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Crescimento nulo em maio reforça pessimismo na indústria e comércio

Queda na atividade de transportes é a principal responsável pela estagnação.

Conjuntura / 15:40 - 12 de Jul de 2019

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A Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE publicada nesta sexta-feira mostra que o desempenho do setor de serviços em maio retoma o quadro verificado nos primeiros meses do ano. Em 2019 o setor já havia acumulado três quedas consecutivas e apenas uma expansão em abril. Segundo Doutor em Economia e professor da Facamp (Faculdades de Campinas), José Augusto Gaspar Ruas, a ausência de crescimento indica tendência de consolidação de um primeiro semestre ruim. “O setor de serviços apresentou novamente sinais de dificuldades na economia. O crescimento nulo (0,0%) indica estagnação e reforça dados pessimistas da indústria e comércio”, afirma Ruas.

O destaque negativo ficou para o setor de Serviços de Transporte e Correio (-0,6%). Com importância crucial no índice geral de serviços, a queda na atividade de transportes é a principal responsável pela estagnação de abril. “Diretamente impactado pela baixa atividade econômica nacional, o setor de transporte terrestre (-0,6%) explica a maior parte deste desempenho”, acrescenta Ruas.

Os segmentos com resultados positivos foram os de Serviços Prestados às Famílias (0,5%), Serviços de Informação e Comunicação (1,7%) e Serviços Profissionais e Administrativos (0,7%). Dentre eles, vale destacar a consistência na expansão dos serviços de informação e comunicação que, com raras exceções, têm apresentando sucessivas taxas de crescimento nos últimos meses.

Em maio último, por exemplo, o segmento de serviços de tecnologia de informação registrou expansão de 5,4%. O vigor neste segmento, assim como em outros ligados ao setor de informação e comunicação, reflete ampliação do uso de tecnologia de informação e serviços associados na operação do setor produtivo como um todo, mesmo em um quadro de baixo crescimento econômico.

“Em resumo, o setor de serviços segue muito afetado pela retração da economia nos últimos anos. A oferta acumulada nos últimos 12 meses ainda se encontra 10,6% abaixo de seu melhor resultado, verificado em dezembro de 2014. A sequência de resultados mantém essa defasagem e reforça o cenário de pessimismo para o restante do ano”, ressalta o professor da Facamp.

O resultado do levantamento contrasta com os dados da comparação anual, que registraram expansão de 4,8% (maio de 2019 a maio 2018). No entanto, José Augusto Gaspar Ruas afirma que os dados de maio de 2018 foram profundamente afetados pela greve dos caminhoneiros, tornando essa expansão pouco efetiva para compreender o contexto atual.

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