Cresce consumo de produtos sustentáveis de higiene & beleza

Levantamento mostra que sustentabilidade já está entre as três maiores preocupações para mais de 32% dos brasileiros.

Conjuntura / 15:18 - 9 de out de 2019

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O mercado de produtos sustentáveis em higiene & beleza ganhou relevância no faturamento das empresas e está cada vez mais presente no dia a dia das famílias brasileiras, em um ritmo de crescimento que está longe de desacelerar. A conclusão é da Nielsen Brasil no estudo Green is the New Black, divulgado nesta terça-feira.

Isso porque o conceito de sustentabilidade mudou nos últimos anos. O que antes girava em torno apenas da preocupação com o meio ambiente, hoje permeia várias esferas: desde embalagens sustentáveis, ingredientes naturais, e até teste em animais.

No Brasil, ser sustentável sai do discurso do brasileiro e se torna cada vez mais um fator de decisão no momento de compra. O tema já está na lista das TOP 3 preocupações para mais de 32% da população. Os lares que declaram ter hábitos e atitudes sustentáveis já somam mais de 7 milhões no país e concentram 18,2% do faturamento de higiene & beleza.

"A indústria pode ter um papel ativo na conscientização e educação do seu consumidor. Esse mercado está crescendo, as empresas precisam estar atentas para decidirem se querem ser protagonistas ou seguidoras", disse a líder da Indústria de Higiene & Beleza da Nielsen Brasil, Margareth Utimura.

Segundo o estudo, do total de lares sustentáveis no Brasil, 53,7% são compostos de 3 a 4 pessoas, 65,6% são mulheres e 3,8 milhões pertencem às classes econômicas A e B.

Na análise, a Nielsen apresenta ao mercado uma realidade, com o consumidor tendo características sustentáveis como definidoras da compra. Para isso, foram separadas por categorias: produtos que não são testados em animais (cruelty free); possuem ingredientes naturais e são veganos. Entraram na lista as seguintes categorias: desodorante, sabonete, shampoo, cremes para pele (rosto e corpo), pós-shampoo, bronzeador/protetor solar, maquiagem, fio dental, creme dental e preservativos.

Na pesquisa, feita com apoio do painel online da Ebit Nielsen, o consumidor declarou que os produtos mais comprados nestes grupos são shampoo (29,9%), sabonete (24,1%) e pós-shampoo (22,5%).

De acordo com Green Is the New Black, o segmento de ingredientes naturais é o que registrou o maior ritmo de crescimento, e, além da embalagem, foi o critério mais reconhecido pelo consumidor como sendo "sustentável".

O maior segmento é o de cruelty free, que representa 11% do mercado analisado de H&B, e tem taxa de crescimento 61% maior que produtos classificados como não sustentáveis. Já o grupo de produtos veganos, apesar de representar 3% do faturamento, tem aumentado as vendas no mesmo ritmo de cruelty free. Por fim, o grupo de ingredientes naturais é o que tem o maior ritmo de crescimento, com uma taxa de 124%.

Entre as categorias, a Nielsen verificou que 50% das linhas de maquiagem são cruelty free e que o crescimento foi de 6,5%. Com o uso de produtos naturais, temos pós-shampoos (25%), shampoos (15%) e sabonetes (10%). A venda de produtos sustentáveis se dá principalmente em perfumarias, que ganhou ainda mais importância em relação ao ano anterior. Esse é um canal utilizado pela maioria de mulheres entre 18 e 35 anos, que busca autocuidado e satisfação. Além de ser referência em sortimento, preços baixos e promoções, conta com muitos materiais de divulgação e promotores que dão apoio na decisão do consumidor, também aqui são encontrados os produtos mais profissionais.

 

Lixo Zero - Grande parte dos resíduos encontrados em limpezas de praias e em rios, são de plásticos de uso único como garrafas pet, copos descartáveis, canudos, sacolas, entre outros itens utilizados em demasia em nossa sociedade. Um desses projetos é o "Desafio Zero Descartável" realizado no mês de Julho, este, mundialmente conhecido como "Julho sem Plástico". O desafio é organizado pela startup Beegreen Sustentabilidade Urbana e voltado para a população em geral e nesta 2ª edição, participaram pessoas físicas, escolas, empresas e instituições, atingindo mais de 400 mil pessoas, e o que mais chamou a atenção foram os dados coletados com os participantes após o desafio, publicados recentemente em seu relatório de impacto.

