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Crise financeira e na segurança pública fazem produção industrial da Baixada cair

Segundo a Firjan, além da lenta recuperação da atividade; empresários esperam que questão seja uma das prioridades do próximo governo

Rio de Janeiro / 04 Dezembro 2018

A Sondagem Industrial mostra que, em setembro, a indústria da Baixada Fluminense continuou apresentando queda na produção, semelhante ao observado no estado do Rio. Dessa forma, a demanda foi atendida com estoques. Especificamente em Nova Iguaçu e região os estoques, inclusive, ficaram abaixo do planejado pelo empresário. Esses e outros dados estão disponíveis na quarta edição do ‘Retratos Regionais: Cenário Econômico’, divulgada ontem. Especialistas da Federação das Indústrias analisaram dados exclusivos sobre os 15 municípios da região, além dos cenários econômicos internacional, do Brasil e do Estado do Rio.

A situação financeira das indústrias também seguiu ruim na Baixada e estado. As principais queixas dos empresários na pesquisa foram a dificuldade de acesso ao crédito e a baixa margem de lucro. Na medida que as empresas não conseguem vender, elas têm dificuldades em ter dinheiro em caixa e, sem garantias, a taxa de juros do crédito fica ainda mais elevada.

Em um cenário de lenta recuperação da atividade econômica, os empresários da Baixada continuam pessimistas quanto a novos investimentos nos próximos meses, assim como observado no restante do estado. Em relação à demanda por produtos industriais nos próximos meses, os empresários de Caxias e região estão menos confiantes do que os industriais de Nova Iguaçu e municípios próximos, e que o observado no Estado do Rio e no Brasil.

“Além da fraca retomada da atividade econômica, a situação financeira das empresas seguiu ruim e esse é outro fator que impacta novos investimentos. Adicionalmente, há as incertezas em relação ao próximo governo”, destaca Julia Pestana, analista de Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

Segundo a entidade, outro entrave na região é a questão da segurança pública. A apresentação revela que, em 2018, em um saldo acumulado até setembro, Nova Iguaçu, Japeri, Mesquita, Nilópolis, Paracambi, Queimados, Seropédica, Itaguaí e Mangaratiba registraram, em média, um roubo de carga e três casos de letalidade violenta por dia, o que indica um aumento frente ao mesmo período do ano passado. Por sua vez, Duque de Caxias, Belford Roxo, Guapimirim, Magé, São João de Meriti e Teresópolis, no mesmo período, registraram cinco roubos de carga e três casos de letalidade violenta por dia.

Para os empresários da Baixada, melhorar a segurança pública deve ser uma das prioridades nos desafios do próximo governo. “Para fazer a roda da economia girar e retomar o crescimento da Baixada Fluminense, a segurança pública deve ser uma das prioridades do próximo governo”, destaca Carlos Erane de Aguiar, presidente da Firjan Nova Iguaçu e região. Além da elevada carga tributária e da demanda interna insuficiente, a segurança pública segue como um dos principais entraves que impactam a atração de novos investimentos na Baixada Fluminense.

“Apesar da situação crítica em que a economia do Brasil e a situação financeira das empresas ainda se encontram, através do Conselho Empresarial da Firjan, continuaremos pensando em saídas estratégicas que contribuam para a retomada do desenvolvimento do setor industrial e, consequentemente, para o crescimento econômico da região”, ressaltou Claudio Lopes, presidente da Firjan Duque de Caxias e região.

 

IBGE diz que números nacionais cresceram 0,2% de setembro para outubro

Já segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em sua Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física, divulgada hoje, a produção industrial brasileira cresceu 0,2% na passagem de setembro para outubro deste ano. Essa foi a primeira taxa positiva do indicador, depois de três meses de quedas que acumularam uma redução de 2,7% na produção do setor.

A produção industrial teve uma queda de 0,7% na média móvel trimestral, mas apresentou altas de 1,1% na comparação com outubro do ano passado, de 1,8% no acumulado do ano e de 2,3% no acumulado de 12 meses.

A alta de 0,2% na passagem de setembro para outubro, foi puxada pelos crescimentos de 4,4% dos bens de consumo duráveis e de 1,5% dos bens de capital, isto é, das máquinas e equipamentos. Por outro lado, os bens de consumo semi e não duráveis recuaram 0,2% e os bens intermediários, isto é, os insumos industrializados usados no setor produtivo, caíram 0,3%.

Das 26 atividades industriais pesquisadas, 16 tiveram alta de setembro para outubro, com destaque para as indústrias extrativas (3,1%), máquinas e equipamentos (8,8%), veículos automotores, reboques e carrocerias (3%) e bebidas (8,6%).

Já entre os nove ramos que tiveram queda nesse mês, os desempenhos de maior relevância foram de produtos alimentícios (-2%), metalurgia (-3,7%) produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-1,2%).

 

Com informações da Agência Brasil