Cresce interesse das mulheres pelo mercado financeiro

Investidoras procuram entender as nuances do mercado

Mercado Financeiro / 22:17 - 22 de out de 2019

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Nos últimos dois anos, a RJ Investimentos, escritório vinculado à XP Investimentos, percebeu um aumento expressivo de mulheres em sua carteira de clientes. O aumento foi de 80% de 2017 para 2019, saltando de 1.200 para 2.200 investidoras. Vale destacar ainda o aumento na proporção de mulheres no total de clientes: 31% em 2017 frente a 36% em 2019.

As mulheres são mais conservadoras que os homens quando o tema é investir, aplicam mais em fundos ou títulos de renda fixa, por exemplo. Elas ainda ousam menos que os homens em termos de aplicação. Porém, também procuram entender mais sobre e universo financeiro, enquanto o homem está mais interessado no rendimento que terá.

Fundada em 2008 por Alexandre Bueno do Prado e Eduardo Bueno do Prado, a RJ Investimentos é um escritório de agentes autônomos, especializado no segmento de clientes alta renda/private. A empresa faz parte do G20 da XP Investimentos. A carteira da RJ investimentos totaliza R$ 2,4 bilhões em patrimônio assessorado.

A equipe, formada por mais de 50 assessores, tem a meta de alcançar R$10 bilhões em patrimônio assessorado até 2020. A empresa atua em todo o Brasil e tem uma unidade no centro do Rio de Janeiro, e um escritório em São Paulo, na região do Itaim Bibi. Os planos da RJ Investimentos é de fomentar ainda mais o volume de clientes mulheres na carteira da empresa, uma vez que esse público tende a crescer cada vez mais.

De maneira geral, nos últimos anos, as mulheres vêm ganhando muito protagonismo no mercado de trabalho, a renda delas aumentou e o mercado financeiro passou a entrar no campo de visão delas. Segundo Yann Mutz, sócio da RJ Investimentos, no escritório o ticket médio (volume de dinheiro aplicado) dessa clientela também teve um avanço contundente em dois anos. Em 2017 o valor era de R$ 219 mil e atualmente é de 266 mil, aumento de 21%. O tíquete médio masculino é de cerca de R$ 400 mil.

Mutz conversou com o MONITOR MERCANTIL sobre o interesse cada vez maior das mulheres em investir no mercado financeiro. No escritório, ele é responsável pela área de Onboarding e é head da área de treinamentos da RJ Investimentos. Formado em gestão financeira pela Fundação Getúlio Vargas, ele trabalha no mercado financeiro há 10 anos (Veja abaixo a entrevista completa).

Como avalia o interesse das mulheres pelo mercado financeiro?

- As mulheres têm buscado informações e são muito estudiosas. Não temos uma métrica para isso, mas é perceptível na relação do dia a dia. As mulheres se dedicam a entender seu próprio funcionamento diante do risco e tendem a compreender mais profundamente os produtos. Como qualquer pessoa que inicia um planejamento financeiro de longo prazo, num primeiro momento a aversão ao risco de perda fala mais alto. Mas, conforme elas entendem e se apropriam da estratégia de diversificação, passam a ousar mais O ticket médio das mulheres está aumentando e elas estão se apropriando cada vez mais do conhecimento para fazer suas aplicações.

Qual é o perfil dessas investidoras?

- Na RJ Investimentos, elas têm entre 30 e 45 anos em média. Assim como os homens, antes elas estão mais envolvidas com a formação acadêmica. Temos executivas, engenheiras, autônomas, advogadas e médicas na carteira. A maioria vem por conta própria nos procurar (sem a influência direta dos companheiros). Quando vem em casal, percebo que as finanças acontecem de forma separada. Ou seja, a mulher nesse mercado está com poder de decisão. Em um primeiro momento elas optam por investimentos considerados mais conservadores, mas a partir do momento que acompanham o rendimento vão ganhando segurança.

Mas elas ainda são mais conservadoras?

- Sim, mas aos poucos apresentam a intenção de sair dos produtos tradicionais, bancários. A mulher é menos impulsiva na hora de investir. Apresentam mais receio, pesquisam bastante e nos primeiros passos tendem a ser mais conservadoras. Os produtos mais predominantes são ainda os fundos de investimento em renda fixa ou títulos. Quando atendemos alguém (mulheres ou homens) com menos conhecimento no mercado, procuramos também ser mais conservadores. Na medida que elas vão se familiarizando, com o ambiente de uma plataforma de renda fixa de uma corretora elas vão se sentindo mais seguras para dar o próximo passo. Outro fato que corrobora para isso é de estarmos com uma taxa de juros em queda (Selic). Esse movimento tende a continuar e a renda fixa trará menos rendimento.

Qual a perspectiva do escritório sobre a economia?

- A análise que fazemos é que estamos caminhando para grandes mudanças, com a reforma da previdência e tributária, por exemplo. Estamos com uma inflação mais baixa. Isso ajuda. Não estamos em um cenário caótico. Isso traz mais confiança aos investidores. Tem acontecido algumas turbulências fora do Brasil. Em agosto, tivemos os resultados das eleições primárias na Argentina e mostrou que a esquerda pode voltar (o primeiro turno das eleições no país acontece no final de outubro). Em 12 de agosto, a bolsa na Argentina despencou cerca de 50% e a bolsa brasileira também caiu. O trabalho do assessor é explicar que essa queda foi algo pontual que aconteceu em outros paises. A pessoa fica mais tranquila em saber que estamos cuidando da conta dela.

Qual a abordagem dos gestores para atender essa clientela?

- As mulheres valorizam muito a qualidade do atendimento, do serviço. Procuramos “traduzir” o que está acontecendo no mercado e na bolsa de valores. Somos uma empresa muito focada no serviço que prestamos.

Como a RJ Investimentos está se preparando para concorrer nesse mercado que tende a ampliar?

- Vamos continuar focados na excelência do atendimento. A qualidade da assistência dada ao cliente é o que norteará esse mercado. Minha percepção que esse mercado não funcionará da mesma forma. A tendência é aumentar o número de empresas trabalhando com produtos similares. Hoje o papel do assessor de investimento é traduzir as informações numa linguagem para que até o público leigo consiga absorver.

Como é composta a equipe?

- Nossa equipe de assessores ainda é composta por 85% de homens, mas a presença feminina vem aumentando nos nossos quadros. Nossa meta é aumentar mais a presença de assessoras mulheres. Estamos buscando profissionais do sexo feminino. Temos clientes que preferem ser atendidas por mulheres.

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