A pesquisa foi realizada pela própria startup e nela foram avaliados quesitos como tempo de participação, níveis de dificuldade e quantos plásticos descartáveis os participantes deixaram de consumir em seu cotidiano. Para se ter uma ideia, mais de 80% dos entrevistados não conseguiram cumprir o desafio, e alegaram dificuldades em zerar a produção de lixo. Outro dado interessante, é que 75% dos participantes precisou se explicar para conseguir fazer compras sem a utilização de plásticos descartáveis. O grande problema aqui, segundo a bióloga e sócia-proprietária da empresa, Jessica Pertile, está na falta de consciência da população sobre o assunto. "Precisamos repensar nossos hábitos quanto a geração de lixo plástico descartável. É cultural sermos bombardeados de descartáveis em nossa vida cotidiana e grande parte das vezes, nem é perguntado para a pessoa se ela precisa da sacola ou do canudo. Precisamos chamar a atenção quanto a importância reavaliar este comportamento e criar novas alternativas para um consumo mais consciente", comenta.

Informações do mesmo relatório de impacto mostram, ainda, que os setores de alimentação e bebidas na rua (52%) e higiene pessoal (40%) foram os que trouxeram maior dificuldades na hora de cumprir o desafio, por não oferecerem outras opções. "São áreas que precisam não só de uma maior atenção e conscientização, mas também de alternativas mais sustentáveis para oferecer ao consumidor. Essas dificuldades acabam fazendo com que as pessoas desistam de tentar mudar de hábitos", comenta a engenheira de produção e sócia-proprietária da empresa, Patricya Soares Bezerra.

Apesar dos obstáculos enfrentados, tentar ajudar o planeta também trouxe bons resultados. Todos os participantes afirmaram ter adquirido uma maior consciência sobre o assunto, mudando sua percepção sobre a geração de seu próprio lixo. Quase a metade deles (45%) pretendem continuar nessa jornada de redução, e mais de 72% não só mudaram os próprios hábitos, como confirmaram influenciar essas mudanças ao seu redor, colaborando com ações em sua família e local de trabalho. Para quem tiver interesse no tema, a Beegreen disponibiliza, em seu site e redes sociais, conteúdos exclusivos e gratuitos sobre como evitar o plástico descartável em casa, na rua, em escolas e empresas, seja ao consumir alimentos e bebidas na rua, fazer compras no mercado, programar eventos, realizar a limpeza da casa e o cuidado do seu pet, entre outras atividades.

De acordo com o Ministério do Meio ambiente (MMA), os brasileiros geram por ano mais de 70 milhões de toneladas de resíduos sólidos, sendo 19 milhões de recicláveis e, destes resíduos, 45% são plásticos. Para piorar, a média de reciclagem nas cidades brasileiras – que é de responsabilidade das prefeituras - é de apenas 2% do volume global que deveria ser reciclado, ou seja, 98% ainda é perdido, indo parar em bueiros, rios, lagos, mares, oceanos, lixões e aterros.

A crise plástica tem feito crescer a curiosidade e a busca sobre como mudar o estilo de vida. Os resíduos plásticos gerados estão ligados, principalmente, ao consumo de alimentos e bebidas e ao consumo de bens duráveis. Um bom exemplo disso, são as famosas sacolas plásticas. Quando vamos a um estabelecimento qualquer, automaticamente somos condicionados a colocar os produtos que vamos levar dentro de uma. Isso acontece devido a própria cultura estabelecida e, também, ao hábito e as crenças das próprias pessoas. Para se mudar uma cultura, é necessário mudar esses hábitos e crenças. E o primeiro passo é estranhar a realidade a nossa volta, questionando se ela faz sentido. Mudanças nem sempre são fáceis, e precisamos de um tempo para nos acostumar a isso. A boa notícia é que, hoje, há cada vez mais gente disposta a levar uma vida mais sustentável.

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