Crise não impede setor segurador crescer 16,1% em maio

No acumulado do ano receitas somaram R$ 103,7 bi, sem saúde e Dpvat.

Seguros / 21:51 - 12 de jul de 2019

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Mesmo excluindo a saúde suplementar, cujos últimos números ainda são anteriores a maio, e o seguro do trânsito Dpvat (Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre), cuja tarifa é administrada pelo governo, em maio, as receitas do setor de seguros voltaram a crescer se comparado ao mesmo mês de 2018, registrando expansão de 16,1%, informou nesta sexta-feira a Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg).

No editorial da nova edição da publicação Conjuntura CNseg, o presidente da confederação, Marcio Coriolano, afirma que “esse ótimo desempenho serviu para elevar a arrecadação acumulada no ano até maio para 7,1%, comparativamente a igual período do ano passado”. A receita de todos os ramos - exceto Saúde e Dpvat - somou R$ 103,7 bilhões nos cinco primeiros meses do ano.

Na média móvel dos últimos 12 meses até maio, a taxa também evoluiu para 1,5%, retomando o viés de alta sobre abril, que ficara praticamente estável (0,1%). “É um número importante, porque se aproxima do obtido nos dois primeiros meses do ano, após quatro meses de 2018 em que o setor apresentou taxas de desempenho negativas,” escreve o presidente.

Para Coriolano, o mercado continua a apresentar comportamento desigual das vendas entre os diversos ramos. De janeiro a maio, o ramo de seguros patrimoniais (do segmento de seguros de danos e responsabilidades) vem liderando o crescimento, com 15,7%, enquanto os Planos de Riscos (do segmento Cobertura de pessoas) evolui com taxa de 15,4%. Outro destaque foi o segmento de Títulos de Capitalização que apresenta crescimento 11,7% neste ano.

No segmento de Vida e Previdência, o subsegmento de Cobertura de Pessoas - Planos de Riscos, nos últimos 12 meses até maio, a variação foi de 11,3%, seguindo uma trajetória de alta consistente. Os Planos de Acumulação (VGBL e PGBL) registraram variação negativa de 5,6% nos últimos 12 meses até maio.

 

Desafios do setor

 

Coriolano participou na quarta-feira (10) de um evento do Sindseg-RS no qual falou sobre os desafios do setor. O baixo orçamento da maioria da população brasileira é um dos fatores que limitam a taxa de penetração do mercado segurador nacional. O presidente da CNseg, apresentou a palestra “Desafios do setor segurador”, a convite do Sindicato das Seguradoras no RS. “A incorporação de segurados continuará ser um processo gradual, já que quase 70% dos trabalhadores têm renda inferior a R$ 2 mil, ou seja, com poucas sobras no orçamento para ter um programa adequado de proteção securitária”, assinalou.

Mas, segundo ele, há saídas para uma taxa de penetração do seguro mais em linha com o tamanho da economia brasileira: mudanças nas práticas regulatórias para torná-las menos onerosas; desregulamentação e desburocratização para gerar novas frentes de crescimento de nichos de mercado; novos canais de distribuição; avanço do seguro inclusivo; apólices específicas para atender às necessidades de pequenas e médias empresas.

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