Portugal) e ativos de mineração fora da unidade Congonhas Minérios estão na relação de ativos que a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) pretende se desfazer para levantar R$ 4 bilhões e reduzir sua dívida bilionária (R$ 26,5 bi).

Em teleconferência com analistas para apresentação dos resultados do primeiro trimestre nesta terça-feira (15), o presidente-executivo da empresa, Benjamin Steinbruch, confirmou que o objetivo é vender este ano os ativos, sendo a metade deles (R$ 2 bi) até o final do próximo mês e os outros R$ 2 bilhões até dezembro.

No primeiro trimestre, a dívida líquida ajustada da CSN era 4% maior do que 12 meses antes, de R$ 26,5 bilhões. A alavancagem medida pela relação entre dívida líquida ajustada e Ebitda ajustado subiu para 5,82 vezes, ante 5,45 vezes um ano antes.

Steinbruch disse que a CSN, que durante anos rejeitou ofertas que considerava abaixo do preço que considerava justo por seus ativos, quer reduzir o endividamento este ano “em pelo menos 1 Ebitda”.

Segundo o executivo, as vendas serão “uma questão de momento e questão de valor. Todos esses ativos são bons e estão dando Ebitda positivo”, afirmou.

Pouco antes de divulgar o balanço, a CSN anunciou que seu conselho de administração aprovou a venda da participação na Companhia Siderúrgica Nacional LLC, nos EUA, para a Steel Dynamics (SDI), por cerca de US$ 400 milhões.

Lucro do trimestre

A CSN teve lucro líquido de R$ 1,486 bilhão no primeiro trimestre, um salto ante o lucro de R$ 118 milhões um ano antes, amparado na atualização do valor justo das ações da Usiminas que passaram a ser registradas no resultado.

A empresa teve no primeiro trimestre lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de R$ 1,24 bilhão. No fim de março, a relação dívida líquida sobre Ebitda ajustado era de 5,82 vezes, ante 5,45 vezes um ano antes. Segundo Steinbruch, com as vendas dos ativos, a alavancagem vai cair para abaixo de três vezes até o fim de 2018.

A receita líquida somou R$ 5,07 bilhões de janeiro a março, incremento de 15% em relação ao mesmo período do ano anterior, informou a CSN.

A divisão de siderurgia respondeu por 67,5% da receita líquida do período, somando R$ 3,674 bilhões, alta de 20% ante um ano antes devido, principalmente, ao aumento de volume comercializado no mercado interno e ao maior preço médio do aço comercializado no Brasil e no exterior.

Já a área de mineração representou 21,2% do total da receita líquida, com R$ 1,152 bilhão, pouco abaixo do de igual período do ano anterior, de R$ 1,174 bilhão.

Segundo a empresa, o aumento na alavancagem da dívida de R$ 26, 5 bilhões reflete a valorização cambial que influencia a dívida denominada em dólar e a parcela relativa aos acionistas minoritários de dividendos relativos ao período de 2015 e 2016 da antiga subsidiária Nacional Minérios (incorporada pela CSN Mineração), pagos durante os três primeiros meses do ano.

Usiminas

Sobre a participação na Usiminas, Steinbruch comentou que cerca de 50% da fatia em ações PN da rival foram dadas em garantia ao alongamento de dívida da CSN acertado com o Banco do Brasil em fevereiro.

O diretor financeiro, Marcelo Ribeiro, afirmou que as ações da Usiminas valem R$ 1,2 bilhão e no caso do Tecon “as transações recentes mostraram múltiplos de duplo dígito alto”.

“Vai ser muito pouco Ebitda que sai para muito caixa que vai entrar”, acrescentou Ribeiro, referindo-se às vendas de ativos da CSN. Ele acrescentou que o valor de venda da LLC pode subir em US$ 90 milhões a US$ 100 milhões com ajustes relacionados a itens como estoques até a conclusão da transação.

Steinbruch afirmou que, apesar de ainda ser rentável, atualmente a Lusosider está sendo penalizada por tarifas de exportação de bobinas de aço do Brasil para a União Europeia e que por isso “pode ser um ativo que interesse para a siderurgia americana”.

Já sobre o Tecon, que chegou a ser posto à venda em 2016, ele disse que “pode ser um ativo para disponibilizar se chegarmos a um preço justo”. Sobre as ações da Usiminas, Steinbruch comentou que a CSN não vendeu até agora “porque acreditamos que a ação tem potencial de alta”.

Redução da dívida

Com a esperada redução na dívida, a CSN está aproveitando também a melhora no desempenho operacional para convencer a Caixa Econômica Federal a fechar até junho acordo semelhante ao acordado com o BB, disse Ribeiro, sem dar detalhes. “Estamos negociando para que as novas condições (de financiamento) possam materializar o menor risco da CSN”, ressaltou o executivo.

A CSN está empenhada em melhorar seus indicadores. A companhia pretende elevar seus preços de aço no Brasil mais uma vez, em junho, desta vez entre 7,5 e 10%, informou o diretor comercial, Luis Fernando Martinez, na teleconferência.

O executivo comentou que no início do ano, a CSN elevou seus preços de aço para montadoras de veículos e entre 18 e 20% e em 12% para o restante da indústria.

“Na última teleconferência (em março), o dólar estava em R$ 3,25 e os prêmios, em 3 a 5% para um preço de partida de US$ 580 a US$ 610 a tonelada...Hoje os preços na China tiveram um repique e o dólar está em R$ 3,50”, afirmou Martinez ao justificar a necessidade do reajuste em junho.

Na avaliação dele, a diferença de preços entre o aço vendido no Brasil e o importado, o chamado “prêmio”, é de 5% negativo a zero em bobinas a quente e negativa em 2 a 3% nos laminados a frio.

“A questão é recuperar custo e margem...Queremos voltar a ter 30% de margem bruta no mínimo, é nossa prioridade”, ressaltou Martinez. A margem bruta no primeiro trimestre da CSN foi de 27% abaixo dos 30% de um ano antes.