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Crises esvaziam 8ª Cúpula das Américas, em Lima

Internacional / 13 Abril 2018

Três crises esvaziaram a 8ª Cúpula das Américas, que começa hoje em Lima (Peru). A cúpula ocorre no momento em que o presidente dos EUA, Donald Trump, promete endurecer contra a Síria; com o agravamento da crise humanitária e política envolvendo a Venezuela e também com as denúncias de corrupção e desvios de conduta de ex-presidentes peruanos.

Pela primeira vez, um presidente dos EUA não participa da Cúpula das Américas, o fórum criado pelo governo norte-americano, em 1994, para discutir o futuro da região. As reuniões são realizadas a cada três anos, e nesta cúpula o tema principal da agenda é o combate à corrupção.

Ainda na pauta da reunião, os líderes de 35 países discutirão os problemas e o futuro da região, principalmente o impacto da corrupção no crescimento econômico, no desenvolvimento e nas instituições democráticas.

A menos de um mês do começo da Cúpula das Américas, o então presidente do Peru Pedro Pablo Kuczynski renunciou antes da votação do segundo pedido de impeachment. Ele foi acusado de ter recebido propinas da empreiteira brasileira Odebrecht. Dois ex-presidentes peruanos são alvos do escândalo da Lava Jato. Ollanta Humala, que está preso, e Humberto Toledo, foragido.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi excluído da reunião em meio a críticas de desrespeito à democracia. A questão da Venezuela gera protestos favoráveis e contrários a Maduro durante a 8ª Cúpula das Américas.

Um incidente regional tirou o presidente do Equador, Lenin Moreno, das discussões. Ele chegou a desembarcar no Peru, mas retornou a Quito para acompanhar pessoalmente os desdobramentos do sequestro de três jornalistas na fronteira com a Colômbia.

A equipe do jornal equatoriano "El Comercio" foi sequestrada há 18 dias. Eles estavam investigando o tráfico de drogas fronteiriço e a atuação de ex-guerrilheiros das Forcas Armadas Revolucionarias da Colômbia (Farc).

- Dou um prazo de 12 horas a esses narcos para que entreguem provas de vida de nossos compatriotas. Caso contrário, iremos com toda contundência, sem contemplações, castigar esses violadores de direitos humanos e de solidariedade - alertou Moreno.

O anúncio de Moreno ocorreu depois de serem divulgadas fotografias de cadáveres, que supostamente seriam dos jornalistas sequestrados. O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, disse que colaboraria com o governo equatoriano.

Outra questão que domina as discussões na cúpula é exclusão de Maduro do encontro, após antecipar as eleições presidenciais, suspendendo o diálogo com a oposição. A antecipação foi condenada pelos principais partidos opositores e pelos 17 países do Grupo de Lima, entre os quais o Brasil, que definem o episódio como "ruptura da ordem democrática" na Venezuela. Os principais líderes de oposição da Venezuela estão presos, exilados ou inabilitados para concorrer a pleitos.

Crítico do regime venezuelano, o presidente da Argentina, Mauricio Macri, reitera que não aceita tratar Maduro como "líder democrático", mesmo que ele seja reeleito. Em Lima, as manifestações envolvendo a Venezuela, de grupos favoráveis e contrários, se tornaram constantes nos últimos dias.

Organizações sociais e partidos de esquerda protestam contra as sanções à Venezuela. Segundo eles, os "ataques" contra Maduro fazem parte de uma campanha anti-socialista, liderada por Trump. Maduro tinha ameaçado comparecer à Cúpula das Américas, mesmo sem ter sido convidado, mesmo que tenha que "ir nadando" para o Peru.

 

Corrupção é tema central - De acordo com o Arnaldo Francisco Cardoso, professor de Relações Internacionais do Mackenzie, os anfitriões passaram por recente processo de impeachment de seu presidente da República por corrupção e no maior país da América Latina, o Brasil, pela primeira vez um ex-presidente da República é preso por corrupção, ou seja, o debate será pertinente ao momento político.

 

Com informações da Agência Brasil